Banca & Finanças Moody’s: Aumento de capital é positivo mas desafio do malparado permanece

Moody’s: Aumento de capital é positivo mas desafio do malparado permanece

Juntando crédito e imobiliário, os activos problemáticos do Montepio chegam a quase 28% do total, tendo em conta as regras da EBA, assinala a agência de notação financeira.
Moody’s: Aumento de capital é positivo mas desafio do malparado permanece
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 10 de julho de 2017 às 14:52

A agência de notação financeira Moody’s assinalou esta segunda-feira, 10 de Julho, que o aumento de capital de 250 milhões de euros que foi subscrito pela associação mutualista, tem um impacto positivo no rating do banco, embora insuficiente para compensar os desafios que a instituição continua a enfrentar, nomeadamente ao nível do crédito malparado.

 

A Moody’s salienta que com o aumento de capital, o Montepio passa a apresentar um rácio common equity Tier 1 (CET1) de 12,2%, uma melhoria de dois pontos percentuais que coloca o banco mais alinhado com a média do sector (CET1 de 12% em Março deste ano).

 

"Apesar disso, a capacidade de absorção de risco é ainda fraca", assinala a Moody’s, destacando que os activos problemáticos (crédito malparado e imóveis) representavam em Março 141% das provisões efectuadas pelo banco. Para a agência, este valor deve-se à conjugação de "uma qualidade dos activos muito fraca e fracas provisões ao nível do balanço".

 

Para exemplificar as métricas fracas ao nível da qualidade dos activos, a Moody’s assinala que o crédito em risco representava 15,1% do total em Março, o que apesar de corresponder a uma melhoria de quatro décimas face ao período homólogo, compara mal com a média do sector (11,8% em Dezembro de 2016).

 

Acrescenta que tendo em conta as regras da Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) o rácio de crédito malparado do Montepio aproxima-se dos 20% e o banco tem ainda outras exposições problemáticas, nomeadamente no imobiliário que foi adquirindo ao longo dos últimos anos. Incluindo o imobiliário, o rácio do Montepio sobe para quase 28%, acrescenta a Moody’s.

 

Apesar de destacar como "positivo" o facto de o banco liderado por Félix Morgado (na foto) ter vindo a melhorar estes indicadores, a Moody’s diz que o banco "está sob pressão para acelerar a execução de uma estratégia de diminuição de risco".

 

Outro factor positivo tem a ver com a transformação do Montepio numa sociedade de capital aberto, pois tal permitirá aderir ao regime dos impostos por activos diferidos, o que segundo a Moody’s terá um impacto positivo de 50 pontos base no rácio de capital CET1.

 

A Moodys atribui ao Montepio um rating de "B3", o sexto nível de lixo. A Fitch, a outra agência que avalia o Montepio, atribui ao banco uma notação financeira de ‘B’ – que corresponde ao quinto nível da categoria do chamado "lixo". 




A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 10.07.2017

Sou obrigado a pagar através de comissões, contribuições e impostos o nível de vida passado, actual e futuro de 2200 assalariados da CGD que não são lá precisos para nada. O sindicato deles, o Sindicato Bancário do Sul e Ilhas (SBSI), já analisou os termos oferecidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no programa de “Revogações por Mútuo Acordo”, divulgado na última semana de Junho aos trabalhadores do grupo público. E a sentença é negativa: “As condições propostas aos trabalhadores ficam aquém das expectativas.” E agora pergunto eu, quem regula e supervisiona estas criaturas? As do escândalo CGD e de outros escândalos semelhantes. Há muitos casos destes nas organizações portuguesas. Tem sido o pão nosso de cada dia.

comentários mais recentes
RESULTADOS MILENIUM POLACO UPA UPA BCP 10.07.2017

é hoje ás 17h00 # TRPLICARAM em RELAÇÃO ao 1 TRIMESTRE

Anónimo 10.07.2017

Sou obrigado a pagar através de comissões, contribuições e impostos o nível de vida passado, actual e futuro de 2200 assalariados da CGD que não são lá precisos para nada. O sindicato deles, o Sindicato Bancário do Sul e Ilhas (SBSI), já analisou os termos oferecidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no programa de “Revogações por Mútuo Acordo”, divulgado na última semana de Junho aos trabalhadores do grupo público. E a sentença é negativa: “As condições propostas aos trabalhadores ficam aquém das expectativas.” E agora pergunto eu, quem regula e supervisiona estas criaturas? As do escândalo CGD e de outros escândalos semelhantes. Há muitos casos destes nas organizações portuguesas. Tem sido o pão nosso de cada dia.

Anónimo 10.07.2017

Mas este Banco numa mais fecha???? Tem lá um Adm. Joao Neves que é um dos que deveria ser investigado á séria.......

Anónimo 10.07.2017

o bcp prepara mais um aumento de capital até janeiro de 2018, preparem-se.

ver mais comentários
pub