Banca & Finanças Montepio tem de assegurar "alinhamento estratégico" com mutualismo

Montepio tem de assegurar "alinhamento estratégico" com mutualismo

Além de aprovar o plano de acção e orçamento para 2017, a assembleia-geral da caixa económica pediu à administração de Félix Morgado para participar na constituição de um novo agrupamento de empresas no grupo.
Montepio tem de assegurar "alinhamento estratégico" com mutualismo
Pedro Elias
Diogo Cavaleiro 30 de dezembro de 2016 às 07:54

O Montepio deve garantir que cumpre os objectivos do mutualismo. Foi isso que pediu a assembleia-geral da caixa económica, composta por elementos da associação mutualista. 

 

Em assembleia-geral realizada esta quarta-feira, 28 de Dezembro, este órgão aprovou, por unanimidade, "recomendar" ao conselho de administração executivo da caixa económica, encabeçado por José Félix Morgado, a "introdução de medidas complementares que permitam assegurar o alinhamento estratégico da caixa económica com as finalidades mutualistas do Grupo Montepio". 


Não são dados exemplos específicos de quais as medidas que visam cumprir tais objectivos mas é dado um prazo para a sua implementação: 15 de Janeiro de 2017. A "inclusão dos objectivos comerciais para 2017, respeitantes à actividade associativa do Montepio Geral Associação Mutualista (MGAM)" é outra das recomendações deixadas e divulgadas esta quinta-feira, 29 de Dezembro, em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

As recomendações são deixadas pela assembleia-geral da caixa económica, órgão que é composto pelos membros do conselho geral da mutualista (que inclui membros da mesa da assembleia-geral, da administração, do conselho fiscal e de associados desta última). Na reunião de quarta-feira, "estiveram presentes 25 dos 26 membros deste órgão social, tendo a única ausência sido justificada".


A ligação entre as duas entidades – a mutualista detém a caixa económica – é ainda intensificada segundo as recomendações deixadas porque a casa-mãe, liderada por António Tomás Correia, quer constituir o Montepio Serviços, um agrupamento complementar de empresas dentro do grupo, e pretende que a caixa económica participe no seu capital.

 

Na estrutura do grupo mutualista, há já outros agrupamentos complementares de empresas (ACE) como a Montepio Gestão de Activos Imobiliários. "Seguindo os princípios da criação de ACE’s no Grupo Montepio, em que o MGAM assume a maioria do capital e garante o equilíbrio de relacionamento na prossecução nos interesses do Grupo Montepio, a CEMG providenciará no sentido de apresentar uma proposta a submeter à deliberação da Assembleia Geral, da participação no Montepio Serviços, ACE", assinala o comunicado à CMVM. Ou seja, a entidade presidida por Tomás Correia assegura a maioria do capital sendo que a caixa económica deverá propor, até 15 de Janeiro, qual a posição com que pretende ficar.

 

A caixa económica está em processo de transformação em sociedade anónima, com o capital a passar a estar representado por acções, mas a mutualista já veio a público defender que não faz parte da sua intenção deixar de deter a totalidade do capital (o regime jurídico em vigor abre as portas a que uma minoria do capital possa ser disperso).

 

Além das recomendações deixadas, a assembleia-geral de quarta-feira aprovou, "por unanimidade", o plano de acção e orçamento para 2017 apresentado pela administração de Félix Morgado, que falava também numa "alocação justa dos custos e benefícios entre a caixa económica e a associação mutualista". 

Entretanto, esta quinta-feira foi confirmado que há um novo acordo de empresa na instituição financeira que visa o congelamento salarial por dois anos mas a garantia de não recurso ao despedimento colectivo até ao final do próximo ano. 




A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 30.12.2016

Para não dar que falar e antes que seja tarde,fechem-no, prendam os culpados e acabou-se o assunto. Corruptos pildra e mais nada: Palavras para quê, roubou ou desviou justiça a funcionar

JCG 30.12.2016

(i/5)_No que respeita ao conteúdo do escrito, se ele é razoavelmente rigoroso com o que foi dito e decidido em tal assembleia geral da Caixa do Montepio (que até onde vai o meu conhecimento, é constituida por 23 elementos), o que se tira é confusão, mãos trocadas, falta de rigor nos conceitos e nos posicionamentos, o que refletirá, em simultâneo, quer a mera incompetência na compreensão do que está em jogo – défice de pensamento claro e fundamentado - quer o propósito de confundir para reinar.
Vejamos partes fulcrais do escrito: “Montepio (querendo dizer Caixa) tem de assegurar "alinhamento estratégico" com mutualismo...O Montepio deve garantir que cumpre os objectivos do mutualismo. Foi isso que pediu a assembleia-geral da caixa económica,...Em assembleia-geral realizada esta quarta-feira, 28 de Dezembro, este órgão aprovou, por unanimidade, "recomendar" ao conselho de administração executivo da caixa económica, encabeçado por José Félix Morgado,

JCG 30.12.2016

(ii/5)_a "introdução de medidas complementares que permitam assegurar o alinhamento estratégico da caixa económica com as finalidades mutualistas do Grupo Montepio".”
Alinhar o quê com o quê e de quem com quem?
Bom, quem deve cumprir os objetivos ou fins do mutualismo é o Montepio Geral – Associação Mutualista (MG-AM), porque é essa a entidade que é uma associação mutualista, o que, como é óbvio, destina-se a perseguir objetivos ditos ou considerados mutualistas.
A Caixa ou banco do Montepio é uma instituição financeira que, no plano do posicionamento e da atuação comercial, opera ou deve operar como qualquer outro banco e concorre com os 30 ou 40 bancos autorizados a operar no mercado português.

JCG 30.12.2016

(iii/5)_Ora a melhor forma de a Caixa do Montepio ajudar o MG-AM a cumprir os seus fins mutualistas é sendo rentável (não andar a vampirizar os recursos da casa-mãe) e podendo remunerar adequadamente o dinheiro/ investimento que a casa-mãe lhe injetou. Para isso, tem de ser gerida com competência efetiva e tem de ser eficiente.
Como é óbvio, sendo a Caixa propriedade do MG-AM, o acionista ou similar MG-AM é que é o dono da Caixa – não são os gestores contratados para gerir a Caixa ou o Banco de Portugal – e, consequentemente, de acordo com os princípios do direito de propriedade comuns na sociedade em que vivemos, que não deve alienar, sendo que esse direito é veiculado pelos membros da assembleia geral reunidos (ainda que tal AG mereça sérias reservas pela sua constituição e representatividade), o proprietário/ acionista contrata gestores para gerir o negócio / Caixa, mas tal não se deve nem pode entender como a concessão de carta branca ou algo do género.

ver mais comentários
pub