Indústria Navigator vai investir apesar de estar preocupada com política para eucalipto

Navigator vai investir apesar de estar preocupada com política para eucalipto

A papeleira decidiu avançar com investimento de 121 milhões em Cacia e de 85 milhões na Figueira da Foz, mas diz que a intenção do Governo de aprovar uma lei que proíbe a plantação de novas áreas com eucalipto irá provocar dificuldades acrescidas ao sector que já importa 200 milhões de euros de madeira.
Navigator vai investir apesar de estar preocupada com política para eucalipto
Bloomberg
Maria João Babo 09 de fevereiro de 2017 às 07:32

A The Navigator Company, designação adoptada no ano passado pela Portucel, decidiu avançar com o investimento de 121 milhões de euros na sua fábrica de Cacia e tenciona também concretizar um outro reforço na sua unidade da Figueira da Foz orçado em 85 milhões de euros.

 

Na apresentação dos resultados de 2016, esta quinta-feira, a empresa diz que "estima ter reunido a globalidade das condições necessárias para a concretização" do investimento em Cacia na área do "tissue" (utilizado em papel higiénico, lenços de papel ou papel de cozinha).

 

O projecto envolve a construção de uma linha de produção de papel tissue e transformação em produto final, com uma capacidade nominal de 70 mil toneladas por ano.

 

"A decisão de avançar com a construção da nova linha estava condicionada à concretização de um conjunto de factores, nomeadamente a obtenção de um pacote de incentivos fiscais e financeiros, que, neste momento, já se encontram finalizados", afirma a Navigator.

 

O grupo papeleiro acrescenta que "mediante a assinatura dos contratos de apoio, o Conselho de Administração decidiu avançar com o desenvolvimento deste projecto", apontando agora que o prazo estimado para a conclusão das novas linhas de produção e transformação de tissue que foram anunciadas ainda em 2015 é a segunda metade de 2018, estando previstos que os desembolsos deste investimento sejam repartidos entre 2017 (cerca de 40%) e 2018.

 

O grupo tinha também anunciado no ano passado a intenção de desenvolver um projecto no centro fabril da Figueira da Foz, estimando o valor deste valor investimento em cerca de 85 milhões de euros.

 

A Navigator acrescenta que apresentou uma candidatura a um conjunto de incentivos financeiros e fiscais que ainda se encontra pendente de apreciação pelo AICEP, estimando obter um ok até ao final do primeiro trimestre deste ano.

 

Este projecto, explica, "visa uma melhoria na eficiência produtiva e um aumento de capacidade de 70 mil toneladas, para uma produção total de 650 mil toneladas de pasta BEKP por ano", estando prevista a conclusão da obra durante o primeiro semestre de 2018.

 

O grupo sublinha no entanto que "vê com preocupação a intenção do Governo em fazer aprovar, no âmbito da reforma da legislação que regula o sector florestal, um diploma legal que proíbe a plantação de novas áreas com eucalipto, apenas permitindo plantações de novas áreas por troca com plantações já existentes em zonas marginais e de baixo rendimento".

 

Em seu entender, esta proposta, "que carece de qualquer fundamento técnico e ambiental, não tem em consideração a importância do eucalipto para a economia nacional e irá provocar dificuldades acrescidas num sector onde já existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura, e que actualmente já importa cerca de 200 milhões de euros de madeira por ano".

 

A Navigator afirma ainda que "tem trabalhado de forma construtiva, quer directamente, quer através da sua associação sectorial, no sentido de dar os contributos necessários para tentar minimizar os aspectos mais negativos desta legislação".     

 

Em Outubro de 2016, na apresentação de resultados do terceiro trimestre, a empresa afirmava ter ainda  "questões por esclarecer" relativas a condicionamentos de mercado assim como a possíveis restrições ao nível do acesso à madeira.

 

No âmbito do acordo a que o PS chegou com os Verdes para uma solução governativa, assumiu o compromisso escrito de travar "a expansão da área do eucalipto, designadamente através da revogação da lei que liberaliza a plantação de eucaliptos, criando um novo regime jurídico". 




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comentários mais recentes
lucro 17.02.2017

Os políticos que nós votamos e escolhemos, não sabem fazer negócios viáveis, apenas sabem transparecer bons oradores. Se esta empresa quer investir em Portugal, é mais dinheiro que fica em Portugal e deve-se facilitar os investimentos. É melhor ter eucaliptos que erva, matagal ou terra árida.

FARQUAD 09.02.2017

Isto é desesperante. O lobby desta indústria da celulose é o mais poderoso a operar em Portugal. Têm todos na mão; imprensa, bombeiros, políticos e consequentemente a opinião pública. Este desastre ecológico que estão a operar no Norte e Centro litoral de Portugal vai nos destruir!!!

Anónimo 09.02.2017

Portugal é já um imenso eucaliptal com graves repercussões no meio ambiente tornando-nos mais desprotegidos nas alterações climáticas em curso . O desequilíbrio da mata em favor do eucalipto está na origem das altas temperaturas,os incêndios e a pouca pluviosidade com recordes sucessivos além do esgotamento dos solos. A área plantada é tal que a meu ver temos um grave crime ambiental e já não temos capacidade ( monetária e material ) para recuar,repondo a nossa mata que é de uma riqueza incalculável. O bem das indústrias do papel será a inviabilidade de Portugal já amanhã . Quando de novo estivermos na época dos incêndios ,lá voltamos a discursos superficiais sem se abordar esta questão que estas poderosas empresas não permitem abordar . Recomendo um exercício simples - sempre que viajarem pelo país identifiquem as áreas com eucaliptos e meditem !

Anónimo 09.02.2017

APRENDAM COMO SE GER UMA EMPRESA SENHORES EMPRESÁRIOS, a melhor do ps-20

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