Banca & Finanças Montepio dá luz verde a preço da OPA da mutualista

Montepio dá luz verde a preço da OPA da mutualista

José Félix Morgado considera que o preço da oferta de compra da associação mutualista contempla "de modo relevante os interesses" dos minoritários do fundo. E não vê repercussões da OPA nos trabalhadores.
Montepio dá luz verde a preço da OPA da mutualista
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 31 de julho de 2017 às 17:55

A Caixa Económica Montepio Geral vê com bons olhos a oferta pública de aquisição lançada ao seu fundo de participação pela Montepio Geral – Associação Mutualista. No documento, são vários os elogios da entidade presidida por José Félix Morgado à associação sob o comando de António Tomás Correia.

 

"O conselho de administração executivo é de opinião que o preço da oferta se encontra num intervalo de valorização da entidade visada que se considera contemplar de modo relevante os interesses dos destinatários da oferta", indica o relatório divulgado esta segunda-feira, 31 de Julho, respeitando uma obrigatoriedade legal em todas as OPA.

 

O pedido de registo da operação junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) foi promovido na semana passada, e nessa mesma altura a administração da sociedade visada tem de se pronunciar. Nesse relatório, a equipa de José Félix Morgado considera como "amigável" a OPA da mutualista ao seu fundo – na prática, a oferta é apenas sobre 21,6% do fundo de participação, uma vez que a restante participação está já sob controlo da associação liderada por Tomás Correia.

 

Nas suas considerações, a caixa económica defende que os interesses dos minoritários estão assegurados porque há um "tratamento equitativo", tendo em conta que podem alienar as unidades de participação ao preço de subscrição, "bem como ao valor nominal das acções a que as referidas unidades de participação corresponderão na sequência da transformação da Caixa Económica Montepio Geral em sociedade anónima".

 

As unidades foram admitidas em 2013 a valer 1 euro, preço a que nunca negociaram desde essa altura e até ao anúncio da OPA, já este mês. Com a transformação em sociedade anónima determinada pelo Banco de Portugal, a caixa económica passa a ter capital representado por acções, o que obriga à extinção do fundo de participação. Segundo o documento, tal passará pela conversão das unidades em acções, que valerão 1 euro.

 

Impacto na liquidez das unidades

 

Além desta indicação, a administração de José Félix Morgado relembra que o preço da OPA representa um prémio de mais do dobro da cotação imediatamente anterior ao anúncio (1 euro face aos 0,497 euros a que negociavam). A OPA é voluntária e, mesmo que fosse obrigatória, teria um preço superior ao mínimo exigido, sublinha a equipa.

 

No relatório, o conselho de administração executivo do Montepio refere que a oferta poderá trazer "implicações para a liquidez das unidades de participação", já que a associação admite vir a promover o mecanismo de perda da qualidade de sociedade aberta, além de querer adquirir, por outras formas, unidades de participação sobrantes. "A implementação de qualquer dos mecanismos poderá, na medida que for aplicável, ter um impacto adverso na posição dos detentores das unidades de participação que decidam não aceitar a oferta".

 

"O conselho de administração executivo recomenda que cada um dos detentores de unidades de participação tome a sua decisão individual quanto à aceitação, ou não aceitação, da oferta em função da análise dos seus próprios interesses e objectivos, designadamente, horizonte temporal de investimento e conveniência de realização de liquidez", sintetiza o relatório. 

Como ocorre nestes documentos, os administradores executivos que detenham títulos têm de dar a divulgar a sua intenção de venda ou não das unidades. Luís Almeida é o único elemento que tem unidades nas suas mãos e ainda não decidiu se vai vender ou não as suas 45.190 unidades. Se vender todas, poderá encaixar 45.190 euros.

 

Elogios à mutualista

 

Apesar da divisão institucional que tem separado as lideranças de Tomás Correia, na mutualista, e de Félix Morgado, na caixa económica, o relatório contém vários elogios desta última à primeira, que a controla. Além da qualificação da OPA como amigável, a equipa de Félix Morgado dá uma "apreciação positiva" à continuidade à actividade e estratégia que a mutualista pretende seguir no pós-oferta. 

 

"O conselho de administração executivo não antecipa qualquer impacto negativo da oferta na execução do plano de negócios", aponta o documento divulgado no último dia de Julho.

 

Da mesma forma, a equipa de gestão da caixa "não antecipa qualquer impacto negativo da oferta sobre os interesses dos trabalhadores da Caixa Económica Montepio Geral".

 

(notícia actualizada às 18:30 com mais informações)




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