Media Marcelo "muito preocupado" com jornalismo, cuidadoso com apoios do Estado

Marcelo "muito preocupado" com jornalismo, cuidadoso com apoios do Estado

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está pessimista e "muito preocupado com o panorama do jornalismo em Portugal" e aconselhou hoje cuidado numa eventual intervenção do Estado a apoiar os 'media' em crise.
Marcelo "muito preocupado" com jornalismo, cuidadoso com apoios do Estado
Cofina Media
Lusa 23 de setembro de 2017 às 21:10

O debate era sobre o futuro do jornalismo, e decorreu, hoje à tarde, nos jardins do Palácio de Belém, em Lisboa, numa conversa entre jornalistas, Clara Ferreira Alves, Isabel Lucas e Paulo Moura, moderada por outro jornalista, Carlos Vaz Marques.

 

Sentado na quinta fila, entre a assistência, Marcelo Rebelou de Sousa pediu a palavra para fazer uma intervenção em que alertou para os muitos riscos que o jornalismo atravessa, seja por culpa das novas tecnologias, da crise económica ou das transferências para estrangeiros de empresas portuguesas.

 

Assistiu-se, enumerou, à "multiplicação" e "à morte das rádios locais", as que não se associaram "em cadeias", à crise da imprensa não diária, à da imprensa diária e, mais recente, à das televisões.

 

A última crise económica, admitiu, "teve efeitos devastadores", o negócio no ‘online’ nem a TV por cabo, por exemplo, compensou as perdas nos media tradicionais.

 

Marcelo Rebelo de Sousa apontou uma dificuldade para Portugal, que não dispõe de muitas fundações, ou mecenas, que apoiem o jornalismo.

 

E recordou a precarização, os baixos ordenados e perda de condições e meios dos jornalistas e das redações ao longo dos últimos anos.

 

Chegados aqui, disse o Presidente, "a situação é crítica", em que se chega a admitir, como aconteceu durante o debate, com Clara Ferreira Alves e Paulo Moura, que o Estado tenha um papel de apoio à comunicação social em crise.

 

Pode chegar-se a "situações que não são boas para a democracia", face à "degradação ou esvaziamento do papel do jornalismo", alertou.

 

Em primeiro lugar, devem ser os jornalistas a tentar dar respostas ao problema, mas depois "há uma responsabilidade pública, do poder político, em si mesmo".

 

Uma responsabilidade que, acrescentou, pode ser feita "com todas as precauções".

"Porque quando o poder político é chamado a intervir não resiste a intervir com uma mão pesada. E a pretexto de salvar a liberdade, pode não o fazer", afirmou, entre sorrisos, embora tenha dado o bom exemplo da RTP, em que o Estado está presente "respeitando o pluralismo e a liberdade de informação".

 

Em todo este processo de crise, a transferência para mãos estrangeiras de empresas portuguesas, sejam ou não de comunicação social, também tem as suas implicações.

Implicações que, exemplificou, chegam à comunicação social "pela via publicitária ou pela via da influência nos operadores ou por influência da disputa da propriedade da comunicação social".

 

O problema é mais vasto, deve implicar o empenhamento dos jornalistas e da sociedade em geral e Marcelo Rebelo de Sousa expressa algum pessimismo.

 

"Temo que, a não generalizar-se o debate e a não ser levado a sério pelos jornalistas e pela sociedade como um todo, se chegue muito tarde", disse, e terminou a sua intervenção com a frase "era só isto que eu queria dizer".

 




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Camaradaverao75 08.10.2017

Mas que PAÍS é este que até o PR tem dúvidas na imparcialidade dos jornalistas? Se fosse o meu caso convocaria logo uma manifestação a repudiar tal atitude.

pertinaz 24.09.2017

ACORDASTE... OS JORNALEIROS ESTÃO TODOS NA MÃO DO BLOCO DE ESQUERDA...!!!

Anónimo 24.09.2017

Marcelo aceita todos aqueles, que querem caminhar com ele na Grande Via da Liberdade, Igualdade de oportunidades e Fraternidade.

Anónimo 24.09.2017

E NÓS, HÁ DÉCADAS QUE CONTINUAMOS PREOCUPADOS COM O QUERIDO PORTUGAL E COM OS NOSSOS QUERIDOS PORTUGUESES PORQUE CONTINUAMOS A CUMPRIR O JURAMENTO QUE FIZEMOS...

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