Concorrência & Regulação Margarida Matos Rosa: da CMVM para presidente da Autoridade da Concorrência

Margarida Matos Rosa: da CMVM para presidente da Autoridade da Concorrência

A economista deverá ser o nome indicado pelo Governo para presidir à Autoridade da Concorrência, substituindo António Ferreira Gomes, segundo noticia o Público.
Margarida Matos Rosa: da CMVM para presidente da Autoridade da Concorrência
Correio da Manhã
Negócios 04 de Novembro de 2016 às 16:11
Margarida Matos Rosa deverá ser a próxima presidente da Autoridade da Concorrência. A notícia foi avançada pelo Público que acrescenta que a escolha foi da ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques. A tutela, no entanto, é do Ministério da Economia. 

António Ferreira Gomes vai sair da Concorrência para entrar num departamento da OCDE ligado à política concorrencial.

O Governo opta agora por substitui-lo por uma mulher, embora não fosse certo que o teria de fazer para cumprir a lei-quadro dos reguladores que fala de alternância de género na mudança de presidentes.

António Ferreira Gomes não termina o mandato. Foi para presidente da Autoridade da Concorrência em Setembro de 2013, para um mandato de cinco anos, que só terminaria em 2018.

O actual conselho tem como vogais Maria João Melícias, nomeada em 2014, e Nuno Rocha de Carvalho, que tomou posse na mesma altura de Ferreira Gomes.

Contactados pelo Negócios, nem o Ministério da Economia nem o da Presidência deram, ainda, respostas sobre o assunto. 

Margarida Matos Rosa terá de ser ouvida, antes da nomeação pelo Governo, pelo Parlamento e a Cresap terá, também, de se pronunciar sobre o seu nome, ainda que ambos os relatórios não tenham carácter vinculativo.

Margarida Matos Rosa será a quarta presidente da AdC, depois de Abel Mateus, Manuel Sebastião e António Ferreira Gomes.

Entrará na Concorrência tendo ainda por decidir o designado cartel da banca, que está suspenso pelo Tribunal. Margarida Matos Rosa conhece a banca. Foi (entre 2001 e 2005) directora da área de gestão de activos institucional do BNP Paribas em Portugal, depois de ter estado no mesmo grupo em Londres, Paris e Milão. Antes tinha sido economista no JP Morgan em Nova Iorque. Foi enquanto directora em Portugal do BPN Paribas que em 2003 declarava ao CM nunca se ter sentido discriminada na banca por ser mulher. "Nesta geração, o que vinga é a capacidade e o talento, independentemente de se ser mulher ou homem", declarou, então com 30 anos.

Foi ainda consultora do Banco Mundial em Timor-Leste (em 2004) no Banco Inter-Americano para o Desenvolvimento, estagiou na Comissão Europeia. E esteve na unidade do Plano Tecnológico, segundo um curriculum disponível na internet.

Actualmente dirige o departamento de Supervisão de Gestão de Investimento Colectivo na CMVM.

É licenciada em Economia pela Católica de Louvain (Béligca) e tem um mestrado em Princeton, nos Estados Unidos.



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mais votado JCG Há 4 dias

Visto de fora e avaliando por alguns resultados que por alguma razão tenho acompanhado mais de perto, eu diria que todos esses reguladores e supervisores, de excelência e pagos principescamente - agora, ao que parece, em processo de inversão de género; o próximo governador (a) do Banco de Portugal se calhar vai ser a Maria Elisa Ferreira - continuam, todavia, a fazer o excelente trabalho que já vinham fazendo antes.

comentários mais recentes
JCG Há 4 dias

Está em processo de decisão e resolução um caso que impacta fortemente na concorrência, no caso, no sector bancário português: a venda, eventualmente ao desbarato que é o mesmo que muito abaixo do seu valor, do Novo Banco. Já foi emitida alguma opinião ou alerta sobre o caso NB por essa excelsa autoridade? Eu não dei por nada! Eu diria que é um caso que atropela de forma absurda e até obscena as normais e legítimas condições de concorrência entre bancos. Porque, por um lado, há um operador, um novo concorrente, que adquire um ativo produtivo, com o qual vai atuar num quado concorrencial, sem ter pago o preço justo por esse ativo e, pelo outro, porque os seus concorrentes são penalizados com os prejuizos resultantes de tal venda/ operação.

AGUARDA-SE A DECLARAÇÃO DE UMA POSIÇÃO SOBRE O CASO NB PELA AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA.

KANDONGA Há 4 dias

Aliás a Corrupçao é o subestrato de eleiçao da sociedade portuguesa e por essa razao deve ser acarinhada e fomentada. Sempre foi assim, porque razao, hoje, há-de ser diferente?? O compadrio e os favores entre castas familiares está enraízado e a turba aprecia e gosta.

JCG Há 4 dias

Desculpe o abuso, mas um pequeno esclarecimento ao anónimo: em Portugal e em geral (salvo raríssimas exceções) a subida e progressão em qualquer uma das elites nacionais não tem a competência e a integridade como principal suporte e fundamento, mas outros requisitos. Aliás, a competência e a integridade pessoais são muitas vezes vistas como ameaça e impertinência. Por isso, os várias filtros que as elites vão armando nos diversos patamares da ascenção só por distração ou no caso de alguém não ter tido oportunidade de revelar a sua profunda natureza é que deixam trepar competentes e íntegros. Em sentido amplo, a sociedade portuguesa é profundamente corrupta. Quando um gestor de uma empresa promove uma funcionária porque salta-lhe (ou quer saltar) para cima ou dá emprego a um amigo isso também é corrupção. Aliás, a corrupção está de tal forma entrenhada na cultura que até parece uma coisa natural e muitos que criticam a corrupção distante e abstrata convivem bem com a corrupção próxima.

AMLG Há 4 dias

Mas haverá alguem que saiba para que serve a autoridade da concorrencia (não para o que devia servir). Suponho que saibamos todos mas pelos maus motivos ....

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