Banca & Finanças Nicolas Véron: Banca portuguesa estará "em breve fora de perigo"

Nicolas Véron: Banca portuguesa estará "em breve fora de perigo"

O economista do Bruegel e especialista em sistemas financeiros faz um balanço positivo da situação na banca europeia e nacional. O único verdadeiro problema está em Itália, defende.
Nicolas Véron: Banca portuguesa estará "em breve fora de perigo"
Bruno Simão
Rui Peres Jorge 15 de Novembro de 2016 às 17:13

Quando se confirmar a recapitalização da CGD daqui a umas semanas, o sistema bancário português estará fora de perigo, acompanhando de resto a situação mais geral do sistema bancário europeu, no qual existe apenas uma excepção relevante: Itália. Esta é a avaliação de Nicolas Véron, economista do "think tank" europeu Bruegel e especialista em sistemas financeiros, que recentemente fez uma análise negativa ao ajustamento da banca em Portugal ao abrigo da intervenção da troika.

 

"O ajustamento do sector em Portugal foi muito doloroso e eu não estou a tentar pintar um quadro positivo. O ajustamento não foi ideal, nem sequer bom. Mas agora, ou dentro de semanas, estaremos muito próximos de ter deixado a parte mais difícil do ajustamento para trás", começou por afirmar Nicolas Véron na sua intervenção num painel sobre União Bancária, inserido na conferência "30 anos de adesão – Luzes e Sombras da União Europeia", organizada pelo Instituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa. Mais tarde, acrescentou que, no que diz respeito ao sistema bancário, "em breve, Portugal está fora da zona de perigo"

 

Para o especialista, a entrada de capital estrangeiro nos bancos nacionais, como aconteceu com Banif, é um desenvolvimento positivo, pois reduz os riscos de instabilidade, defendeu, exemplificando com o que se passou nos países bálticos na crise, que sofreram grandes choques macroeconómicos sem instabilidade bancária. Agora falta recapitalizar a CGD.

 

Há, claro, desafios importantes pela frente, entre eles reduzir o malparado, e vender Novo Banco. Mas do ponto de vista de ajustamento do sistema, o trabalho árduo está feito, considera. O crédito mal parado em Portugal pressiona a economia, o economista considera que os bancos estão em melhor forma para lidar com eles.

 

A situação em Portugal acompanha assim a avaliação positiva que Véron faz do momento  da banca da Zona Euro, onde embora também exista muito trabalho pela frente, "o copo está meio cheio". O pior passou, argumenta.

 

"O sistema bancário da Zona Euro está em muito melhor forma que em 2014. Estamos quase no ponto onde o sistema bancário está de volta ao normal", considera o especialista, para quem, com a excepção da Itália, os problemas na banca europeia deixaram de ser problemas de países, para serem problemas de instituições... ainda que instituições muito grandes, como acontece com o alemão Deutsche Bank.

 

Véron assinou uma avaliação negativa da eficácia do programa de ajustamento na recuperação do sistema financeiro português, publicada pelo Independent Evaluation Office (IEO) do Fundo Monetário Internacional (FMI). Parte das críticas foram dirigidas ao Banco de Portugal, que refutou a análise.




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comentários mais recentes
Roger Russo Há 3 semanas

Qual banca? Das duas uma ou não sabe do que fala ou está a falar de um país que não existe. Só nos saem duques!

Camponio da beira Há 3 semanas

Fora de perigo?Até poderá ser, mas à custa dos contribuintes,pois que por parte dos administradores, nem uma mercearia de aldeia saberiam gerir.

Criador de Touros Há 3 semanas

O Caldeirão da Bolsa/BCP está com bons comentários. Cumprimentos

Anónimo Há 3 semanas

Ainda gostava de saber como este visionário chegou a esta conclusão.
Nem o Bando de Portugal, ao longo destes anos, topou as gigantescas fraudes dos bancos, assim como a CMVM.
Os banqueiros são mestres em falsificar as contas e cometerem as mais gigantescas fraudes (ROUBOS) com a passividade da chamada "supervisão" e da "justiça.
Para mim o único banco sério é o Banco Colchão.

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