Banca & Finanças Montepio desfaz-se de 581 milhões em crédito malparado

Montepio desfaz-se de 581 milhões em crédito malparado

A caixa económica do Montepio colocou 581 milhões de euros de créditos em incumprimento em investidores institucionais. José Félix Morgado tinha referido a intenção de alienar uma carteira de 750 milhões até ao final do ano.
Montepio desfaz-se de 581 milhões em crédito malparado
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 06 de novembro de 2017 às 18:38

O Montepio desfez-se de 581 milhões de euros em crédito em incumprimento. Para isso, foi constituído um veículo que adquiriu aqueles contratos e que os agregou em diferentes parcelas. O veículo emitiu títulos de dívida, que foram adquiridos por investidores institucionais. 

 

"A Caixa Económica Montepio Geral informa que procedeu à colocação, em condições competitivas, de uma carteira de créditos em incumprimento no valor total de 580.574.172 euros", assinala um comunicado publicado pela instituição financeira no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

O presidente executivo, José Félix Morgado (na foto), tinha, em Outubro, revelado ao Negócios a intenção de proceder à venda de 750 milhões de euros em crédito malparado.

 

Segundo uma outra nota à comunicação social, o Montepio explica que a transacção, designada de "Evora Finance NPL" foi a primeira operação de titularização de crédito malparado na Península Ibérica "e a primeira ‘pós-crise’ na Europa do Sul, sem qualquer recurso a suporte e/ou garantias do Estado". Em Itália, foram realizadas operações deste género, mas beneficiando da garantia estatal. Ou seja, a garantia dos títulos emitidos serão, à partida, os créditos transferidos.

 

Foi o JPMorgan que estruturou a operação e que colocou os títulos de dívida emitidos. Na prática, há a transmissão dos créditos em incumprimento para o veículo constituído, a sua agregação em carteiras, e depois a emissão de obrigações. Transforma-se activos com pouco espaço para alienar (os créditos em dificuldade) por títulos líquidos (as obrigações). Estas obrigações foram alvo de notações de risco pela Moody’s e pela DBRS, sendo que a tranche sénior (a que tem prioridade na recuperação) teve uma classificação de risco de investimento.

 

"A desagregação do risco da carteira em diferentes categorias permitiu, ainda, atrair um conjunto mais heterogéneo de investidores", considera a entidade presidida por Félix Morgado, que acrescenta que houve mais de 50 interessados na aquisição dos títulos.

 

Para a caixa económica, que pertence aos mutualistas do Montepio, esta operação passa pela redução do peso do malparado, uma das suas exigências inscritas no plano estratégico 2016-2018, em que está obrigada a reduzir activos não estratégicos. Além disso, esta operação corresponde a uma ida ao mercado, depois de ter também colocado 750 milhões de euros em obrigações hipotecárias.




A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado JCG Há 1 semana

O próprio título da notícia é confusionista. Na realidade, e SE&O, o banco Montepio não se desfaz de uma carteira de crédito mal parado no montante de 580 milhões de euros, mas, antes, da parte boa, porque supostamente recuperável (eventualmente porque tem garantias substanciais), de uma carteira de crédito com perdas parciais prováveis. Ou seja, os 580 milhões já deve ser o valor líquido de balanço de um montante nominal muito superior, o qual já foi deduzido pela constituição de provisões (que devem reflectir a parte do crédito efetivamente considerada não recuperável).

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Estes Activos são vendidos por mais da metade do preço, parte dos incobrados já foram provisionados no passado e não vai aparecer como perdas, que na realidade o foram em exercícios passados ...não conheço a operação sou eu a especular.
Ele deveria era mostrar quem aprovou esses créditos duvidosos.

JCG Há 1 semana

Vejo tipos com ar de quem parece saber alguma coisa da matéria afirmar que todas estas movimentações de crânios - os gestores: os novos senhores feudais deste neo-feudalismo - são cozinhadas por organizações como a maçonaria e a opus dei. Na verdade essas organizações, ao que parece, têm como fim último dominar o mundo e hoje em dia que tem o poder efectivo é a casta dos gestores que funcionam em casta e tratam de maximizar os ganhos da casta. Assim, não percebendo eu nada de maçónicos ou de copus gueis, tenho de admitir quer possa haver esses centros organizados de manobrismo por detrás dos biombos.

JCG Há 1 semana

O próprio título da notícia é confusionista. Na realidade, e SE&O, o banco Montepio não se desfaz de uma carteira de crédito mal parado no montante de 580 milhões de euros, mas, antes, da parte boa, porque supostamente recuperável (eventualmente porque tem garantias substanciais), de uma carteira de crédito com perdas parciais prováveis. Ou seja, os 580 milhões já deve ser o valor líquido de balanço de um montante nominal muito superior, o qual já foi deduzido pela constituição de provisões (que devem reflectir a parte do crédito efetivamente considerada não recuperável).

J. SILVA Há 1 semana

A pulhice que o bandido do Morgado promoveu na INAPA através dum aumento de capital por ações preferenciais, delapidando o património dos pequenos e médios acionistas, e agora içado a CEO do Montepio, dá bem a ideia da falta de escrúpulos a que chegou a nomeação dos gestores e nisso o GBP é mestre.

pub