Bolsa O ano do cão traz repetentes em bolsa. E pelos piores motivos

O ano do cão traz repetentes em bolsa. E pelos piores motivos

No horóscopo chinês, 2018 será o ano do cão – o novo ano decorre entre 16 de Fevereiro de 2018 e 5 de Fevereiro de 2019. E se no Ocidente o cão simboliza a lealdade, sendo considerado o melhor amigo do homem, na astrologia chinesa já não é tanto assim, uma vez que os nativos deste signo podem revelar-se imprevisíveis.
O ano do cão traz repetentes em bolsa. E pelos piores motivos
Reuters
Carla Pedro 08 de dezembro de 2017 às 10:00

Por cá, o cão é um animal que personifica a confiança e o compromisso, mas existem muitos provérbios que nem sempre o colocam no patamar de nosso melhor amigo, nem dignificam a forma como devem ser tratados, como "dia de cão", "abaixo de cão" ou "vida de cão". Mas há mais referências a este animal de quatro patas, como a expressão anglo-saxónica ‘it’s raining cats and dogs’, que é usada quando chove torrencialmente.

 

E o cão tem também as suas referências nos mercados e nas empresas.

 

No universo empresarial, o Boston Consulting Group (BCG) chama de "cão" a uma unidade de negócio que ainda só tem uma pequena quota de mercado num sector já maduro – é uma das quatro categorias (ou quadrantes) da matriz de crescimento de quota desenvolvida na década de 1970 pelo BCG.

 

Por sua vez, em bolsa, o termo cão refere-se a uma acção que está a ter um mau desempenho crónico, podendo assim penalizar toda a performance de uma carteira de títulos. E são estes cães que mereceram especial atenção da Bloomberg, uma vez que foram goradas as expectativas feitas há precisamente um ano.

 

E porquê? Porque, segundo a agência noticiosa, muitos dos títulos com pior desempenho em 2016 prometiam vir a brilhar este ano. Mas tal não aconteceu: muitos deles vão ser repetentes na sua fraca performance, já que este ano pioraram as suas prestações em bolsa.

 

Um exemplo é o das acções classe C da Under Armour, que no ano passado afundaram perto de 40%, fazendo delas o quarto pior desempenho do índice Standard & Poor’s 500. Este ano esperava-se que a empresa de equipamento desportivo melhorasse, mas foi precisamente o contrário que sucedeu: segue a cair 54% no acumulado de 2017, sendo a cotada com pior prestação do S&P 500.

 

Assim, as projecções de Tom Nikic, analista do Wells Fargo que no final do ano passado reviu em alta a sua recomendação para a Under Armour, que colocou em ‘outperform’ [desempenho acima da média], revelaram-se completamente erradas, destaca a Bloomberg.

 

Há mais exemplos. Um deles é o da TripAdvisor. Apesar de o seu website de viagens ser bem conhecido, essa fama não lhe tem estado a granjear bons resultados no mercado accionista. A TripAdvisor foi o título com pior performance em 2016, no S&P 500, e está a desapontar os investidores pelo segundo ano consecutivo, já que neste momento acumula uma queda de 25% em 2017.

 

A Bloomberg aponta outros exemplos, como o da Allergan. A fabricante de botox apresenta um saldo negativo de 20% este ano, depois do mergulho de 33% em 2016.

 

Esta situação é pouco comum, já que é costume os títulos com piores desempenho num ano melhorarem no ano seguinte, sublinha a Bloomberg. É a crer nessa tendência que muitos investidores seguem a estratégia "The Dogs of the Dow" ("Os Cães do Dow"), que consiste em comprar as 10 acções do índice Dow Jones com maiores rendibilidades de dividendos – o que acontece com as acções baratas.

 

Resta saber se quem foi cão dois anos seguidos conseguirá sair dessa matilha indesejável em 2018.




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