Empresas Novo altar do Santuário de Fátima tem um “segredo” da engenharia portuguesa

Novo altar do Santuário de Fátima tem um “segredo” da engenharia portuguesa

Há uma parede elevatória que neste sábado vai aparecer por detrás da escultura de Nossa Senhora do Rosário de Fátima no novo altar exterior do santuário, onde o Papa presidirá à celebração eucarística. Uma “wonderwall” de quase duas toneladas “made in” Famalicão.
A carregar o vídeo ...
Há no altar exterior do Santuário de Fátima uma parede cénica escondida que foi desenvolvida pela portuguesa Behind Solutions.
Rui Neves 12 de maio de 2017 às 10:43

"Está a funcionar há um ano, mas só agora terá o seu ‘teste de fogo’, com centenas de câmaras de televisão e milhões de olhos a incidir sobre a imagem", afirma o designer Vítor de Castro Lopes, um dos fundadores e sócio-gerente da Behind Solutions, a empresa responsável pela concepção e desenvolvimento da parede cénica, vulga "wonderwall", que irá aparecer por detrás da escultura de Nossa Senhora de Fátima, no novo altar exterior do santuário, quando o Papa Francisco estiver a presidir à celebração eucarística celebrativa do centenário das aparições.

 

Trata-se de uma parede elevatória de quase duas toneladas, que está normalmente recolhida, só sendo erguida nos grandes momentos celebrativos do culto mariano, para facilitar a observação mariana de qualquer ponto do recinto.

"Fazer ascender uma parede pesada, feita com um tipo de pedra nobre e natural, mas relativamente frágil, a uma altura de quase quatro metros, não é um exercício fácil", sublinha Vítor de Castro Lopes, em comunicado da empresa.

Mais: a encomenda desta solução à empresa de Famalicão partiu da arquitecta Paula Santos, autora do novo presbitério do santuário de Fátima, teve de obedecer a um requisito arquitectónico exigente - "não podia ter qualquer tipo de mecanismo ou guiamento à vista", sendo que a parede cénica que sobe e desce tem "apenas 10 milímetros de espaçamento" para ser movimentada.

A solução cénica encontrada assenta num "robusto sistema de elevação automático quase imperceptível aos olhos dos peregrinos", que permite levantar, "sem qualquer espécie de ruído visual ou sonoro, uma parede de mármore, embebida no solo e com cerca de duas toneladas e quase quatro metros de altura, durante os actos religiosos que requeiram a saída da imagem de Nossa Senhora da Capelinha das Aparições para o novo altar exterior do santuário", realça a empresa, no mesmo comunicado.

 

Segundo o gerente da Behind Solutions, o objectivo "é fazer com que todos os peregrinos que participem nas celebrações como as deste sábado vejam de forma clara, e em qualquer ponto do santuário, a escultura, o que é viável pelo suave contraste entre o tom levemente esverdeado do mármore e a alvura da peça".

 

Em menos de dois anos de existência, a Behind Solutions já criou dois produtos de engenharia para arquitectura e várias soluções para piscinas, entre as quais a o "Sink to swim" (sistema de regulação da altura do fundo da piscina capaz de a transformar num "deck") e o "Down to swim" (barreira de segurança automatizada para prevenir o risco de afogamentos), tendo ainda participado em projectos nas áreas de cinema, multimédia e audiovisual, em que combina robótica e automação.

Em 2016, no seu primeiro ano completo de actividade, facturou 35 mil euros, valor que Vítor de Castro Lopes pretende duplicar no ano em curso. "Estamos a trabalhar no mercado nacional, testando soluções dentro de portas, mas o nosso desígnio é a internacionalização. O nosso negócio é global e estamos a trabalhar para tornar a oferta facilmente internacionalizável. Temos projectos, ainda em fase de negociação, que podem gerar a rápida expansão da marca, tanto no mercado europeu como no Médio Oriente", adianta o empresário.

Uma última nota para referir que para desenvolver a "wonderwall" instalada no Santuário de Fátima, a Behind Solutions socorreu-se do "know-how" da empresa de soluções de engenharia para a indústria ESI, de quem é parceira e cujos três sócios, juntamente com Vítor de Castro Lopes, formam a sua estrutura accionista.

 

Projecto de estágio de três engenheiros, colegas de curso, a ESI, que tem também sede em famalicão, factura cerca de dois milhões de euros e emprega mais de duas dezenas de pessoas, todas com idades inferiores a 40 anos, metade dos quais tem formação ao nível da licenciatura ou superior.


(Notícia actualizada às 11:12)




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub
pub