Ideias e Negócios Marias de papel conquistam Europa com mira no Japão

Marias de papel conquistam Europa com mira no Japão

O projecto da designer Cláudia Nair recicla jornais para construir bonecas artesanais que estão a ser exportadas para galerias e lojas um pouco por toda a Europa. E tem o sonho de entrar no Japão.
Marias de papel conquistam Europa com mira no Japão
Paulo Duarte
Alexandra Noronha 10 de abril de 2017 às 22:00

Para fazer uma Maria só é preciso balões, cola, jornais velhos e tinta acrílica. É com estes materiais, que se encontram em qualquer lado, que Claúdia Nair constrói as bonecas, que estão à venda já um pouco por toda a Europa.

O projecto das Marias Paperdolls nasceu em 2011 com vários sócios mas, destes, só a designer se manteve no negócio. Contando com a ajuda de Catarina Furtado, a apresentadora lançou uma colecção de Marias a promover os direitos das mulheres e a partir daí foi sempre a subir. Actualmente, tem três pessoas a trabalhar no atelier que se irá mudar de Valongo para o Porto.

Mas é nos mercados estrangeiros que está o futuro das Marias. "É difícil trabalhar para Portugal. Lá fora estou a vender em França, Itália e Espanha", referiu Cláudia Nair. As Marias estão disponíveis, sobretudo, em lojas de decoração e têm sido usadas por designers de interiores. Também já começou a trabalhar o mercado da Dinamarca. E tem um sonho. Cláudia Nair quer entrar no mercado japonês, mas tem algum receio das despesas com o transporte, mas também teme que o seu trabalho não seja bem compreendido pelo público daquele país.

Ainda neste processo internacional, a empresa esteve numa feira no Canadá, com outras duas sociedades nacionais, a Burel e a Carapau, depois de já constar por algumas vezes na parisiense Maison et Object. As Marias estão ainda em galerias belgas e lojas de decoração espanholas.

Cláudia Nair admite desconhecer os preços a que as suas peças são revendidas, mas acredita que sejam bem superiores às originais. De um preço de cerca de100 euros podem chegar aos 300 euros ao consumidor final, acredita a empresária. As Marias são sobretudo "compradas por estrangeiros" mesmo quando são vendidas em Portugal.

Cláudia Nair está sempre a fazer colecções diferentes, ainda que admita que muitos clientes queiram Marias iguais. Quando a repetição é muita, a artista entrega os trabalhos aos colaboradores e dedica-se a fazer criações novas, como a colecção de "divas da música", que incluem representações de Janis Joplin e Nina Simone, entre outras. Ainda não estão à venda porque Cláudia Nair acredita que devem "viver" um pouco antes de as comercializar.

A designer vendeu no ano passado cerca de 250 bonecas e conta este ano aumentar este volume, contando também já com o novo espaço no Porto. "Espero bem precisar de contratar mais pessoas", salientou Cláudia Nair. A artista, que utiliza nestas bonecas jornais velhos, admite que "há muita coisa ainda que se pode reciclar", para fazer as Marias do futuro. 




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