Banca & Finanças Montepio paga 1,9 milhões à administração em 2016

Montepio paga 1,9 milhões à administração em 2016

O presidente executivo do Montepio, José Félix Morgado, auferiu uma remuneração anual de 401 mil euros, 58% acima do que recebeu cada um dos restantes gestores executivos. Não houve remunerações variáveis.
Montepio paga 1,9 milhões à administração em 2016
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 02 de agosto de 2017 às 19:26

O Montepio pagou 1,9 milhões de euros ao seu conselho de administração executivo em 2016. José Félix Morgado, o presidente do órgão, foi quem mais recebeu, um montante que está 58% acima do que recebe cada um dos restantes administradores, de acordo com o relatório de governo de sociedade divulgado esta quarta-feira, 2 de Agosto.

 

A remuneração fixa de José Félix Morgado foi de 401 mil euros anuais no ano passado, o que distribuído por 14 meses resulta em 28,7 mil euros mensais. No ano anterior, o antigo presidente da Inapa recebera 159 mil euros, mas apenas porque só em Agosto entrou em funções, para o lugar anteriormente ocupado por António Tomás Correia.

 

Na equipa de Félix Morgado na Caixa Económica Montepio Geral, os restantes seis administradores executivos receberam 254 mil euros anuais, cada um, em 2016. João Cunha Neves, que transitou da equipa de Tomás Correia, manteve o mesmo valor recebido no ano anterior.

 

Todas estas são remunerações fixas, já que não foram atribuídos nem prémios nem valores variáveis. A caixa económica, detida pela Montepio Geral – Associação Mutualista, registou prejuízos de 86,5 milhões em 2016.

Os montantes pagos são independentes da assiduidade nas reuniões do conselho de administração executivo, que se reuniu 110 vezes no ano passado. Luís de Jesus, com o pelouro da direcção de risco, esteve presente em 104 reuniões e foi o mais assíduo; Félix Morgado, com 89 presenças, o menos.

 

No conselho geral e de supervisão, o presidente Álvaro Pinto Correia recebeu, com retroactivos a Outubro de 2015, um total de 304 mil euros, sendo que os restantes oito membros auferiram 70 mil euros anuais.

 

Ainda em relação a remunerações, a revisora externa KGPM recebeu 3,78 milhões de euros do Montepio, tanto em serviços de auditoria como também distintos de auditoria. O valor compara com os 3,68 milhões pagos no ano anterior. 

O Montepio prepara-se para deixar de estar exposto às oscilações bolsistas. O fundo de participação da caixa económica, cotado em bolsa, encontra-se sob oferta pública de aquisição lançada pela mutualista do Montepio, aguardando-se o registo da operação junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A operação pretende facilitar o eventual investimento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e de outras entidades na caixa. 




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comentários mais recentes
J. SILVA 03.08.2017

O Morgado é um "bandido" legalizado, faz parte duma corja nauseabunda. Andou anos na INAPA a definir objetivos que nunca cumpriu, destruiu poupanças de milhares e pessoas e ainda tem a puta da lata de declarar que recuperou a INAPA. Pertence à escola do BCP, aliás era o AMADO que o designava. PORCOS

J. SILVA 03.08.2017

Este Morgado é um perigo :(i) Esteve na INAPA desde 2008, os acionistas fizeram uma injeção de 150 Milhões € e a cotação passou de 1,3€ para perto de 10cts;(ii)- fez uma aumento de capital de ações preferenciais em prejuízo(estoirando) dos acionistas ordinários(iii)- Recebia perto de 500 000€ /ano

JCG 03.08.2017

1/3_ Os bancos podem ter acumulado prejuízos brutais nos últimos anos. Podem continuar a apresentar prejuízos ou lucros miseráveis relativamente aos capitais próprios. Podem ter desbarato os capitais lá aplicados pelos acionistas depauperando-lhes o seu património. Podem, no caso da Caixa do Montepio, ter andado nos últimos anos a desbaratar o património do seu acionista que é o Montepio – Ass. Mutualista, uma IPSS, sugando-lhe capital reiteradamente e invertendo uma relação lógica inicial que era a de que o banco do Montepio iria gerar lucros para remunerar o investimento feito pela Associação Mutualista e assim melhorar os benefícios dos seus associados, mas, uma coisa é certa: para os baronetes que vagueiam e ou se instalaram nas cúpulas dirigentes dos bancos, mesmo os que por incompetência ou corrupção geraram buracos de centenas ou milhares de milhões, tudo continuou a evoluir às mil maravilhas, acumulando remunerações principescas e obscenas e enriquecendo o seu património.

JCG 03.08.2017

2/3_ No caso da Caixa do Montepio, não só as remunerações dos predidentes (e também dos outros membros) do CAE e do CGS são claramente excessivas, como é absurdo o diferencial de ganhos face aos seus pares nos respectivos órgão. Sabem quem é que preside à comissão de vencimentos que definiu estas remunerações para esta rapaziada? É exactamente o presidente do CGS, ou seja, são em rigor eles próprios que decidem quanto é que querem ganhar. Acham isto aceitável? Curiosamente, os referidos presidentes, José Félix Morgado e Álvaro Pinto Correia, devem ser amigos chegados pois, pelo menos, vieram ambos da INAPA. O Sr. APC é um cidadão que terá uns 80 e tal anos. Deve passar pelo Montepio de vez em quando e em troca recebe 304 mil euros. Mais de 25 mil euros por mês. Como diria o outro, porreiro, pá!

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