Banca & Finanças Malparado: Costa promete “medida sistémica” para breve

Malparado: Costa promete “medida sistémica” para breve

O primeiro-ministro garantiu que não haverá dinheiro dos contribuintes envolvido na solução que vier a ser desenhada para lidar com os "activos de má qualidade" que penalizam os balanços do sector financeiro. E que está mais tranquilo com a situação da banca.
Malparado: Costa promete “medida sistémica” para breve
bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 20 de Outubro de 2016 às 22:00

O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira que está "para breve" a implementação de um mecanismo que permita resolver o problema dos activos de má qualidade que pesam nos rácios de capital e nos balanços dos bancos. 

"Temos estado a trabalhar com o Banco de Portugal para termos brevemente uma medida sistémica que possa ser aplicada por igual a todo o sistema bancário que o deseje fazer", disse em entrevista à TVI.

"Não me posso comprometer com um calendário", afirmou, dizendo no entanto esperar que até ao final deste ano sejam resolvidas todas as situações pendentes no sector financeiro.

Recusando a designação de banco mau - "N
ão vai ser banco, nem mau. Vai ser bom para a economia" -, o chefe de Governo diz que a "medida sistémica" vai avançar assim que todas as situações no sector financeiro - envolvendo CGD, Novo Banco, BCP, BPI - estejam estabilizadas, o que prevê que aconteça até ao final do ano.

Para Costa, o nível de capitalização da Caixa Geral de Depósitos vai permitir-lhe gerir sozinha a sua "dose de activos não performantes", resolvendo o problema do principal banco português que "ninguém acreditava que pudesse ser resolvido".

Em relação ao Novo Banco, congratulou-se com os "bons indícios de interesse na capitalização" e disse esperar que o Banco de Portugal lhe dê a conhecer as "várias propostas" para compra da instituição.

Quanto ao BPI, resolvida a questão da exposição ao mercado angolano, "conta hoje com uma estrutura accionista pacificada" e no BCP, onde os chineses da Fosun preparam a entrada no capital, o que se discute é "como é que protege e não dilui os interesses dos accionistas".

"Sim, claro que estou [mais tranquilo]", afirmou, garantindo também que o dinheiro dos contribuintes não será envolvido na criação daquele mecanismo. "Isso com certeza. A que propósito é que o contribuinte havia de pagar mais? Isso hoje não é socialmente aceitável," respondeu.

Quanto à "medida sistémica", o primeiro-ministro recusa que seja pensada em resolver o problema dos bancos, mas sim o das famílias, das empresas e da valorização do património. Será, diz, uma solução para "aliviar balanços e que permita uma gestão prudente e positiva para a economia. Que valorize esses grandes activos que não podem ser destruídos nem vendidos ao desbarato," concluiu.


(Notícia actualizada às 22:18 com mais informação)




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mais votado Anónimo Há 2 semanas


Um governo de ladrões

PS - PCP - BE -- ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO



NOVAS PENSÕES MÍNIMAS SERÃO SUJEITAS A PROVA DE RENDIMENTO...

para se gastar mais dinheiro com os subsídios às pensões douradas da CGA.


(As pensões da CGA são subsidiadas em 500€, 1000€, 1500€ e mais, por mês.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E não as mínimas.)


comentários mais recentes
JCG Há 2 semanas

O primeiro-ministro garantiu que não haverá dinheiro dos contribuintes envolvido na solução que vier a ser desenhada para lidar com os "activos de má qualidade" que penalizam os balanços do sector financeiro...

Este tipo, objetivamente, não sabe do que fala, faz de papagaio e replica os erros que ouviu.

Em primeiro lugar, “não há solução para crédito manhoso”. O problema é o crédito ter-se revelado manhoso. Por deficiente avaliação à partida ou por circunstâncias posteriores. Mas os bancos quando concedem crédito já prevêem que uma certa percentagem será incobrável. É por isso que acrestam prémio de risco na taxa de juros e constituem provisões genéricas. O que os bancos podem fazer é desencadear uma série de medidas para recuperar o máximo posssível do crédito. Duas delas: consolidar e esticar a dívida para aliviar as prestações e ou “assistir a gestão”. Como fez a troica: emprestou mas controlou com rédia curta. Os bancos andam a dispensar tantos trabalhadores, alguns, certamente, qualificados, em vez disso podiam utilizá-los na “assistência” a gestores mal preparados. É que muitos desses gestores a última coisa que fazem é cortar nos seus benefícios e previlégios pessoais. Mais: alguns quando vêem a conta de exploração da empresa a vermelho até tratam é de tirar mais alguma coisa da empresa enquanto é tempo.

Além disso, dizer que “os "activos de má qualidade" ... penalizam os balanços do sector financeiro” é um disparate: não penalizam; penalizaram. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que, de acordo com as regras e boas práticas contabilísticas, a partir do momento em que a gestão do banco reconhece que há um crédito problemático potencialmente irrecuperável no todo ou em parte, deve imediatamente constituir uma provisão no montante da perda expectável. Por exemplo, para um crédito em dívida de 1 milhão de que se receia perder 25 por cento, o valor que aparece registado no ativo do balanço deve ser de 750 mil (o milhão deduzido da provisão de 250 mil). Até ao momento em que a gestão não conhece nada que possa por em causa a recuperabilidade total de um crédito, esse crédito é considerado como bom; a partir do momento em que a gestão tem dados para considerar que vai perder alguma parte desse crédito, deve imediatamente descontar a perda no ativo do balanço.

Isto é contabilidade elementar e básica. O Primeiro-Ministro, entre as centenas de parasitas que andam por lá a título de assessores disto e daquilo não tem alguém que lhe explique estas coisas simples e banais?

Anónimo Há 2 semanas

Quem acredita neste aldrabão que todos os dias dizia que eram eles que iam tirar o país do défice excessivo , quando sabiam que tinha sido o governo anterior.?E tal e qual o 44 http://ionline.sapo.pt/artigo/531483/socrates-pagava-blogue-para-elogiar-governo-e-atacar-inimigos-?seccao=Portugal_i

JCG Há 2 semanas

Este indivíduo está-se a revelar no melhor amigo de banqueiros e gestores bancários e acabará por arranjar forma de transferir 15 ou 20 mil milhões de perdas dos bancos para os contribuintes, porque, como é evidente, essa operação de que se fala só tem algum interesse para os bancos se houver uma transferência de perdas para o zé pagante.

Como? transferindo/ vendendo créditos a uma nova entidade por um preço muito superior ao que qualquer "operador" privado (fundo abutre, que há muitos e um deles até contratou a ex-ministra das finanças) daria por eles (teoricamente, cerca de 50% ou menos do valor que se considera razoavelmente recuperável do crédito, ou seja e a título de exemplo, num crédito em dívida de 1 milhão com alguma gantias recuperáveis por exemplo de 100 mil euros, o comprador oferece 50 mil euros porque também quer ganhar com o negócio e é preciso remunerar as Marias Albuquerques).

E limpando os ativos dos bancos com a saida de créditos manhosos certamente a preço superior ao que têm no balanço (valor líquido de balanço) o que permitirá recuperar provisões e aumentar os lucros dos bancos de forma significativa, o que por sua vez permitirá aumentar brutalmente as remunerações dos gestores bancários - aumentando "a linha do mercado", a mérdia e a merdiana - o que implicará rever as ridículas e miseráveis remunerações que o Governo aceitou dispensar aos gestores da CGD.

Bom, isto tudo enquanto, por um lado, os gestores bancários dizem que não é precisa tal operação e, pelo outro, é sabido que se os bancos não concedem mais crédito a empresas não é por falta de liquidez nos bancos, mas porque as empresas já estão sobreendividadas, em muitos casos porque se endividaram para servir de veículo de transferência de fundos para sócios e acionistas - com o incentivo e a cumplicidade de banqueiros e gestores bancários - , ou seja, o dinheiro não foi utilizado no negócio, e também não apresentam planos de desenvolvimento credíveis.

Perante tudo isto, temos um tipo à frente do Governo (e assessorado por oportunistas) teimoso, ignorante, rasca e até boçal, conforme bem evidenciam os seus raciocínios e conclusões como recentemente foi explanado no caso das remunerações dos gestores da CGD.

Porra*, não é posssível arranjar melhor para dirigir este desgraçado país?



Luís Há 2 semanas

O crédito mal dado é responsabilidade dos bancos e dos banqueiros, não do Estado ou dos contribuintes.. há lucros, distribuem-se; há prejuízos, socializam-se.

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