Tecnologias OutSystems investe dez milhões para "tirar" software da mão dos informáticos

OutSystems investe dez milhões para "tirar" software da mão dos informáticos

A empresa liderada por Paulo Rosado prevê que este investimento, com apoios financeiros do Estado já garantidos, vai fazer subir as vendas fora de Portugal para 107 milhões de euros e criar quase 150 empregos até 2020.
OutSystems investe dez milhões para "tirar" software da mão dos informáticos
Paulo Rosado fundou a OutSystems em 2001, depois de vender a Intervento à Altitude Software.
Bruno Simão
António Larguesa 11 de dezembro de 2017 às 11:47

A tecnológica portuguesa OutSystems vai investir 10,4 milhões de euros num projecto de investigação e desenvolvimento (I&D), a concretizar em 2018, com o qual promete criar mais 148 postos de trabalho no espaço de três anos, dos quais 24 "altamente qualificados".

 

Com a designação "RADicalize", este projecto "pretende tornar real a disruptiva ideia de que o software das empresas e das organizações deve ser desenvolvido e modificado, de modo fácil e rápido, por quem conhece, de facto, o negócio e não por especialistas em informática".

 

Nas estimativas da empresa liderada por Paulo Rosado, o investimento vai catapultar as vendas anuais fora de Portugal para um valor acima dos 107 milhões de euros em 2019. No final do ano passado, o volume de negócios total rondava os 93 milhões de euros e empregava 347 funcionários em território nacional. Segundo fonte oficial, o número de colaboradores superou entretanto a meia centena.

 

"O projecto visa contribuir para a criação de importantes avanços técnico-científicos, nomeadamente no que respeita às plataformas de desenvolvimento rápido de aplicações móveis empresariais, gerando valor e conhecimento para o país, em geral, e para as regiões de Lisboa e do Norte, em particular, numa área de elevada intensidade tecnológica e com um elevado potencial de evolução", lê-se num despacho publicado esta segunda-feira, 11 de Dezembro, em Diário da República.

 

O diploma assinado pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, aprova a minuta final do contrato de investimento firmado entre a AICEP e esta empresa de software e de consultoria informática, que fechou os dez primeiros lugares do Ranking de Internacionalização das Empresas Portuguesas de 2017, liderado pela Inapa.

 

O despacho, com data de 16 de Novembro, refere, sem detalhar, que, "dado o seu impacto macroeconómico, considera-se que o projecto reúne as condições necessárias à concessão de incentivos financeiros previstos para os grandes projectos de investimento". O Negócios já questionou o Ministério da Economia sobre quais os apoios públicos previstos, aguardando ainda a disponibilização dessa informação.

 

De Linda-a-Velha à Austrália

 

Fundada em 2001 por Paulo Rosado, um alentejano de Évora que se licenciou em Engenharia Informática pela Nova de Lisboa e que começou a carreira na Oracle, em Silicon Valley, a OutSystems anunciou em Fevereiro de 2016 o fecho de uma ronda de financiamento superior a 50 milhões de euros com um fundo de capital de risco norte-americano North Bridge.

 

De acordo com os dados oficiais, a empresa de tecnologia está actualmente presente em 52 países, actuando com mais de duas dezenas de indústrias. Além do escritório português, localizado em Linda-a-Velha (Oeiras), tem instalações nos Estados Unidos (Atlanta e Boston), Reino Unido, Holanda, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Japão e Austrália.

Ao Negócios, através da assessoria de comunicação, a empresa de tecnologia recusou fazer comentários ou prestar mais esclarecimentos sobre este investimento, prevendo fazê-lo apenas depois de assinar efectivamente o contrato com a agência pública, o que "acontecerá muito brevemente".

A OutSystems foi uma das participantes num inquérito realizado há um ano pela Talent Portugal, em que várias empresas multinacionais se queixaram da falta de programadores de tecnologias de informação disponíveis no mercado português. Fluentes em línguas de nicho, engenheiros e falantes de língua francesa foram as outras competências em falta, detectadas pelas tecnológicas e pelos responsáveis dos centros de serviços globais instalados no país.




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Anónimo 12.12.2017

E gastam o dinheiro dos nossos impostos a financiar empresas com negócios lucrativos (para eles) e que produzem software que promove a degradação das tecnologias da informação, a incompetência e acima de tudo trava a inovação e criatividade. Haja dinheiro, que incompetência não falta.

Ciifrão 12.12.2017

A ideia é boa, importa não criar outra interface que precise de mais informáticos.

Anónimo 11.12.2017

Se o negócio é tão bom porque é que presisa de apoios do estado?????
Puta que vos pariu.

ricky 11.12.2017

Onviamente que faltam programadores dispostos a trabalhar sem horario por 500€/mes ... e digamos que quando os entrevistadores se apresentam de chinelos, tambem não ajuda

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