Prémios exportação & Internacionalização Metal de Barcelos “perfura” contrato nas minas cubanas

Metal de Barcelos “perfura” contrato nas minas cubanas

A Mecwide, que surgiu de herança profissional na família Palhares, acaba de conquistar um novo mercado nas Caraíbas. O grupo de metalomecânica e engenharia já nasceu exportador e soma cinco filiais espalhadas pelo mundo.
Metal de Barcelos “perfura” contrato nas minas cubanas
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António Larguesa 27 de outubro de 2017 às 12:00

O grupo Mecwide acaba de completar um projecto para uma mina de zinco em Cuba, que envolveu o fabrico, exportação e montagem de estruturas, tanques e tubagens. O contrato avaliado em seis milhões de euros foi firmado através de um cliente em Espanha, onde o grupo de Barcelos abriu há dois anos escritórios (em Sevilha e Vigo) para apoiar as actividades no país vizinho e na América Latina.

Este é o mais recente mercado externo para a empresa que se dedica à fabricação, montagem industrial e assistência técnica a projectos na área da metalomecânica, que representa 90% das vendas, vindo o resto das receitas dos serviços de engenharia e da formação. "Somos diferentes das metalomecânicas tradicionais, que fazem pontes ou estádios. O grosso da actividade está na chamada grande indústria e as áreas de minas, cimentos, petroquímica e refinarias valem cerca de 75%" do negócio, resumiu Carlos Palhares.

O engenheiro industrial de 46 anos, natural de Viana do Castelo e formado na Universidade do Porto, lidera um grupo que conta também com escritórios na Holanda e Singapura, além de protagonizar uma internacionalização de maior envergadura em mercados africanos de língua portuguesa. Primeiro em Angola, onde já prestava assistência técnica na área de "oil & gas", e a pedido dos clientes acabou por se instalar "no pior período" da crise do petróleo. Foi em 2013 e desde então tem sido "muito cauteloso" no investimento.

Em Moçambique, depois de quase dois anos de "dificuldades em entrar no mercado", percebeu que a "melhor forma" de fazê-lo seria avançar para a aquisição de uma empresa de metalomecânica que "já estivesse a operar no país, ainda que de forma diminuta". Em 2015 comprou então a MIM Moçambique, investiu numa fábrica completamente nova e está a trabalhar com "a pouca indústria" que existe naquele país, sendo "a ideia [ir] crescendo com os projectos na área da energia", atenta às "enormes reservas" de gás natural.

Empregando à volta de 400 pessoas, cerca de metade em Portugal, o grupo Mecwide é exportador desde o berço. É que, escassos três meses depois de chegar ao mercado, começou a vender os seus serviços para um projecto da EDF (Electricité de France), que procurava uma equipa de soldadores qualificados para fazer uma linha de tubagem num material específico. Gabão, Colômbia e Turquia estão na lista de perto de 30 países onde já realizou projectos, tendo actualmente destacadas equipas no Luxemburgo, Bélgica, França ou Suíça, exemplificou o gestor minhoto.

Abrir capital e horizontes

Depois de passar pela Yazaki Portugal e pela Simoldes Plásticos, foi em 2004 que Carlos Palhares se estreou como empresário com uma quota numa empresa de peças para automóveis. Passados cinco anos, avançou com este empreendimento na metalomecânica, sector em que o pai Alberto tinha trabalhado toda a vida - e em que o ajudou, ao nível da formação, antes de ir para a reforma. Em 2013 decidiu abrir o capital à Inter-Risco, ficando esta sociedade de "private equity" com uma participação de 51%.

A menos de três meses de fechar o exercício, o líder da Mecwide estima que o volume de negócios do grupo vai ascender a 34 milhões de euros em 2017, facturando dois terços desse valor no estrangeiro. Desafiado a dar lições sobre as operações fora de portas, Carlos Palhares deixa dois conselhos: entregar a gestão das filiais no estrangeiro a quadros locais - "a questão cultural tem muita influência nos negócios" - e "avaliar muito bem os recursos internos e externos, humanos e financeiros", antes de tomar decisões. "Não basta ganhar uma obra, é preciso pensar nos recursos que conseguem mobilizar para esse projecto para poder passar a cultura e os processos da empresa e para cumprir os prazos e os requisitos" do contrato, completou.

Fábrica a Norte depois de Sines

O grupo Mecwide está "a pensar criar uma nova unidade fabril no Norte do país", disse ao Negócios o presidente executivo, que está actualmente a trabalhar no plano de investimentos de médio e longo prazo, para vigorar até 2022. "Já iniciámos a produção em Barcelos, mas fabricamos em instalações alugadas. Estamos a pensar numa nova área para os escritórios centrais e para esta fábrica", apontou Carlos Palhares, reconhecendo que está a ter "dificuldades" para encontrar terrenos disponíveis e a preço razoável para se manter no concelho barcelense. A concretizar-se, esta será a segunda unidade própria do grupo em território nacional, depois de em 2014, já com a participação do novo accionista da Inter-Risco, ter adquirido 80% da Setrova, uma unidade de fabricação metalomecânica fundada em 1983, "estrategicamente localizada na zona industrial de Sines, junto do porto e das principais unidades petroquímicas do país", recordou o empresário.




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