Banca & Finanças Novo Banco recolhe intenções para solução do papel comercial na próxima semana

Novo Banco recolhe intenções para solução do papel comercial na próxima semana

Na próxima semana, o Novo Banco irá começar a recolher as intenções de adesão à solução promovida pelo Governo e pelos reguladores para os clientes com papel comercial do GES. As respostas terão de vir até 5 de Maio.
Novo Banco recolhe intenções para solução do papel comercial na próxima semana
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 11 de abril de 2017 às 13:48

A implementação de uma solução que reduza as perdas para os clientes do antigo Banco Espírito Santo com papel comercial das sociedades falidas do Grupo Espírito Santo dá novos passos na próxima semana.

 

Segundo informações recolhidas pelo Negócios junto de fontes próximas do processo, na próxima semana a instituição financeira presidida por António Ramalho irá começar a contactar os cerca de 2.000 clientes que subscreveram, em 2013 e 2014, títulos de dívida de curto prazo da Espírito Santo International e da Rioforte, de que nunca foram reembolsados. Essa é a intenção do grupo de trabalho ainda que se admita, dentro do próprio grupo, que esse trabalho possa "escorregar" por uma semana.  

 

Nesse contacto, o Novo Banco irá recolher as intenções de adesão à solução promovida pelo Governo (representado por Diogo Lacerda Machado), pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e pelo Banco de Portugal. Esse formulário irá acompanhado por um guia simplificado com a explicação do processo e com FAQ, com perguntas e respostas sobre o tema.

 

Os investidores terão, depois, até 5 de Maio para informar sobre a intenção de adesão, para que o grupo de trabalho perceba se faz sentido avançar com a solução. "A implementação da presente solução fica dependente de os investidores não qualificados do papel comercial aderentes representarem mais de 50% das aplicações que representem mais de 50% do capital investido", indicava já o modelo de solução, divulgado em Dezembro passado. O volume de aplicações que podem ser candidatas à solução ascende a 434 milhões de euros mas a adesão é voluntária. Assim, só cumprindo estas percentagens é que o processo segue em frente.

 

Para já, há já um ligeiro atraso face ao revelado por António Costa aquando do anúncio da solução. O grupo de trabalho esperava os contratos de adesão até ao final de Março, com a subscrição a decorrer em Abril, para que a primeira prestação pudesse ser paga em Maio. Agora, de acordo com os prazos em cima da mesa, a primeira tranche deverá chegar no final de Junho ou princípio de Julho, como tinha sido já noticiado pelo Público.

 

Qual é a solução

 

Entretanto, a operacionalização da solução ainda está a ser feita. Há duas semanas, no Conselho de Ministros de 30 de Março, foi aprovado o regime dos fundos de recuperação de créditos, de modo a criar um enquadramento legal que permita a constituição do mecanismo usado na solução. O diploma ainda não foi ainda publicado nem promulgado.

Este fundo irá ser composto pelo papel comercial da ESI e Rioforte, sendo responsável por reclamá-lo nas insolvências que estão em curso no Luxemburgo. O mesmo fundo irá ser detentor de créditos contingentes e futuros – com base em processos judiciais que visam a má conduta do BES na comercialização dos produtos; com base em eventuais processos indemnizatórios sobre a gestão; e ainda com base na legislação comunitária e na auditoria feita pela Deloitte, que obriga o Fundo de Resolução a reembolsar 31,7% do investimento.

 

Contudo, estes são créditos que não dão receita imediata, pelo que terá de ser solicitado um empréstimo para promover o pagamento da primeira tranche aos clientes em causa. Não se sabe como será feito, sendo que foi já noticiado pelo Público que poderá haver uma garantia estatal de 258 milhões de euros. Desconhece-se o impacto nas contas públicas da solução. 


Certo é que os investidores não têm, com esta solução, direito a todo o capital aplicado no papel comercial. A solução assegura que quem investiu até 500 mil euros vai receber até 75% do capital investido, sendo que nunca num valor superior a 250 mil euros; quem aplicou mais de 500 mil euros só irá receber metade do investimento. Uma divisão que já levou à constituição de uma nova associação que representa os clientes de maior montante.



(Notícia actualizada às 15:20 com mais informações sobre os prazos e o processo de recolha de intenções)




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mais votado Anónimo Há 1 semana


REALIDADE

Buraco Anual da CGA = Buraco do Novo Banco

(Este buraco é tapado com o dinheiro sacado aos outros portugueses, através dos sucessivos aumentos de impostos).

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Aguem me sabe explicar se os pequenos acionistas tambem fazem parte deste esquema ?

Anónimo Há 1 semana

Quem ainda não tivesse percebido que o crédito bancário a empresas privadas e a particulares não pode ser concedido sem se aferir a real capacidade dos potenciais devedores para pagar as suas dívidas e a capacidade da economia para promover as condições de equidade e sustentabilidade, assentes nas tendências nos mercados domésticos e mundiais, que permitam pagá-las, percebeu agora que a CGD vai desvincular-se por imposição da UE com milhares de extractores de valor assalariados e o Novo Banco, por imposição dos novos donos Norte Americanos, peritos na boa gestão que só o combate ao excedentarismo consegue materializar, vai fazer o mesmo. Resta também que se comece a ter igual entendimento e sensibilidade em relação ao crédito concedido a todo o sector público. Isso implicará sempre a capacidade para despedir onde é preciso despedir, investir na tecnologia onde se tem que investir e deixar de tratar a oferta e procura reais como se não existissem ou fossem opcionais.

Anónimo Há 1 semana


As pensões antigas foram calculadas com base em perspectivas de crescimento do PIB, de 3% ao ano!

Como os Governos não querem mexer nas pensões em curso, são os mais novos quem paga (por isso emigram).

Anónimo Há 1 semana


REALIDADE

Buraco Anual da CGA = Buraco do Novo Banco

(Este buraco é tapado com o dinheiro sacado aos outros portugueses, através dos sucessivos aumentos de impostos).

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