Banca & Finanças Montepio pode sair de bolsa em 2018

Montepio pode sair de bolsa em 2018

A passagem do Montepio a sociedade anónima terá implicações no fundo de participação, cujas unidades estão cotadas na bolsa e integram o PSI-20. A partir de Março de 2018, o fundo vai acabar, através do reembolso aos seus titulares ou com a conversão em acções.
Montepio pode sair de bolsa em 2018
Pedro Elias
Diogo Cavaleiro 14 de dezembro de 2016 às 14:30

A permanência das unidades de participação do Montepio na Bolsa de Lisboa pode ter os dias contados. Esta é uma consequência da transformação da caixa económica em sociedade anónima. A partir de Abril de 2018, há duas hipóteses pela frente para o fundo de participação, cujas unidades estão cotadas no mercado nacional: ou é amortizado, com o reembolso aos titulares; ou é convertido em capital social, isto é, quem detém unidades do fundo de participação passa a deter acções do Montepio.

 

Um dos pontos que se decidiu na assembleia-geral extraordinária iniciada a 22 de Novembro que continuou esta terça-feira, 13 de Dezembro, (e que foi suspensa, tendo novos trabalhos agendados para 6 de Janeiro), foi a de "que se mantenha, até ao fim do primeiro trimestre de 2018, o fundo de participação tal como existe e se encontra previsto nos estatutos, deliberando-se, então, a sua amortização ou a sua conversão em capital social nos termos e condições que oportunamente forem deliberados".

 

As unidades do fundo participação do Montepio, que integram o principal índice de referência da Bolsa de Lisboa, estão admitidas à negociação desde a sua criação, em Dezembro de 2013. Tudo ficará assim até Março de 2018. Nessa altura, haverá a decisão sobre como se resolve o futuro do fundo, sendo que no comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, são avançadas duas opções: a amortização "ou" a conversão em acções, em condições não definidas.

 

Neste momento, estas unidades de participação não conferem qualquer direito de voto aos seus titulares e também não atribuem qualquer remuneração, já que esta varia consoante os resultados da caixa económica e, desde que existem as unidades, os resultados têm sido negativos. A evolução em bolsa destes títulos não tem sido favorável: admitidos a 1 euro cada, as unidades valem esta quarta-feira 42,9 cêntimos (recuam 3,16% face a terça-feira). O maior titular de unidades de participação é a própria associação mutualista do Montepio e os dois investidores que detinham posições superiores a 2%, Paulo Guilherme (filho de José Guilherme) e Eurico de Brito, venderam unidades nos últimos meses. Se para os investidores estas unidades não têm dado remuneração, para o Montepio o fundo serviu para reforçar a sua solidez de capital.

 

A alteração a prazo das condições do fundo de participação foi determinada na assembleia-geral que concluiu a obrigatoriedade de transformação da caixa económica em sociedade anónima. O capital social de 1,77 mil milhões de euros passará a ser representado por 1,77 mil milhões de acções, com um valor nominal de 1 euro. Todas as acções serão averbadas à associação mutualista Montepio Geral, dona da caixa económica. Ou seja, esta será a única dona da sociedade. 


O novo regime jurídico das caixas económicas, que obriga a esta transformação em sociedade anónima, admite, no entanto, a entrada de accionistas minoritários nestas entidades. Apesar disso, tanto a caixa económica, liderada por Félix Morgado, como a associação mutualista, sob o comando de António Tomás Correia, têm dito que essa não é uma perspectiva futura. Contudo, a hipótese de conversão das unidades do fundo de participação em capital social abre margem à entrada de accionistas no Montepio. Qualquer alteração deste género depende sempre da aprovação dentro da caixa económica, dentro da associação mutualista e também do aval dos reguladores (foi, aliás, o Banco de Portugal que ditou a transformação da caixa económica em sociedade anónima).

Unidades caem mais de 50% desde admissão em bolsa:
 

























(No segundo parágrafo: altera-se 13 de Novembro para 13 de Dezembro)






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mais votado Anónimo 14.12.2016

(4/4)_No meu entender, o BdP, se determinou efetivamente a passagem da Caixa do Montepio a SA, e gostava de ver tal confirmação, não o devia ter feito nem permitido, antes de que a lei sobre a governação das associações mutualistas seja atualizada e que seja devidamente prevista e acautelada a repercussão e transmissão efetiva dos legítimos interesses dos associados da casa mãe em eventuais empresas participadas. De contrário, tudo isto entra em roda livre e estas organizações tornam-se manjedouras douradas de pasto para quem abancou no poder e se serve não como se aquilo fosse dele mas antes como se aquilo não fosse de ninguém. Vejam quem é que constitui as comissões de remuneração dos corpos sociais. É isso mesmo: os tipos dicidem entre si quanto é que querem sacar. Mesmo enquanto conduziam o grupo para o descalabro financeiro e de exploração, foram-se servindo principescamente.

comentários mais recentes
Ventura Santos 14.12.2016

Será que no Montepio também haverá um camarada Tomé para criar um paraquedas numa ilha das Caraíbas antes do afundamento ?

Anónimo 14.12.2016

(1/4)_O Decreto-Lei relacionado com esta questão o que diz é que as novas caixas económicas bancárias têm de assumir a forma de sociedades anónimas, mas para as existentes, como é o caso da Caixa do Montepio, tal não seria automático, mas apenas poderia haver uma posterior decisão do Banco de Portugal nesse sentido, ou seja, seria algo contingente ou facultativo.
Se dizem agora que o Banco de Portugal impôs a transformação, então é de supor, dado o prescrito no DL, que o Banco de Portugal tenha apresentado alguma argumentação nesse sentido, pois é de supor que estas coisas não são determinadas pela ereção mictória matinal do governador, que aliás vem fazendo um excelente trabalho. Então eu gostava de ver essa argumentação. A menos que seja tuto treta.
Mas se houve mesmo tal decisão, eu diria que é mais um passo na linha da governação irresponsável de tal organização que nós sustentamos a filetes de ouro.

Anónimo 14.12.2016

(2/4)_Porquê? Porque há no grupo Montepio (tal como em organizações similares em que há uma casa mâe com o formato jurídico de associação) um problema sério com o poder legítimo que é suposto estar atribuído às assembleias gerais (AG) de associados. Com a evolução destas coisas, tais AG tornaram-se em farsas, o poder total nas organizações foi capturado por grupos de indivíduos que se instalaram e se isto já é assim na casa mãe então imagine-se o que se passa com as empresas em que a casa mãe participa no capital, no todo ou em parte.
Nas AG dessas empresas participadas (como é agora o caso da Caixa do Montepio) quem é que representa os legítimos intereses do acionista, que mandato tem e de quem o recebeu quem participa nessas AG em nome do acionista.

Anónimo 14.12.2016

(3/4)_ No caso da Caixa do Montepio, as AG têm constituidas por 23 indivíduos, desses, 20 ou 21, são apenas números pois foram eleitos na lista do presidente da administração da associação em exercício. Mas ainda há uma remota hipótese de haver opiniões e atenções diversificadas e algum controlo. Com a passagem a SA, suponho que aparecerá na AG da Caixa um indivíduo; um só indivíduo com um mandato supostamente conferido pela administração da Associação Mutualista. Imagine-se o quanto tal singular cidadão poderá estar distante do mais de meio milhão de associados da Associação. Pergunta-se: que interesses serão expressos nesta arquitetura organizacional?

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