Indústria Luís Portela: Saúde pode ser uma das áreas “mais notáveis da economia”
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Luís Portela: Saúde pode ser uma das áreas “mais notáveis da economia”

Luís Portela, presidente do Health Cluster, diz que o sector da saúde, acima de tudo, pede estabilidade e que não se tomem mais medidas restritivas. Menos pressão dará às empresas mais capacidade para investir.
Luís Portela: Saúde pode ser uma das áreas “mais notáveis da economia”
Miguel Baltazar
Celso Filipe Rosário Lira 27 de novembro de 2016 às 18:30

Entre as 50 empresas que mais investem em Portugal em investigação e desenvolvimento, cerca de uma dezena são da área da saúde, sublinha o presidente do Health Cluster Portugal, Luís Portela.

Qual é a perspectiva do Health Cluster Portugal em termos de crescimento do sector para o próximo ano?
Nós preferimos olhar as coisas de uma forma realista. Preferimos dizer assim: nos últimos seis anos duplicámos as nossas exportações, este ano pensamos ultrapassar 1,3 mil milhões, temos condições para entre 5 a 10 anos voltar a duplicar este volume de facturação. E sermos uma das áreas notáveis no contexto da economia portuguesa. Se, deixe-me sublinhar,  tivermos condições para fazer isso. Ou seja, se as  preocupações orçamentais não nos sufocarem.

O que está a dizer é que tem de haver um alívio da pressão financeira que é colocada pelo Estado junto do sector?
O que estou a dizer é que tem de haver estabilidade, primeiro do que tudo estabilidade. Nós na área da saúde temos vivido ano após ano a ser alvo de medidas, vem esta medida, depois outra medida, nunca sabemos onde é que estamos. é difícil fazer a gestão desta situação. Portanto, em primeiro lugar estabilidade. E depois que não venham mais medidas restritivas. E logo que possível que nos aliviem um pouco disso. Nós não pedimos agora milagres, que "vamos retomar os preços de há cinco anos e tal", isso seria irrealista. Agora estabilidade, não assumirem mais medidas restritivas no nosso sector e logo que possível começarem a diminuir um bocadinho esta pressão para nós termos capacidade para continuar a investir.

O investimento feito pelas empresas da área da saúde representa 18% do total do investimento feito em investigação e desenvolvimento em Portugal, que margem é que há para crescer, nomeadamente estão a contar com os fundos comunitários para esse efeito? Que perspectivas é que existem?
É uma coisa que se fala pouco, mas acho que é notável os meus colegas, as empresas da área da saúde, o esforço que têm feito em investigação e desenvolvimento. Não sei os números de cor, mas nas 50 empresas que mais investem em Portugal em investigação e desenvolvimento, cerca de uma dezena é da área da saúde. E com muita satisfação, com honra minha, a Bial é a segunda empresa, atrás da Portugal Telecom, que mais investe, mas logo atrás de nós vem a José de Mello Saúde, a Hovione, e depois uma série de outras empresas, mais pequenas, start-ups inclusive, que têm níveis de investimento muito interessantes. E com resultados relativamente simpáticos, porque por força desse investimento quando consultamos a lista das instituições que mais patenteiam a partir de Portugal, nas primeiras 25 (não tenho números  exactos), oito ou nove são da área da saúde. E de novo a Bial é aquela que mais investiga, a Hovione salvo erro vem em segundo lugar.

Como é que se rentabiliza esse investimento em investigação e desenvolvimento?
O tempo, no caso das empresas de dispositivos médicos ou análises clínicas, é mais curto, mas no caso do medicamento é de 10 a 15 anos em que investimos para depois podermos lançar uma nova solução terapêutica à escala global, termos recuperação desse investimento. No nosso caso, é sabido, nós lançámos o nosso primeiro medicamento de origem portuguesa à escala global em 2009 e 2010 e estamos agora a lançar, foi aprovado neste Verão pela agência europeia do medicamento, o nosso segundo medicamento, para a doença de Parkinson, que está a ser lançado desde Outubro na Alemanha e Reino Unido e será lançado em toda a Europa ao longo do próximo ano. Mas esta é a maneira, depois do enorme investimento, vamos lançar os produtos nos diferentes países. Temos de encontrar talento nas duas vertentes: talento enquanto instituições de investigação, com inovação, aliarmo-nos às universidades, trazer os seus conhecimentos para as empresas; tem de haver talento no processo inovador; e depois se conseguirmos atingir o objectivo de levar o novo produto ao mercado, temos de ter o talento para comercialmente sermos bem-sucedidos e conseguirmos vender.

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