Banca & Finanças Macedo pode rever plano de imparidades da Caixa

Macedo pode rever plano de imparidades da Caixa

António Domingues diz que banco público estava em risco de "bail in" quando chegou à Caixa e que esse cenário foi posto em cima da mesa durante as negociações pela DGComp.
Macedo pode rever plano de imparidades da Caixa
Duarte Roriz/Correio da Manhã
Marta Moitinho Oliveira 04 de Janeiro de 2017 às 12:42

O antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues, deixou esta quarta-feira, 4 de Janeiro, a porta aberta a que o seu sucessor possa rever o plano de negócios que deixou fechado no banco público, designadamente no que respeita ao apuramento das imparidades.

Domingues está no Parlamento a falar pela primeira vez sobre os motivos que o levaram a deixar a presidência do banco e a dar alguns detalhes sobre o plano de recapitalização e de negócios.

"A Caixa foi avaliada de A até Z", disse, acrescentando que "perto de 80%" da estimativa de imparidades resulta de análises individuais de risco. Domingues não adiantou qual o montante de imparidades apurado, enquanto respondia a questões da deputada bloquista Mariana Mortágua, que quis saber se confirmava o valor noticiado de 3.000 milhões de euros de imparidades. "A estimativa conduz a que a necessidade de aumento de capital de 2.700 milhões de euros se justifique", assegurou. 

Domingues explicou que a análise das imparidades não "apenas de crédito", mas também do "valor dos imóveis recebidos em garantia [que] estava abaixo". Os créditos acima de 3 milhões de euros foram analisados de forma individual, com excepções, precisou.


O antigo líder da Caixa avançou que o exercício de avaliação de imparidades está "totalmente documentado" e a nova equipa "terá oportunidade de o rever". A futura administração terá "oportunidade de emitir o juízo que sobre eles entender", afirmou, deixando assim margem para que a avaliação das imparidades feita por Macedo possa ser diferente da que foi feita antes. 

No entanto, deixou um alerta: A Caixa "não tem uma segunda oportunidade para levantar capital fora das ajudas de Estado". 

Antes, António Domingues tinha dito que quando começou a analisar as contas da Caixa percebeu que existia risco de resolução do banco público, em resultado do plano anterior existente, e que este cenário esteve aliás presente nas negociações com as autoridades europeias.

"Esse risco existia [bail in]. A primeira alternativa era ajudas de Estado com perdas", afirmou, acrescentando que "esse cenário foi posto em cima da mesa constantemente pela DGComp durante as negociações". 




   




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Abre olhos Há 2 semanas

E ninguém vai preso? Querem ver que a culpa foi do gato ou do cão. Ou terá sido do piriquito? País de ladrões.

pub
pub
pub
pub