Banca & Finanças Moody’s vê estabilidade para a banca portuguesa. Sem melhorias ou piorias

Moody’s vê estabilidade para a banca portuguesa. Sem melhorias ou piorias

O crescimento económico "modesto" de Portugal contribui para a estabilização do sector bancário. O risco dos activos continua elevado mas está, igualmente, estável. A capitalização continua a ser uma preocupação para a Moody's.
Moody’s vê estabilidade para a banca portuguesa. Sem melhorias ou piorias
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 31 de Outubro de 2016 às 08:28

Entre uma "recuperação económica modesta" e "fracas perspectivas de rentabilidade". É entre estas duas realidades que se encontra a banca nacional, segundo a agência de classificação de risco Moody’s, e onde deverá ficar nos próximos 12 a 18 meses. 

 

Num relatório para os investidores, cujo acesso é disponível apenas mediante pagamento, a Moody’s reforça a perspectiva "estável" sobre a banca, reflectindo a ideia de "que a recuperação económica modesta vai continuar a suportar os bancos". O título do documento é "Portugal: perspectiva estável equilibra recuperação económica modesta e fracas perspectivas de rentabilidade". 

 

"O sistema bancário português está ainda bastante frágil mas a recuperação económica modesta vai continuar a suportar a estabilização dos fundamentais de crédito dos bancos, ainda que a níveis muito fracos", sintetiza a analista Maria Vinuela, no relatório publicado esta segunda-feira, 31 de Outubro.

 

O nível de crédito malparado, ainda que negativo, tem aspectos positivos na óptica da Moody’s. "Os indicadores de risco dos activos para os bancos portugueses estabilizaram, com o crédito malparado acima de 12%". Ainda assim, a carteira de créditos problemáticos deverá continuar elevada porque o crescimento económico, apesar de existir, é apenas "modesto".

 

Neste momento, o Governo prepara um pacote legislativo em que tenta resolver a questão do excesso de crédito que não foi pago pelos clientes aos bancos.

 

Sem ainda haver novidades sobre o assunto, a agência de "rating" americana indica, no resumo do relatório, que o mais baixo custo do risco dos bancos – "que advém do abrandamento da formação de créditos problemáticos" –  "pode ser contrabalançado por resultados mais baixos". A rentabilidade da banca continua sem aparecer, assinala a Moody’s, sublinhando, apesar disso, que a desalavancagem feita nos últimos anos já deu frutos.

 

Por resolver está ainda a capitalização da banca, indica ainda a agência, que considera que os portugueses estão entre as instituições financeiras da Zona Euro pior capitalizadas, até porque uma parte é conseguida através de activos por impostos diferidos. Esta é uma opinião que já em Julho avançava.

 

A estabilidade do sector ocorre em simultâneo com o facto de, desde Julho de 2014, a agência não mexer no "rating" nacional, atribuindo-lhe uma classificação de risco especulativa, Ba1, a primeira categoria em que as obrigações são consideradas "lixo". A banca nacional é avaliada consoante esta notação. O BPI, sob oferta do CaixaBank, tem uma classificação de "Ba3", a terceira de nível especulativo. O BCP e a CGD têm o "rating" em "B1", o quarto nível de "lixo". O Montepio em "B3", o sexto nível. 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Deve ser por isso que os BCPatos apostam numa forte subida,para baixo :)

pub