Empresas O dia em que o fogo destruiu o trabalho da vida inteira de Tomás Alves

O dia em que o fogo destruiu o trabalho da vida inteira de Tomás Alves

A Serração Progresso Castanheirense ficou completamente destruída pelo fogo, com os prejuízos a atingirem os quatro milhões de euros. "Foi um verdadeiro inferno", conta o empresário Tomás Alves.
O dia em que o fogo destruiu o trabalho da vida inteira de Tomás Alves
Reuters
André Cabrita-Mendes 23 de junho de 2017 às 17:30
A Serração Progresso Castanheirense foi uma das empresas afectadas pelos fogos em Castanheira de Pera, distrito de Leiria. As instalações da empresa ficaram completamente destruídas pelo fogo que começou às 19:30 de sábado, 17 de Junho, e prolongou-se pela noite dentro.

"Nunca joguei na lotaria, nunca pedi empréstimos, nunca tive um dia de férias. Tudo o que está ali foi primeiro feito pelas minhas próprias mãos. E depois com a ajuda dos meus trabalhadores e da minha família", contou ao Negócios o dono da empresa, Tomás Alves, esta sexta-feira, 23 de Junho.

Além das instalações, o fogo destruiu 10 toneladas de madeira e entre 7 a 8 camiões, assim como entre 7 a 8 máquinas para cortar e processar a madeira, segundo um balanço provisório feito ao Negócios pelo proprietário. 

A Serração Progresso Castanheirense, assim como uma empresa do filho de Tomás Alves, empregam cerca de 50 trabalhadores. A Serração factura anualmente cerca de dois milhões de euros. Além do mercado português, a empresa também exporta parte da sua produção para Espanha. 

O empresário conta que ainda conseguiu salvar dois dos camiões da empresa, cujo investimento ascendeu aos 200 mil euros. Em relação a seguros, Tomás Alves diz que tem alguns "segurozitos", mas que são de baixo valor. "É um seguro muito barato, mal dá para para limpar o terreno", reconhece.

O empresário conta que durante o incêndio nunca apareceram nem bombeiros nem Protecção Civil no local, mas calcula que esta ausência deva-se aos muitos fogos que começaram a lavrar durante o dia de sábado.

Habituado a fogos florestais todos os anos, Tomás Alves diz que nunca viu um fogo desta dimensão. "Foi um verdadeiro inferno", conta, comparando o incêndio com o fogo que saiu de um maçarico.

"Na segunda e na terça-feira estava muito desanimado", conta. "Mas com as horas a passar, e com alguns amigos a animarem-me, eu agora quero levantar esta empresa. Eu e a minha esposa somos pessoas de garra", diz Tomás Alves ao Negócios.

O ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, já visitou a empresa destruída esta semana. Em relação a ajudas, o empresário ainda não sabe de nada. "Se o Estado ou alguém nos ajudar nós vamos continuar de certeza. Se não houver ajuda, vai ter de ser com a prata da casa".

Os trabalhadores regressam ao trabalho na próxima segunda-feira, 26 de Junho, para começar a fazer limpezas. "Depois vamos pensar como é que vamos levantar de novo a empresa", garante Tomás Alves.



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mais votado Anónimo 23.06.2017

Vocês bancários subsidiados, tal como as legiões de excedentários de carreira da função pública a quem vocês concederam créditos avultados, já nos deram imenso prejuízo pois têm sido os grandes beneficiários da extorsão e pilhagem perpetrada ao Estado e à economia portuguesa desde há várias décadas. Os custos de oportunidade de ter que vos subsidiar são elevadíssimos e de muito difícil e remoto ressarcimento. Agora têm as vossas mãos manchadas de sangue.

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Anónimo 25.06.2017

Se cada excedentário de carreira sindicalizado que enviou barrinhas de cereais e garrafinhas de água tivesse sido despedido a tempo e horas, as máquinas para silvicultura e as aeronaves para apagar fogos existiriam em Portugal, estariam disponíveis e teriam actuado convenientemente.

Criador de Touros 23.06.2017

Parece que o presidente Marcelo ajudou a salvar um casal de idosos no incêndio, não conheço as circunstâncias do episódio, mas foi uma boa acção !!...Foi pena o presidente Marcelo não ter ido para bombeiro ou para a proteção civil, acho que tem muito jeito !!...

Anónimo 23.06.2017

Os Neros lusitanos geringonceiros estão loucos de contentamento. A austeridade acabou, mas orçamento para limpeza de matas junto a vias de comunicação e aviões apaga-fogos não há.

Anónimo 23.06.2017

A redução de custos anuais no sector público através do sistema de mobilidade especial ou requalificação dava para pagar uma frota de meios aéreos de combate e prevenção de incêndios todos os anos assim como a constituição e manutenção de um bom parque de maquinaria silvícola para limpar zonas problemáticas como a área envolvente daquela recta-crematório da morte.

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