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Os preços que vai enfrentar em 2018

Há, no início de cada ano, que fazer as contas às actualizações de preços. Veja o que mudou este ano.
Os preços que vai enfrentar em 2018
Negócios 01 de janeiro de 2018 às 18:47
Energia
Preço da luz no regulado desce em 18 anos

A factura da electricidade no mercado regulado em Portugal vai descer pela primeira vez em 18 anos. A descida de 0,2% da electricidade vai descontar nove cêntimos numa factura média mensal de 45,7 euros de uma família. A medida vai beneficiar mais de um milhão de consumidores no mercado regulado de electricidade.

A última descida tinha tido lugar no ano 2000 (de 0,6%). Nos últimos 10 anos as tarifas de electricidade subiram sempre anualmente. O aumento mais acentuado teve lugar em 2009 (mais 4,3%) e a menos acentuada em 2017 (de 1,2%).

Em 2018 haverá também mudanças para quem está no liberalizado. Aqui há operadores, como a EDP Comercial, que vão aumentar os preços. A EDP Comercial revelou que subiria os preços a partir de 18 de Janeiro em 2,5% e não vai ter tarifas equiparadas ao regulado, como a partir de 1 de Janeiro começou a ser aplicado. Também a Iberdrola não terá estas tarifas, e já revelou que também fará uma actualização nas tarifas de acesso.

A Goldenergy, por seu lado, garante que não vai mudar preços, e vai garantir aos seus clientes uma tarifa equiparada ao regulado. 

Desde 1 de Janeiro, os quase cinco milhões de consumidores domésticos de electricidade podem regressar às tarifas reguladas nos operadores que as ofereceram. Caso não as disponibilize, os consumidores poderão mudar para outro fornecedor que tenha estas tarifas, podendo cancelar os contratos sem custos. Simultaneamente as facturas da electricidade no mercado liberalizado vão passar a ter o valor que o consumidor pagaria pelo mesmo consumo no mercado regulado, sendo possível comparar a mais competitiva.

No gás natural, as tarifas entram em vigor a 1 de Julho, pelo que os novos preços só serão conhecidos mais tarde. 


Portagens
Circular nas auto-estradas será mais caro

As concessionárias de auto-estradas propuseram a actualização das taxas de portagem em 1,42% para 2018, tendo em conta o índice de preços ao consumidor de Outubro, excluindo habitação, que serve de referência ao aumento. 

As portagens na rede Brisa aumentaram neste primeiro dia do ano, em termos médios para todas as classes de veículos e trajectos, 1,47%, anunciou a empresa, salientando que cerca de 70% das taxas da classe 1 não terão actualização. No caso da classe 1, são 28 as taxas de portagem que foram actualizadas no início de 2018, de um total de 93.

A viagem pela A1 entre Lisboa e Porto ficou mais cara 45 cêntimos. Também na A2, entre Lisboa e Algarve, as portagens exigem mais 25 cêntimos. De acordo com a Brisa também na A3, entre Porto e Valença, as taxas foram actualizadas em 20 cêntimos e na A6, Marateca-Caia em 25 cêntimos.

Na A4, entre Porto e Amarante, a subida ficou-se pelos cinco cêntimos, o mesmo acontecendo no sublanço da A1 entre Alverca e Vila Franca e na CREL (A9).

Já a A5 Lisboa-Cascais não teve qualquer aumento de preço. Inalteradas ficaramainda, segundo a Brisa, as portagens nos sublanços da A1 Espinho-Carvalhos e entre as duas saídas de Vila Franca de Xira.

Já nas auto-estradas geridas pela Infraestruturas de Portugal, das 500 tarifas que as compõem, 161 subiram neste início de ano. Na A21, os preços não sofreram alteração.

No Túnel do Marão, de acordo com as novas tarifas, a travessia aumentou para três das quatro classes de veículos. Os da classe 1 passam a pagar 2,05 euros, os da classe 3 tiveram um acréscimo para os 4,6 euros e na classe 4 a subida foi para os 5,10. Apenas na classe 2 o valor manteve-se nos 3,55 euros.

Relativamente às ex-Scut, para os veículos da classe 1, apenas um troço da Costa da Prata registou uma subida, o mesmo acontecendo na concessão Grande Porto.

Na Via do Infante, são três os troços que sofreram acréscimos nas taxas, o que elevou a 8,85 euros o preço da portagem para os veículos da classe 1 que percorrem toda a A22.

Na concessão Interior Norte, teve lugar a actualização de quatro das taxas de portagem da classe 1 e na das Beiras Litoral e Alta em duas.

Quanto às subconcessões rodoviárias, no caso da do Baixo Tejo os preços para a classe 1 mantiveram-se nos 1,70 euros, na Litoral Oeste e na Transmontana teve lugar apenas a actualização de um troço, enquanto na Pinhal Interior são cinco os que sobem.



Veículos
Inflação dita subida da factura

O ano novo trouxe actualizações dos impostos relacionados com veículos, para reflectir a actualização da inflação. O imposto de circulação (IUC) aumentou 1,4%. Assim, um carro de 2008, a gasolina, com 1.300 de cilindrada e emissões de 140 gramas de dióxido de carbono por quilómetro, que pagou em 2017 152,16 euros, vai pagar em 2018, com a actualização, 154,29 euros. Mais 2,13 euros.

Nos combustíveis, o aumento do início do ano reflecte a actualização do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP)em 1,4%, mantendo-se o adicional aoISP no montante de 0,007 euros por litro para a gasolina e de 0,0035 euros para o gasóleo.

Contas feitas, à conta da actualização do ISP a gasolina aumenta 0,9 cêntimos por litro e o gasóleo 0,6 cêntimos por litro.

Para quem vai comprar carro, a actualização do Imposto Sobre Veículos (ISV), implica que, por exemplo, um Renault Clio TCe 90 a gasolina fique cerca de  2,60 euros mais caro do que em 2017. 


Transportes
Subida limitada a 2,5%

O Governo determinou que a percentagem máxima de aumento médio dos preços dos títulos dos transportes será este ano de 2%, mas definiu também que no máximo cada título não poderá ser actualizado acima dos 2,5%. 

A actualização das tarifas dos transportes públicos a partir de 1 de Janeiro de 2018 significou uma subida de 50 cêntimos no valor do passe Navegante Urbano, válido na Carris, Metro e CP na cidade de Lisboa, que passa a custar 36,70 euros por mês. O passe Navegante Rede, que permite viajar nas redes da Carris e do Metro assim como em percursos urbanos da CP, sobe 60 cêntimos, de 42,65 para os 43,25 euros. Aumento idêntico têm os outros passes intermodais, como sejam o L1, L12 e L123.

Apesar do aumento dos tarifários, o Executivo manteve a possibilidade de o IVA pago nos passes – que é de 6% – poder ser deduzido na totalidade no IRS, à semelhança do que aconteceu em 2017. Por outro lado, vai haver novos descontos. Em 2017, no início deste ano lectivo, entrou em vigor uma redução de 25% dos preços dos passes sub23, dirigido aos estudantes do ensino superior até aos 23 anos, sem condição de recurso. Em 2018, essa percentagem de desconto será aplicada também aos passes 4_18, para todos os estudantes entre os 4 e os 18 anos, mesmo os que não tenham apoio social. 


Rendas
Inquilinos vão pagar mais

As rendas são sempre actualizadas em função da inflação e, à medida que esta sobe, também crescem as rendas. 2018 traz os maiores aumentos desde 2013, mas que são ainda assim diminutos: 1,1%. É este o aumento que resulta da variação média de preços nos últimos 12 meses, medida em Setembro do ano anterior.

A nova renda será devida no mês em que foi assinado o contrato e não em Janeiro, excepto nas rendas anteriores a 1990. Segundo as estatísticas da Administração Tributária, há cerca de 700 mil inquilinos em Portugal. Para os inquilinos com rendas antigas, que estejam em processo de actualização extraordinária, este aumento anual não se aplica. 


Comunicações
Operadores não vão subir preços

No início de 2018, a Nos, a Nowo e a Vodafone Portugal não aumentam os preços dos serviços de telecomunicações. Já a Meo vai manter os valores para os serviços fixos, mas actualiza "alguns tarifários móveis pós-pagos". A decisão de não alterarem os preços acompanha a tendência registada por quase todos os operadores este ano. Em 2017 a Meo, Nos e Vodafone optaram por não aumentar os tarifários, depois de em 2016 terem actualizado por duas vezes. Já a Nowo subiu em cerca de 5% os preços no início do ano.

Fonte oficial da Altice adiantou que "a partir de 1 de Fevereiro de 2018" irá proceder "à alteração de condições apenas em alguns tarifários móveis pós-pagos, passando estes também a incluir o dobro dos minutos e dos sms que lhes são inerentes".

A Vodafone apontou que, "à data, não está prevista qualquer actualização de preços" para 2018, tal como a Nowo que não antecipa alterações. Já a Nos é mais assertiva: "não vai efectuar aumentos".

No que toca aos correios, até ao momento não é conhecida qualquer decisão. A actualização dos preços só costuma ser divulgada pelos CTT no final do primeiro trimestre. Nos últimos cinco anos, os CTT têm aumentado os preços para tentar combater o decréscimo das receitas derivado da queda acentuada do envio de correio tradicional. 


Alimentação e tabaco
Pão e bebidas sobem de preço

Segundo a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares, citada pela Lusa, o preço do pão deve subir 3 a 4%, depois de sete anos sem aumentos. O Correio da Manhã avançou que a carcaça em Lisboa passa a custar 24 cêntimos e no Porto 16 cêntimos. Pode haver ainda outros aumentos em virtude, até, da seca, mas a fixação depende das empresas.

No que respeita à actualização de preços, por via dos impostos, sabe-se já que as bebidas alcoólicas têm uma actualização de 1,4%, assim como as bebidas com adição de açúcar, que se estende em 2018 aos concentrados de fruta.

No tabaco, pode não haver subidas nos mais caros. As alterações levam a que só os maços até 4,70 euros é que terão de subir preços. 


Água
Conta igual no Porto e Gaia, desce em Braga

A actualização dos preços da água depende do município de residência. O tarifário de fornecimento de água e saneamento de águas residuais  no Porto "mantém-se inalterado para 2018". O mesmo acontecerá, por exemplo, em Vila Nova de Gaia, em Guimarães (pelo quarto ano consecutivo) e em Coimbra.

Entre os municípios onde a conta da água fica mais barata está Braga, que decidiu, pelo segundo ano consecutivo, fazer uma redução generalizada de 2,5%. Já em Gondomar, numa factura média de 10 metros cúbicos, ocorre um aumento de 37 cêntimos para consumidores não-domésticos, enquanto para os domésticos o acréscimo é de 18 cêntimos.

Em Lisboa, a maioria dos clientes da Empresa Portuguesa de Águas Livres (EPAL), que abastece Lisboa, tem um aumento médio de 43 cêntimos na factura mensal da água este ano. Uma actualização superior à efectuada em 2017, que se situou em 38 cêntimos.



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