Telecomunicações Notificações electrónicas atiram CTT para pior sessão em três meses

Notificações electrónicas atiram CTT para pior sessão em três meses

Os papéis da empresa postal afundaram mais de 5% esta quinta-feira, para mínimos de mais de um mês, depois de o Governo ter aprovado a possibilidade de notificação electrónica dos cidadãos, o que pode penalizar o negócio dos CTT.
Notificações electrónicas atiram CTT para pior sessão em três meses
Miguel Baltazar
Paulo Zacarias Gomes 17 de Novembro de 2016 às 17:26
Os CTT fecharam a sessão desta quinta-feira, 17 de Novembro, a liderar as perdas no principal índice accionista português, depois de o Conselho de Ministros ter proposto ao parlamento a criação da morada única digital, que permitirá notificar electronicamente os cidadãos.

A medida, que pode ter impacto negativo na actividade de correio físico dos CTT, levou os títulos da empresa postal a afundarem 5,26% para os 5,84 euros, no nível mais baixo em mais de um mês - 11 de Outubro. Foi a maior queda em três meses, só comparável com a descida superior a 6% verificada em 5 de Agosto.

Em declarações citadas pela Bloomberg, a trader do BPI, Marta Brito e Cunha, considerou que se a medida for em frente pode ter impacto nas receitas dos CTT. Fonte dos Correios não quis comentar esta previsão à agência.

A alteração proposta pelo Executivo deverá permitir que cidadãos, empresas e entidades recebam as notificações administrativas e fiscais electronicamente, sendo a adesão voluntária para pessoas singulares. 

"A estimativa de despesa que temos em envio de correio postal é de 85 milhões de euros olhando para o orçamento actual", referiu, explicando que "a poupança potencial estimada" é este valor, disse esta quinta-feira a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, citada pela Lusa. 

De acordo com a apresentação dos resultados dos CTT, entre Janeiro e Setembro deste ano as receitas oriundas deste negócio (que representaram 73% do total) caíram 2,3% para 375,3 milhões de euros. O correio expresso e encomendas representaram 17% e sofreram uma queda de 8,3%. No total, as receitas caíram 3,9% para 517,1 milhões de euros.

Ontem, numa nota aos clientes, o Haitong considerava que a notificação acelerada de contribuintes para receber montantes em dívida ao fisco relativos a 2012 - noticiada pelo Público -  poderia ter um contributo positivo para as receitas da empresa postal com o negócio de correspondência, já que estas notificações terão de ser enviadas por correio registado.

"(...) o impulso do Governo para obter receitas fiscais relativas a 2012 pode conduzir a um contributo positivo para o mix e apoiar os resultados do quarto trimestre de 2016 [dos CTT]," lê-se na nota a que o Negócios teve acesso, assinada pelo analista Nuno Estácio.

No quarto trimestre do ano passado, segundo o mesmo especialista, as receitas oriundas de correio registado caíram 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

(Notícia actualizada às 18:01 com referência à nota do Haitong)





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comentários mais recentes
Dono dos Burros Há 2 semanas

Notificação electrónica? O Estado vai dar-me um computador? Pagar-me as contas da internet? É que aqui não há fiado. O Estado poupa e eu pago, já e assim no banco, empresto-lhes o meu dinheiro e eles pagam-se pelo frete de se estarem a aproveitar-se dele nos seus negócios.

Poupar nos correios e pagar Há 2 semanas

salários e mordomias a gente que dizem gerir a CGD! pouco rigor nas orientações!

Anónimo Há 2 semanas

85 milhões que venham a ser perdidos face aos 554 milhões de receita de correio (2015) equivale a 15%, é expressivo

Anónimo Há 3 semanas

Gestão ruinosa que de privada não tem nada. Lacerda continua maniatado pelo cancro de administradores polítizados. A geringonça de tios e tias PSD/CDS que domina os lugares chave da gestão aproveitou a privatização para auto enriquecer e colocar alguns familiares e amigos no Banco. CTT está a saque!

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