Indústria Lítio: Australianos compram nova licença para prospecção em Trás-os-Montes

Lítio: Australianos compram nova licença para prospecção em Trás-os-Montes

Ainda com um litígio em tribunal com a Lusorecursos - detentora original da licença de Sepeda, Montalegre, onde foi detectado lítio -, os australianos avançaram para a aquisição de mais um pacote de licenças na mesma zona.
Lítio: Australianos compram nova licença para prospecção em Trás-os-Montes
Paulo Zacarias Gomes 04 de setembro de 2017 às 12:11
A empresa Novo Lítio, de origem australiana, anunciou a compra de um pacote de novas licenças de prospecção de lítio no Norte do país, próximo da zona de Sepeda, Montalegre, onde já desenvolveu actividade.

As novas licenças (identificadas como MNPP01015 e MNPP01713) foram adquiridas através da compra de 100% da subsidiária portuguesa da Medgold, empresa cotada na bolsa de Toronto, Canadá.

A Medcenterra, agora alvo de compra, inclui as zonas de prospecção designadas por Chaves e Limarinho, que confrontam com Sepeda mas também com a áreas de Malhão, onde a Lusidakota (subsidiária da Novo Lítio) refere ter entregue pedido de prospecção. É também através da Lusidakota que é feita a aquisição da Medcenterra.

A nova área em causa tem, de acordo com o comunicado enviado pela Novo Lítio à bolsa australiana, 354 quilómetros quadrados. Em conjunto, as transacções representam um pagamento de 167,5 mil euros da Novo Lítio à Medgold, um valor que corresponde ao pago pela Medgold à Direcção Geral de Energia e geologia no contrato de prospecção e pesquisa.

Além deste valor – que a Novo Lítio entende poder ser recuperado junto da DGEG caso não não seja feita uma descoberta de recursos e a licença seja abandonada -, a companhia refere que pagará e comissões anuais à Medgold, de 16 mil euros no caso de Chaves e de 10 mil euros no caso de Limarinho.

"Estamos muito contentes por reforçar o nosso projecto de lítio de Sepeda com o grande aumento de licenças de exploração na área e um conjunto promissor de alvos de exploração análogos a Sepeda. Somos agora os maiores detentores de licenças na cintura de lítio do Norte de Portugal, o que nos confere um potencial enorme para a nossa descoberta de lítio em Sepeda," afirma o CEO da Novo Lítio, David Frances, no comunicado.

Segundo a empresa, a zona onde se encontram estas concessões indica a presença de pegmatitos com ocorrências de chumbo/tungsténio semelhantes às descobertas pela Novo Lítio em Sepeda e que são potenciais alvos para a identificação de lítio.

Litígio com a Lusorecursos mantém-se

O anúncio da nova aquisição dá-se mais de um mês depois da Novo Lítio ter anunciado o "início de procedimentos legais" contra a Lusorecursos, a empresa a que foi atribuído originalmente o direito de prospecção de Sepeda.

Na altura, a empresa argumentava que o recurso à justiça pretende obter uma decisão do tribunal que obrigue assim a Lusorecursos a pedir junto do Estado a aprovação da atribuição das licenças de prospecção, bem como a concretizar a venda destas licenças à Novo Lítio, tal como – diz - ficou estabelecido acordo vinculativo que fez com a Lusorecursos.

"Até à data, as conversações com a Lusorecursos para completar a venda das licenças no projecto de Sepeda [Montalegre] não alcançaram um resultado satisfatório," justificava a empresa australiana na nota, onde dá conta de que, apesar do litígio, continuará a ter acesso ao local e a desenvolver ali operações de prospecção.

"Acredito que se trata de um projeto de interesse nacional e as partes terão obviamente de se sentar à mesma mesa e de ser mediadas para que se chegue a um acordo e se evite atrasar no tempo uma coisa que é urgente implementar e desenvolver no território", afirmou esta segunda-feira o autarca de Montalegre, Orlando Alves, citado pela Lusa.

A companhia chegou a anunciar que o lítio identificado naquele local tinha sido considerado adequado para a produção de componentes de baterias de iões lítio e admitiu estar a ponderar realizar um investimento de 370 milhões de euros na construção de uma mina e de instalações de processamento do mineral.

Para o presidente socialista, o projecto de exploração de lítio junto à aldeia de Carvalhais "será uma oportunidade única de combate ao despovoamento" deste município do distrito de Vila Real.

(notícia actualizada às 12:37 com declarações do autarca de Montalegre)



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comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Resposta ao comentário Bazanga
Como os recursos pertencem ao Estado, poderia explorá-los. Normalmente isso não acontece porque requer investimentos muito elevados, know-how e é arriscado. O Estado conceciona esse direito a privados mediante contrapartidas que podem ser uma percentagem nos lucros.

Anónimo Há 2 semanas

Resposta ao comentário Resposta ao Anónimo
O senhor não percebeu o que eu disse. O direito de superfície (solo) não é igual ao direito do subsolo. Todos os casos que descreveu referem-se ao direito de superfície. Aí pode haver propriedade privada. O subsolo e seus recursos pertencem ao Estado.

bazanga Há 2 semanas

E quanto entra nos cofres do estado português?

Em resumo : Há 2 semanas

Chega uma altura da vida, mais tarde ou mais cedo, que um tipo tem que enfrentar o fim ( aparece-lhe um cancro cujo prognóstico se advinha mesmo sem certidão de médico) . o Homem é o único animal que tem consciência que vai morrer - e aí põe-se a "escrita em dia". sempre foi e será assim - é a vida!

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