Banca & Finanças Novo Banco: Centeno não espera "nos primeiros tempos" impacto no défice e na dívida

Novo Banco: Centeno não espera "nos primeiros tempos" impacto no défice e na dívida

O ministro das Finanças acredita que "nos primeiros tempos" não haja impacto no défice e na dívida por causa do mecanismo de partilha de riscos do Novo Banco. Mas admite que há "essa contingência", que será avaliada anualmente na elaboração do Orçamento.
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Maria João Gago 12 de abril de 2017 às 12:35

O ministro das Finanças acredita que "nos primeiros tempos" não haja impacto no défice e na dívida por causa do mecanismo de partilha de riscos do Novo Banco. Mas admite que há "essa contingência", que será avaliada anualmente na elaboração do Orçamento.

 

Mário Centeno admitiu esta quarta-feira no Parlamento que o mecanismo de partilha de riscos dos activos problemáticos do Novo Banco com a Lone Star pode ter impacto no défice e na dívida públicos. Isto porque o Estado, através do Fundo de Resolução, pode vir a injectar 3.890 milhões de euros para compensar prejuízos naquela carteira.

 

"O impacto futuro no défice e dívida será o que resultar da aplicação do mecanismo [de partilha de riscos]. Como existe uma almofada de capital [no Novo Banco] não se espera que nos primeiros tempos, nos primeiros meses e trimestres, exista essa contingência", afirmou o Ministro.

 

Centeno revelou que está previsto que a possibilidade de o Fundo de Resolução ter de injectar dinheiro no Novo Banco "seja revista anualmente, de forma a permitir que, na preparação do Orçamento do Estado de cada ano se consiga fazer previsão dessas necessidades. Isto dá previsibilidade e transparência a todo o processo", justificou, em resposta a Cecília Meireles, do CDS.

 

"As expectativas que existem face aos primeiros tempos é que não é necessário nenhuma injecção de capital [a assegurar pelo Fundo de Resolução] e que haja impacto no défice e na dívida. Temos de seguir esta questão nos próximos tempos", admitiu.


(Notícia actualizada às 12:51)

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mais votado Anónimo 12.04.2017

O PS nunca espera "nos primeiros tempos" que o excedentarismo, a rigidez do mercado laboral, o esquema em pirâmide das prestações sociais públicas, o despesismo keynesiano, o sindicalismo marxista, o neoludismo tecnofóbico, os resgates aos bancos falidos, as pensões vitalícias dos deputados, etc., tenham impacto no défice e na dívida. O que é certo é que nos segundos, terceiros ou quartos tempos, e por ai adiante, um impacto muito negativo aparece sempre.

comentários mais recentes
Anónimo 12.04.2017

A protecção do excedentarismo, extorsionista por natureza, é feita sempre pelos mesmos grupos de interesse que vêem o posto de trabalho como um direito humano inalienável mas alheio às reais condições de oferta e procura de mercado. Organizações empresariais e os próprios Estados vão à falência por causa disso.

Anónimo 12.04.2017

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que quando associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade. Assim ocorrem as chamadas "fuga de cérebros" e "fuga de capitais", claro. Os postos de trabalho ficam ocupados para a vida por quem não sabe produzir ou criar valor algum e ainda lhes dão progressões automáticas quando o que devia ser automático era a própria realização de tarefas que justificam a existência do posto de trabalho.

Anónimo 12.04.2017

Se o governo decreta que não existem excedentários e que os empregos no Estado são garantidamente vitalícios e sempre a subir, é óbvio que os bancos ganham logo um universo de potenciais clientes no mercado do crédito ao consumo e à habitação sem paralelo. Os custos financeiros e de oportunidade dessa imprudência lunática não desaparecem. Simplesmente são gradual e temporariamente transferidos para os agentes económicos com capacidade para criar valor através do investimento, da inovação e do empreendedorismo. O país empobrece e perde autonomia e sustentabilidade económica e financeira. No curto prazo, algumas gerações actuais de agentes económicos dos sectores ligados ao excedentarismo de carreira sindicalizado ou independente, ao capitalismo de compadrio, ao tresloucado keynesianismo despesista e ao sindicalismo radical de inspiração marxista acumulam algum bem-estar temporário enquanto este processo de extracção de valor do Estado, da economia e da sociedade avança e se consolida.

Anónimo 12.04.2017

Do ponto de vista de um tradicional banco de retalho, que risco existe em emprestar a 200 ou 300 mil excedentários blindados face à real procura e oferta de mercado motivada pelos avanços tecnológicos, a globalização e as alterações nos hábitos, gostos, necessidades e expectativas de todos os agentes económicos? E aos muitos milhares de pensionistas que anteriormente passaram incólumes por essa mesma situação de excedentarismo protegido e principescamente remunerado? A banca de retalho fomenta e vive do excedentarismo a par com o capitalismo de compadrio subsidio dependente e os políticos eleitoralistas irresponsáveis. Se a jurisdição em causa, por acréscimo, não tem mercado laboral flexível nem mercado de capitais, o melhor talento e investimento perde-se na íntegra. Sobram os resgates cíclicos, as bolsas perfeitamente evitáveis de pobreza endémica, o atraso, a irrelevância e dependência extremas enquanto povo, cultura e sociedade no contexto do mundo desenvolvido.

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