Banco de Portugal entrega 359 milhões ao Estado em dividendos após forte subida nos lucros (act2)
14 Maio 2013, 11:32 por Nuno Carregueiro | nc@negocios.pt, Rui Peres Jorge | rpjorge@negocios.pt
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Os lucros do Banco de Portugal disparam para 449 milhões de euros, o que representa um aumento de mais de 14 vezes face ao período homólogo. 80% deste valor vai para o Estado.

O Banco de Portugal atingiu resultados líquidos de 449 milhões de euros no ano passado, um forte crescimento face aos 31 milhões de euros atingidos em 2011, anunciou o banco central português no seu Relatório e Contas referente a 2012.

 

A melhoria dos resultados, apresentados por Carlos Costa, governador e José Ramalho, vice-governador, deveu-se essencialmente a quatro factores: mais lucros com empréstimos aos bancos, lucros com operações financeiras, lucros partilhados com o eurosistema e menores provisões.


“No aumento do resultado do período de 2012 destacam-se, como principais impactos, o aumento da margem de juros, dos resultados em operações financeiras, do resultado líquido da repartição de rendimentos monetários, assim como da redução no reforço da provisão para riscos gerais, em face da ponderação dos diversos factores inerentes à avaliação de riscos do banco”, refere o Banco de Portugal no referido documento.

 

Os lucros obtidos em 2012 representam um aumento de 14,4 vezes face ao registado em 2011 e situa-se acima dos valores dos anos anteriores. Em 2010 o Banco de Portugal obteve lucros de 198 milhões de euros, em 2009 de 254 milhões de euros e em 2008 de 349 milhões de euros.

 

Este forte crescimento representa também uma boa notícia para o Estado, já que o valor que vai receber em dividendos também cresce fortemente. De acordo com o despacho do Ministro das Finanças publicado no Relatório e Contas do Banco de Portugal, o banco central vai pagar um dividendo de 359 milhões de euros ao Estado. Para reserva geral vão 44,9 milhões de euros e outro tanto para outras reservas.

 

No ano passado o Banco de Portugal tinha entregue ao Estado 18,7 milhões de euros em dividendos, referentes aos lucros do exercício de 2011, que tinham sido penalizados pela constituição de provisões.

 

Os bons resultados não se traduziram em mais IRC liquidado. Em 2012, o BdP liquidou apenas 325 mil euros, o que compara com cerca de 200 milhões de euros em 2011.

 

O Banco de Portugal atingiu uma margem de juros de 803 milhões de euros no ano passado, um crescimento de 10% que o banco justifica com a redução “verificada nos juros e outros gastos equiparados ter superado o decréscimo dos juros e outros rendimentos equiparados”.

 

Contudo, o principal factor que explica a forte subida dos lucros está na queda acentuada da rubrica de transferências para provisões para riscos. Passou de um valor negativo de 460 milhões em 2011 para -268 milhões de euros no ano passado.

 

Ao nível dos gastos administrativos verificou-se um aumento de 3 milhões de euros, para 168 milhões de euros, sendo que nos gastos com pessoal registou-se uma quebra de 111 milhões de euros para 108 milhões de euros.

 

No balanço do Banco de Portugal destaca-se a valorização das reservas de ouro do banco central português, que continuam em 382,5 toneladas, mas agora mais valiosas. Estas reservas estão avaliadas em 15,5 mil milhões de euros, um crescimento de 545 milhões de euros face a 2011.

 

(Notícia actualizada com mais informação)

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