Banca & Finanças Monte dei Paschi afundou 11% com aumento de capital em risco de falhar

Monte dei Paschi afundou 11% com aumento de capital em risco de falhar

Depois de o fundo Atlante ter revelado "fortes reservas" quanto às possibilidades de sucesso de uma das partes do processo de recapitalização do Monte dei Paschi, os títulos da instituição afundaram 11%.
Monte dei Paschi afundou 11% com aumento de capital em risco de falhar
Reuters
David Santiago 19 de dezembro de 2016 às 19:32

As acções do Banca Monte dei Paschi di Siena fecharam a sessão bolsista desta segunda-feira, 19 de Dezembro, a afundar 11,04% para 18,62 euros, num dia em que chegaram mesmo a recuar perto de 12,5%. Esta segunda-feira assinalava também o início do plano de recapitalização do Monte dei Paschi, cujo objectivo passa por assegurar um reforço de capital de 5 mil milhões de euros através de um processo dividido em três fases.

 

Contudo, no sábado passado a gestão do fundo Atlante - veículo constituído para a recapitalização da banca italiana através da compra do crédito malparado – revelou deter "fortes reservas" quando às possibilidades de sucesso de uma daquelas três fases, designadamente a que passa pela compra, por parte deste veículo, de créditos titularizados. 

 

Foi o próprio Monte dei Paschi a revelar esta segunda-feira que está a tentar encontrar uma solução junto do Quaestio Capital Management - responsável pela gestão do fundo Atlante - garantindo de seguida que se não for ultrapassada esta questão será impossível cumprir a meta estipulada pelas regras europeias para a conclusão da recapitalização. O que significa que o banco teme que o insucesso desta fase coloque em causa todo o plano de capitalização.

 

No seguimento da crise política desencadeada em Itália com o resultado do referendo constitucional, o Monte dei Paschi pediu ao Banco Central Europeu (BCE) o dilatamento do prazo para a conclusão da recapitalização, contudo este pedido foi rejeitado pela autoridade monetária europeia.

 

O tempo está a correr contra o Monte dei Paschi, o terceiro maior do sistema italiano e o banco mais antigo do mundo ainda em actividade. A venda de títulos aos clientes de retalho termina na quarta-feira, para no dia seguinte acabar o prazo para a compra por parte dos investidores institucionais. O Atlante duvida em concreto da parte do plano que implica que este veículo compre créditos titularizados no valor de 1,5 mil milhões de euros. Desde o início deste ano o Monte dei Paschi já perdeu praticamente 85% do seu valor em bolsa.

 

Se falhar este plano, o Governo transalpino terá de avançar com a injecção de dinheiros públicos para salvar o banco (bailout), o que implicaria perdas para obrigacionistas e grandes depositantes.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub