Tecnologias Multimilionário chinês corta salário anual para 13 cêntimos para salvar empresa

Multimilionário chinês corta salário anual para 13 cêntimos para salvar empresa

O presidente da empresa chinesa LeEco admitiu que seu império tecnológico está a ficar sem dinheiro para sustentar a entrada em ramos de actividade como os carros eléctricos e os smartphones.
Multimilionário chinês corta salário anual para 13 cêntimos para salvar empresa
Reuters
Bloomberg 13 de Novembro de 2016 às 10:30

Numa longa carta aos seus funcionários, Jia Yueting, multimilionário co-fundador da tecnológica LeEco, pediu desculpas aos accionistas e prometeu reduzir o seu salário anual para 1 yuan (0,13 euros), diminuir o ritmo de expansão da LeEco e conduzir a empresa para uma fase mais moderada de crescimento.


A LeEco é a casa-mãe de uma vasta família de empresas que operam em áreas como os media desportivos, automóveis, smartphones e TVs. A companhia, famosa pelo seu serviço de streaming LeTV, procurou financiamento agressivamente e apostou em novos empreendimentos, desde uma fábrica de carros eléctricos no Nevada (EUA) até à compra da Vizio, fabricante de televisores da Califórnia (EUA), por dois mil milhões de dólares.


"Nenhuma empresa teve uma experiência deste tipo, de estar ao mesmo tempo no gelo e no fogo", escreveu Jia na carta, obtida pela Bloomberg News, onde descreve a ascensão da LeEco e os problemas que aconteceram depois. "Nós acelerámos cegamente e a nossa necessidade de dinheiro aumentou exponencialmente. Expandimo-nos demasiado na nossa estratégia global. E o nosso capital e os nossos recursos eram realmente limitados."

Questões dos analistas


Os analistas começaram a questionar as perspectivas de longo prazo da LeEco devido à falta de transparência sobre os investimentos das suas diversas filiais e à dependência de empréstimos com garantia de acções. As acções da Leshi Internet Information & Technology e da Coolpad, duas empresas de Jia, não registaram grandes variações após uma forte queda na segunda-feira. As da Coolpad, que monta os telefones da LeEco a par com os da própria marca, caíram quase 18% na segunda-feira e atingiram o valor mais baixo em mais de três anos. As da Leshi subiram menos de 1% depois de terem chegado a tocar o patamar mais baixo dos últimos 12 meses na segunda-feira.

"A empresa expandiu-se muito depressa. Eles querem criar um ecossistema para vários dispositivos, não apenas para telemóveis, TVs e descodificadores, mas também para veículos", comentou Sandy Shen, directora de pesquisa da Gartner. "Eles têm um objectivo muito ambicioso que não pode ser atingido neste momento."


Já há medidas em curso


No seu memorando, Jia sublinhou medidas para diminuir o endividamento da empresa. A LeEco arrancará de imediato com programas de redução de custos, diminuirá os subsídios para clientes e irá concentrar-se em ramos de actividade onde já opera e não em novos, acrescentou o CEO, pedindo desculpas aos accionistas da Leshi em resposta a críticas de que não lhes teria dado atenção suficiente.

"A nossa capacidade para angariar capital não é grande", escreveu Jia. "A escala das nossas captações externas teve problemas para satisfazer as exigências da nossa rápida expansão", acrescentou.




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comentários mais recentes
Aguenta boy Há 2 semanas

É como o Domingos @ mafia limitada

Diogo Dias Há 2 semanas

Para salvar a empresa ou para pagar menos impostos? Ahahhaha

Vítor Mota Há 2 semanas

É o que fazem os banqueiros em PT!!

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