Banca & Finanças Montepio "não" está a abrir o capital a privados

Montepio "não" está a abrir o capital a privados

A caixa económica do Montepio defende que a alteração de estatutos que será decidida na próxima semana é apenas uma consequência da legislação. Não há intenção de dispersar capital. Essa decisão seria da mutualista.
Montepio "não" está a abrir o capital a privados
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 17 de Novembro de 2016 às 21:12

O Montepio não está a abrir o seu capital a privados. A alteração dos estatutos da caixa económica, que a vai transformar em sociedade anónima, não tem esse objectivo, considera a instituição financeira.

 

A assembleia-geral da próxima terça-feira, 22 de Novembro, tem como ponto único a modificação dos estatutos, o que a caixa justifica como a "a implementação do quadro regulamentar das caixas económicas introduzido pelo Decreto-Lei n.º 190/2015 de 10 de Setembro, com o objectivo único de assegurar os requisitos legais necessários ao cumprimento do regime jurídico aplicável à CEMG".

 

Segundo ressalva a instituição em comunicado, esta alteração "não se insere em qualquer processo de abertura de capital da instituição, a qual dependerá da aprovação do Montepio Geral - Associação Mutualista".

 

A caixa económica é totalmente detida pela associação mutualista mas o regime jurídico implementado ainda pelo Governo anterior obriga à sua transformação em sociedade anónima, o que significa que o capital passará a ser representado por acções e, por isso, poderá mudar de mãos. 

 

À luz da legislação, só uma parte do capital pode mudar: a mutualista tem sempre de ser maioritária, mas poderá sempre optar por dispersar posições minoritárias por accionistas. O que é possível a partir da alteração de estatutos, conforme o Negócios deu conta a 7 de Novembro. A caixa lembra que tal só pode acontecer se for decidido pela associação mutualista.

 

A consideração do Montepio é feita no comunicado de divulgação de contas dos primeiros nove meses do ano onde o Montepio apresentou um prejuízo de 67,5 milhões de euros ainda que tendo um lucro trimestral de 114 mil euros entre Julho e Setembro.




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

2.Os bancos têm a obrigação de ir injetando recursos no fundo de pensões em função do valor das responsabilidades que são recalculdas periodicamente e do valor (valoração) atribuido aos ativos do fundo.
Teoricamente, a sociedade gestora devia ser independente do banco, mas não é. Há dois valores incidentes no fundo (o do fundo e o das responsabilidades) que são de cálculo muito contingente e especulativo e até com parâmetros arbitados.
Quem é que garante e supervisiona o rigor (e não manipulação) desses cálculos e que se um banco estoirar não ficarão largos milhares de indivíduos sem pensão de reforma? É conhecida a competência e a confiança de supervisores como o Banco de Portugal e o Instituto de Seguros. De sindicatos e comissões de trabalhadores nada há a esperar, o assunto passa-lhe ao lado e entretanto tornaram-se em antros de oportunistas, tendo perdido de vista, há muito, o sentido da sua função.

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

1.E os fundos de pensões dos bancos?
Durante muitos anos, os bancos pagavam diretamente as pensões de reforma aos seus ex-funcionários que íam passando à reforma.
Depois, os bancos foram obrigados a criar fundos de pensões, os quais foram “concessionados” a sociedades gestoras para fazerem a sua gestão.
Em 2011 todos os bancários foram inscritos na Segurança Social, mas esta só vai pagar pensões de reforma com base nas contribuições entradas a partir dessa data.
Trabalhadores que tinham idade mais avançada pouco receberão da SS, sendo o fundo de pensões do banco que supostamente lhe vai pagar grande parte da pensão.
Um fundo de pensões é uma entidade jurídica que consiste numa carteira de ativos / valores / património (dinheiro, títulos, imóveis, etc.), tendo por finalidade cobrir responsabilidades pré-definidas para com um conjunto de indivíduos (que são sintetizadas num valor/ montante atual calculado de responsabilidadas).

Anónimo Há 2 semanas

2.Os bancos têm a obrigação de ir injetando recursos no fundo de pensões em função do valor das responsabilidades que são recalculdas periodicamente e do valor (valoração) atribuido aos ativos do fundo.
Teoricamente, a sociedade gestora devia ser independente do banco, mas não é. Há dois valores incidentes no fundo (o do fundo e o das responsabilidades) que são de cálculo muito contingente e especulativo e até com parâmetros arbitados.
Quem é que garante e supervisiona o rigor (e não manipulação) desses cálculos e que se um banco estoirar não ficarão largos milhares de indivíduos sem pensão de reforma? É conhecida a competência e a confiança de supervisores como o Banco de Portugal e o Instituto de Seguros. De sindicatos e comissões de trabalhadores nada há a esperar, o assunto passa-lhe ao lado e entretanto tornaram-se em antros de oportunistas, tendo perdido de vista, há muito, o sentido da sua função.

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