Desporto Nike corta 2% do quadro de pessoal em todo o mundo

Nike corta 2% do quadro de pessoal em todo o mundo

A empresa de equipamento desportivo anunciou um novo "alinhamento" em que vai centrar a operação em 12 cidades principais. O anúncio é feito um dia depois de anunciada uma investigação de Bruxelas à Nike.
Nike corta 2% do quadro de pessoal em todo o mundo
REUTERS
Diogo Cavaleiro 15 de junho de 2017 às 15:12

A Nike anunciou um novo alinhamento da empresa, que implica novos meios de produção. "Estas alterações deverão resultar numa redução global de cerca de 2% da força de trabalho em todo o mundo", revelou a empresa de equipamento desportivo esta quinta-feira, 15 de Junho.

 

A empresa contava, a 31 de Maio, com cerca de 70.700 funcionários em todo o mundo, incluindo colaboradores a tempo parcial. O corte de 2% dos postos de trabalho implica a rescisão com mais de 1.400 trabalhadores.

 

O corte está incluído na "Consumer Direct Offense", o novo "alinhamento" que a empresa apresentou e onde diz que a meta é apostar na velocidade de criação de novos produtos. "Através do ‘Consumer Direct Offense’, tornamo-nos mais agressivos no mercado digital, direccionando-nos a mercados-chave e entregando o produto mais rapidamente do que nunca", comenta Mark Parker, presidente da Nike, citado na nota aos investidores. 

 

"No novo alinhamento, a empresa vai dinamizar o crescimento ao apostar nos consumidores em 12 cidades-centrais, localizadas em 10 países: Nova Iorque, Londres, Xangai, Pequim, Los Angeles, Tóquio, Paris, Berlim, Cidade do México, Barcelona, Seul e Milão", enumera a empresa que fabrica sapatos e acessórios desportivos. Não há qualquer cidade africana na lista de prioridades da Nike. A companhia antecipa que estas cidades "representem mais de 80% do crescimento previsto até 2020".

 

Neste contexto, a companhia vai simplificar a estrutura geográfica em que se organiza, passando de seis para quatro mercados: América do Norte; Europa, Médio Oriente e África; Grande China; Ásia Pacífico e América Latina. O relatório do ano fiscal de 2018 vai já contar com esta organização.

 

Bruxelas investiga Nike

 

Esta nova apresentação da Nike, em que espera aumentar a inovação e a velocidade da produção, surge depois de, esta quarta-feira, a Comissão Europeia ter aberto uma investigação formal à empresa que tem, por exemplo, os direitos de "merchandising" sobre o Barcelona.

 

"A Comissão está a averiguar se a Nike, a Sanrio e a Universal Studios estão a limitar as vendas além-fronteiras e online de produtos sob 'merchandising'", comentou, citada em nota oficial, a comissária europeia para a Concorrência Margreth Vestager.




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mais votado Anónimo 15.06.2017

Portugal não tem robótica porque não tem tido políticas que permitam a criação, captação e fixação do melhor e mais adequado talento disponível nos mercados globais de talento e capital. Sem flexibilização dos mercados laborais e fortalecimento dos mercados de capitais portugueses, Portugal nunca vai participar nas revoluções industriais como actor principal, secundário ou mesmo figurante. Será eternamente o expectador que chega ao evento sempre perto do acto final e por isso fica sem perceber o pouco daquilo que viu.

comentários mais recentes
pertinaz 15.06.2017

NIKE... ESCOLA DE CORRUPÇÃO... ESTÁ EM TODAS...!!!

Anónimo 15.06.2017

Portugal não tem robótica porque não tem tido políticas que permitam a criação, captação e fixação do melhor e mais adequado talento disponível nos mercados globais de talento e capital. Sem flexibilização dos mercados laborais e fortalecimento dos mercados de capitais portugueses, Portugal nunca vai participar nas revoluções industriais como actor principal, secundário ou mesmo figurante. Será eternamente o expectador que chega ao evento sempre perto do acto final e por isso fica sem perceber o pouco daquilo que viu.

Anónimo 15.06.2017

Como seria de esperar, estão-se a adaptar as novas condições de mercado. A adidas anda a pagar salários de 4 a 6 mil euros em fábricas totalmente robotizadas que inaugurou há relativamente pouco tempo. As fábricas não tem lá é quase ninguém a trabalhar por comparação com o número médio de trabalhadores de fábricas congéneres da anterior geração. O processo de substituição de factor trabalho por factor capital é uma realidade incontornável. Com inteligência artificial e robôs muito mais factor trabalho será substituído. Não todo, haverá sempre algum alocado, mas a quantidade alocada tende para um valor mínimo indispensável, quase residual.