Energia Morgan Stanley corta recomendação e "target" da EDP no pós-investigações

Morgan Stanley corta recomendação e "target" da EDP no pós-investigações

Os riscos de maior regulação podem estar pela frente da EDP, na opinião do Morgan Stanley. Este é um dos factores para justificar a redução do preço-alvo para a eléctrica. A meteorologia também prejudica a empresa.
Morgan Stanley corta recomendação e "target" da EDP no pós-investigações
Pedro Catarino/Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 15 de junho de 2017 às 10:37

O Morgan Stanley cortou a avaliação que faz da EDP. As investigações à eléctrica podem desencadear um caminho de maior regulação que, na óptica do banco de investimento americano, penaliza a acção.

 

Na nota de "research" publicada esta quinta-feira, 15 de Junho, a analista Carolina Dores baixa a recomendação de "overweight" para "equalweight", esperando que a EDP tenha um desempenho em linha com o sector e não acima, como até aqui. Já o preço-alvo atribuído é cortado de 3,50 para 3,40 euros, ainda que antecipando um potencial de valorização.

 

As acções da eléctrica sob o comando de António Mexia estão hoje a recuar, depois de divulgada esta nota de "research". Os títulos perdem 2,49% para 3,094 euros. Um dos motivos para o recuo da recomendação é o facto de a EDP acumular um ganho desde o início do ano (7%). Mas não é o principal. 

 

"O anúncio da investigação de alegada corrupção na EDP pode ser o início de um ciclo negativo de regulação", comenta a equipa de especialistas do Morgan Stanley. Para o banco, mesmo que não tenha de haver qualquer devolução da eléctrica ao Estado português no âmbito da investigação, a instituição acredita "que as decisões governamentais", como por exemplo aumentos tarifários e contribuições sobre o sector, podem vir a ser mais negativas, "já que o foco sobre os CMEC desencadeou um renovado debate sobre o custo da energia em Portugal".

 

Os CMEC – custos de manutenção de equilíbrio contratual – entraram em vigor em 2007, depois de terem sido criados em 2004, para compensar o fim das rendas fixas que as eléctricas ganhavam com os CAE – contratos de aquisição de energia –, que visavam garantir que as empresas eram recompensadas pelos investimentos feitos em centrais. A EDP foi a única empresa que aderiu aos CMEC. A investigação judicial que corre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) averigua a legislação e os momentos posteriores por suspeitar de actos passíveis de configurar práticas de corrupção e de participação económica em negócio na definição destes contratos. 

 

"A onda de propostas sobre o sector eléctrico que a investigação incentivou pode ser uma indicação de que a regulação pode estar sob maior escrutínio em 2017", indica ainda a nota divulgada esta quinta-feira. Ainda esta quarta-feira houve debate parlamentar sobre a energia, com o Parlamento a recomendar ao Governo o fim dos CMEC e com a possibilidade de os consumidores que passaram para o mercado liberalizado voltarem às tarifas reguladas.
 

Para além da questão judicial, há um "impacto de curto prazo da meteorologia" que pode ter efeito nos resultados. A produção hídrica está abaixo do período homólogo, as reservas também seguem abaixo dos níveis médios, a que se acrescenta ainda a menor produção eólica em Portugal e em Espanha. "Embora o tempo seja um item não recorrente, pensamos que as revisões em baixa dos resultados podem ser negativas para o sentimento [sobre a cotada]", frisa o Morgan Stanley.

"Ainda que possamos defender que a EDP pudesse estar a negociar a um prémio face às pares devido à elevada exposição às renováveis, pensamos que sem uma execução bem-sucedida do plano de desalavancagem e uma redução das preocupações regulatórias em Portugal, a acção não deve superar o mercado", conclui o Morgan Stanley.

Foi também a percepção de risco de regulação que acabou por pesar, entre outros, na retirada da eléctrica da lista de preferidas do banco de investimento do BPI, onde a EDP foi substituída pela Sonae. 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 




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mais votado Anónimo 15.06.2017

Como é que se paga todo o excedentarismo e sobrepagamento em organizações como as da banca de retalho, do sector energético ou da administração pública? Com recurso a artimanhas como rendas abusivas, subsídios, isenções discricionárias, proteccionismo mafioso e portanto, com recurso à criação de um mercado, do laboral aos de bens e serviços, completamente distorcido. Quem perde são os consumidores, os inovadores, os empreendedores, os investidores e os contribuintes.

comentários mais recentes
Anónimo 15.06.2017

É uma empresa anti-mercado que tem sido levada ao colo pelo Estado desde que foi fundada. Empresas destas estão repletas de ineficiências, excedentarismo e falta de transparência institucional. A gestão é medíocre ou apática naquilo que deveria ser a sua missão, visão e legítimo propósito perante clientes e accionistas, e os colaboradores capturaram a organização. Podiam dar 2 vezes mais lucro e oferecer um produto muito mais barato com metade dos colaboradores actuais. Fazem lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

Anónimo 15.06.2017

O excedentarismo acarreta custos enormes para a economia, os consumidores, os inovadores, os contribuintes, os accionistas, os investidores... Em jurisdições e culturas de gestão onde o despedimento de excedentários é tema tabu, a dependência, o atraso, a injustiça e o empobrecimento proliferam. Assim foi, e ainda é maioritariamente, Portugal. "...the decision is in Duke Energy's effort to stay lean and efficient for its customers." www.wfmynews2.com/news/duke-energy-to-cut-900-jobs-to-lower-costs-for-customers/69744244

Anónimo 15.06.2017

Em França, e mesmo tendo o Estado francês como maior accionista com cerca de 85% das acções da empresa, a maior companhia de electricidade, cotada na bolsa de valores onde dispersou parte do seu capital, está orientada para o mercado livre, aberto e concorrencial, despede 5100 excedentários, gera lucros impressionantes, distribui dividendos notáveis aos accionistas, e vende uma das electricidades mais baratas de toda a União Europeia. Em Portugal, a congénere, anti-mercado, mal gerida, sem qualquer consideração pelos clientes e pelos accionistas, nem tão pouco pelas autoridades reguladoras e económicas que capturou há muito porque o Estado português deixa-se sempre capturar por nefastos e obscuros interesses, negoceia os despojos do mercado que matou à nascença e se habituou a roubar. "EDF plans up to 5,100 job cuts in France: source" http://www.reuters.com/article/us-edf-layoffs-idUSKBN15G4AL

Anónimo 15.06.2017

Como é que se paga todo o excedentarismo e sobrepagamento em organizações como as da banca de retalho, do sector energético ou da administração pública? Com recurso a artimanhas como rendas abusivas, subsídios, isenções discricionárias, proteccionismo mafioso e portanto, com recurso à criação de um mercado, do laboral aos de bens e serviços, completamente distorcido. Quem perde são os consumidores, os inovadores, os empreendedores, os investidores e os contribuintes.

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