Telecomunicações Novo plano da Oi dificilmente será aprovado este ano

Novo plano da Oi dificilmente será aprovado este ano

As mudanças no plano de recuperação da Oi aprovado pelo conselho na quarta-feira reduziram drasticamente as hipóteses de resolução neste ano, disseram duas pessoas directamente envolvidas nas negociações entre a empresa de telecomunicações e os credores.
Novo plano da Oi dificilmente será aprovado este ano
Reuters
Bloomberg 25 de novembro de 2017 às 14:00

Os detentores de títulos viram as mudanças como cosméticas e receberam-nas com desdém, disseram as pessoas, que não quiseram identificar-se porque as discussões são confidenciais. O plano revisto inclui um novo prazo para o pagamento de uma taxa de adesão para os credores que quiserem participar da capitalização da empresa e limita o montante da contribuição.

 

Os novos termos não alteraram os principais pontos do plano, que ignoram os credores e favorecem os accionistas, disseram as pessoas. A gestão da Oi, os principais grupos de credores e o governo brasileiro continuam a negociar uma solução para os 19 mil milhões de dólares em dívidas da empresa. A assembleia geral de credores, programada para 7 de Dezembro, será provavelmente adiada para Fevereiro para dar tempo ao governo para reestruturar o pagamento de 11 mil milhões de reais (3,4 mil milhões de dólares) devidos pela Oi à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), disseram as pessoas.

 

"O plano proposto pelo conselho tem muitos problemas que o tornam inviável para a empresa", disse Corrado Varoli, CEO do G5 Evercore, que representa um grupo de detentores de dívida na disputa, em declaração enviada por e-mail. "Nenhum desses problemas foi resolvido com as mudanças mais recentes."

 

Alguns membros do conselho da Oi, que aprovou as mudanças, acreditam ter dado um passo significativo para a aprovação do plano pela Anatel, segundo outra pessoa próxima ao assunto.

 

A assembleia geral de credores da Oi já foi adiada três vezes devido a divergências entre as partes envolvidas. Na semana passada, o tribunal que preside o processo de recuperação judicial mandou um duro recado: se os administradores continuarem a agir para limitar a capacidade da directoria de negociar com credores, e a empresa não conseguir chegar a um acordo viável, o juiz considerará a possibilidade de colocar em votação o plano alternativo apresentado pelos credores, deixando de lado a proposta da operadora.

 

A ideia de uma proposta alternativa preparada pelos grupos de credores e pela directoria da Oi está a ganhar força, mas o conselho, que é controlado pelas accionistas Pharol SGPS e Société Mondiale, de Nelson Tanure, recusa-se a negociar um plano que resultaria numa diluição significativa, disseram as pessoas.

 

A Oi, a Société Mondiale e o Moelis, que representa outro grupo de credores, preferiram não comentar. A Pharol não tinha comentário imediato a fazer sobre o assunto.

 




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