Banca & Finanças Paris quer 20 mil bancários do Reino Unido e planos de contingência aceleram

Paris quer 20 mil bancários do Reino Unido e planos de contingência aceleram

Enquanto os maiores bancos globais se preparam para anunciar as medidas de contingência para garantir o acesso ao mercado único, a capital francesa não desiste de tentar atrair parte dos profissionais do sector financeiro no pós-Brexit.
Paris quer 20 mil bancários do Reino Unido e planos de contingência aceleram
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 03 de janeiro de 2017 às 12:24

O sector financeiro instalado na capital francesa espera conseguir atrair 20 mil profissionais da banca no rescaldo da saída do Reino Unido da União Europeia, numa altura em que os bancos em solo britânico aceleram os planos de contingência para o caso de perderem acesso ao mercado único com o Brexit.

A menos de três meses do prazo-limite estabelecido pelo Governo de Theresa May para desencadear o processo formal de desvinculação da UE, o lobby de desenvolvimento da praça financeira de Paris, o Europlace, vai tentar convencer a praça britânica da conveniência de estabelecer os seus serviços na cidade-Luz.

Numa série de encontros previstos para o mês que vem, esgrimir-se-á com Frankfurt – outra das possíveis novas casas para os profissionais da finança -, apresentando-se como o maior mercado europeu para transacção de dívida e o segundo maior destino de gestores de activos. Além disso, apresenta como vantagem o facto de os serviços dos maiores bancos estarem concentrados na capital – enquanto na Alemanha estão dispersos por todo o território.

Mas, recorda a Bloomberg, Paris tem menor presença dos grandes bancos internacionais do que os seus concorrentes nesta corrida, além de que a posição de França entre os melhores centros mundiais financeiros (29.º lugar) deixa a desejar e a legislação laboral é vista como pouco flexível para as necessidades específicas deste sector.

Entretanto, os maiores bancos preparam-se para decidir planos de contingência que assegurem o seu acesso aos restantes mercados da União Europeia no caso de se cortarem os laços com o mercado único, transferindo actividades para a Europa Continental.

"Há grandes bancos a terminar os seus planos para anúncios que farão este ano", disse ao The Guardian o director da PwC para o Brexit, Andrew Gray, antecipando que essa publicitação aconteça já em Fevereiro para dar tempo às instituições para os procedimentos burocráticos de instalação nos mercados europeus.

"As decisões serão tomadas no primeiro semestre do novo ano. (…) Vemos as instituições a acelerarem o seu processo de análise," acrescenta Arnaud de Bresson, o director da francesa Europlace, em entrevista à Bloomberg.

As instituições têm avisado que podem transferir operações e reduzir a actividade e a autoridade financeira londrina, a City of London Corporation, pede a May que seja rápida no processo de transição, sob pena de atrasar decisões de investimento. No ano passado, a  PwC estimava que a praça Londrina viesse a perder 10 mil empregos até 2020, enquanto o país emprega 2,2 milhões de pessoas na área financeira.


O Lloyds está a estudar a possibilidade de criar uma subsidiária na Europa continental para manter os seus clientes de retalho na Holanda e Alemanha. Já o espanhol Santander desistiu de separar as suas unidades de negócio de crédito ao consumo e de banca empresarial no Reino Unido (medida que pretendia responder às exigências de controlo de riscos do Banco de Inglaterra), ganhando maior flexibilidade para poder transferir parte das operações para fora do Reino Unido na sequência do Brexit.

Theresa May tem dito que quer alcançar o melhor acordo possível para os bancos, embora os seus ainda parceiros da UE já tenham avisado que a negociação não poderá ser de "cherry picking", mantendo apenas as condições que mais convêm ao Reino Unido no futuro modelo de relacionamento com os 27.

"Isto é uma negociação. Não é apenas sobre o que o Reino Unido quer. A UE a 27 tem de pensar cuidadosamente no que também está em jogo no seu caso," avisa o director de política e estratégia na CityUK em declarações ao The Guardian. Gary Campkin, lembrando que a Europa continental continuará a tirar vantagens de manter relações com a City londrina.

Já o Banco de Inglaterra deixa o alerta: os países da Europa continental, ávidos em receber os despojos do Brexit, podem perder a corrida para a praça nova iorquina. Ao passo que a associação de banqueiros britânicos só pede que a transição seja o mais tranquila possível, protegendo os interesses dos clientes. 




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comentários mais recentes
Anónimo 03.01.2017

Paris e a Alemanha vão ser os grandes ganhadores com a saída da Inglaterra da União Europeia. O Mundo está numa mudança constante e é preciso acompanhar o seu andamento.

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