Energia No sertão brasileiro, há uma fortuna no vento

No sertão brasileiro, há uma fortuna no vento

O vento vale ouro para Mário Araripe. O empresário brasileiro criou um império formado pela gigante eólica Casa dos Ventos - que desenvolveu quase um terço da capacidade actual e planeada no Brasil - e pelos aproximadamente 170.000 hectares de terras que detém no Nordeste.
No sertão brasileiro, há uma fortuna no vento
Bloomberg
Bloomberg 15 de abril de 2017 às 14:00

Os parques eólicos da Casa dos Ventos, mais a receita gerada com a venda de activos por 690 milhões de euros à Cúbico Sustainable Investments no ano passado, ajudaram Araripe a erguer uma fortuna pessoal que o Índice Bloomberg Billionaires calcula em 1,2 mil milhões de euros.

 

Filho de um engenheiro que construía infraestruturas para enfrentar a seca no sertão nordestino, Araripe começou a carreira a construir propriedades de luxo nas praias da região nas décadas de 1980 e 1990 e depois comprou a fabricante de jipes Troller, que estava em processo de falência. Em apenas uma década, transformou uma zona em pleno sertão num dos principais centros mundiais de produção de energia eólica.

 

A sua Casa dos Ventos é hoje uma das maiores compradoras de turbinas da General Electric na América Latina. A empresa tem vindo a receber — e a rejeitar — propostas de compra de chineses e americanos. A companhia é líder em desenvolvimento de parques eólicos no Brasil, o nono maior país produtor de energia renovável no mundo, de acordo com a Associação Global de Energia Eólica.

 

Ele começou a ganhar dinheiro quando fundou a Construtora Colmeia, especializada em casas de praia no Ceará. Posteriormente, vendeu a construtora aos funcionários e, em 1997, resgatou a Troller, que em poucos anos estava a exportar veículos para o Koweit, a Arábia Saudita e Angola.

 

Araripe gostava de testar os jipes em longas excursões pela América do Sul, com roteiros como os de Machu Picchu, no Peru. Um dia, emprestou um jipe a um antigo colega do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde se formou em 1977. O amigo dirigiu o veículo pelo Ceará para medir ventos. Anos depois, quando Araripe vendeu a Troller à Ford Motor por 180 milhões de euros, o mesmo amigo convenceu-o a investir numa tecnologia nova.

 

A Casa dos Ventos começou então a comprar e a alugar terras no Ceará para os seus engenheiros encontrarem as melhores rajadas de vento. Araripe diz que faz isso melhor do que ninguém porque conhece a região.

 

"O segredo está em medir o vento", diz Thais Prandini, analista da consultoria Thymos Energia, de São Paulo. "É uma companhia que encontrou um nicho interessante e ganhou muito dinheiro".

 

Em 2010, a Casa dos Ventos começou a construir os seus próprios parques eólicos e hoje está envolvida em muitas partes do processo — dos leilões com vista à obtenção de contratos de longo prazo para fornecimento de energia, ao desenvolvimento e gestão operacional de parques.

 

Araripe afirma que a Casa dos Ventos tem terras suficientes para criar mais 15 gigawatts de capacidade nos próximos anos. A actual capacidade instalada no Brasil está próxima de 10 gigawatts.


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