Banca & Finanças Moody’s: Há progressos na banca mas malparado e baixa rentabilidade pressionam

Moody’s: Há progressos na banca mas malparado e baixa rentabilidade pressionam

A banca portuguesa tem feito progressos assinaláveis, no que toca à qualidade dos seus activos, considera a Moody’s. Mas ainda há alguns riscos, associados ao malparado e à baixa rentabilidade. A melhor instituição é o Santander Totta. Do lado oposto estão Novo Banco e Montepio.
Moody’s: Há progressos na banca mas malparado e baixa rentabilidade pressionam
Bloomberg
Sara Antunes 21 de setembro de 2017 às 11:21

"Os seis maiores bancos portugueses têm feito progressos na melhoria da qualidade dos seus activos e reforçando o capital para níveis diferentes. Mas os seus perfis de crédito permanecem sob pressão devido aos volumes elevados de activos com mau desempenho, à fraca capacidade de absorção de perdas e à rentabilidade baixa", explica a Moody’s numa nota publicada esta quinta-feira, 21 de Setembro.

 

Em termos de qualidade dos activos, a agência realça que o BPI e o Santander Totta têm "os rácios de malparado mais baixos" entre a banca nacional, depois de terem encetado uma melhoria destes activos desde meados de 2016. Já a CGD e o BCP têm verificado melhorias mais lentas, sendo que a qualidade "permanece fraca". Os bancos mais fragilizados neste segmento são o Novo Banco e o Montepio, com os rácios de malparado a permanecerem acima dos 20%.

 

No que respeita ao capital, a Moody’s diz que a banca nacional está "mais forte", mas algumas instituições continuam a ter "uma capacidade de absorção de prejuízos fraca". Por instituições, o Santander Totta é o mais "saudável", seguido do BPI, com este último a ter um rácio de capital de 12,5%, mas a não repercutir os riscos da sua exposição a Angola, salientam os analistas da Moody’s.

 

"Os recentes fortalecimentos de capital do BCP, CGD e Montepio aumentaram os seus rácios de capital para cerca de 8-9%", o que ainda assim fica abaixo da média dos pares, que é de 9,7%. O mais fraco é actualmente o Novo Banco, que está num processo de venda. "A capacidade de absorção de perdas permanece fraca em alguns bancos, especialmente o Montepio e o Novo Banco", sublinham.

 

Analisando a métrica da rentabilidade, a Moody’s realça que a "fraca rentabilidade dificulta a geração de capital". A instituição com métricas de rentabilidade mais saudáveis é o Santander Totta. O BCP e o BPI beneficiam "de um desempenho forte das operações internacionais", enquanto a CGD, o Montepio e o Novo Banco têm níveis de rentabilidade "particularmente pobres". Estas três instituições financeiras vão precisar de tempo para que beneficiem dos esforços de reestruturação que implementaram, explicam.

Entre os seis bancos analisados pela Moody's apenas um tem um "rating" acima do patamar considerado de "lixo": o Santander Totta, que tem uma notação de Ba3 (um nível acima do lixo). Todas as restantes instituições estão em níveis considerados especulativos, tal como a República Portuguesa. O BPI tem um "rating" de Ba3 (três níveis abaixo de lixo); CGD e BCP têm B1 ( quatro níveis abaixo de lixo); Montepio tem um "rating" de B3 (seis níveis abaixo do lixo) e o Novo Banco tem uma notação de Caa1 (sete níveis abaixo do lixo).




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