Banca & Finanças Passos acusa Governo de "mandar passar cheques" que portugueses terão de pagar

Passos acusa Governo de "mandar passar cheques" que portugueses terão de pagar

O presidente do PSD acusou hoje o Governo de "mandar passar cheques" que os portugueses terão de pagar e defendeu que o parlamento terá de se pronunciar sobre a renegociação dos empréstimos ao Fundo de Resolução.
Passos acusa Governo de "mandar passar cheques" que portugueses terão de pagar
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 19 de julho de 2017 às 21:50

Na apresentação da candidatura de Teresa Leal Coelho à Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Passos Coelho deixou esta nota de política nacional e salientou que, quando foi anunciada essa renegociação dos empréstimos, o PSD "chamou a atenção" para as consequências negativas que teria para os contribuintes.

 

Na terça-feira, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) concluiu que a revisão das condições do empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução bancário piorou as condições para o Estado, traduzindo-se num valor actualizado líquido negativo de cerca de 630 milhões de euros, valor que o líder do PSD considerou ser "conservador", dizendo que poderá ser o dobro.

 

"Ainda não se ouviu uma palavra de explicação sobre isto, é tão fácil estar no Governo, passar o cheque quando sabemos que não somos nós a pagar, são os outros. São os contribuintes, é um bocadinho a cada", ironizou Passos.

 

Por este motivo, explicou, o PSD apresentou hoje no parlamento um projecto que recomenda ao Governo que renegoceie as condições destes empréstimos do Estado ao Fundo de Resolução, com o objectivo de "obrigar o parlamento a pronunciar-se sobre esta matéria".

 

"Sempre que alguma matéria incomoda é silenciada pelo governo e pela maioria, não querem que as coisas sejam faladas, assobiam para o lado", criticou, acrescentando que, quando for necessário pagar o cheque, "com sorte já ninguém se lembra quem o mandou passar".

 

A este propósito, Passos lamentou que haja quem entenda tal atitude como "prova de genialidade política" e fez uma referência implícita ao Governo socialista de José Sócrates. "Tivemos vários génios políticos ao longo do tempo que mandaram passar o cheque até não haver dinheiro para pagar nada. Alguns estão hoje no Governo, na hora difícil ninguém os viu", criticou.

 

Passos Coelho defendeu outra maneira de estar na política, em que se explique quais são as opções do que se faz e do que se deixe de fazer. "Não há negócios da China, ou não devia haver na política, na economia, no país, as coisas resultam sempre ou devem resultar de escolhas conscientes, não conseguimos ter tudo o que queremos, temos de escolher o que é prioritário", defendeu.

 

No projecto de resolução hoje entregue no parlamento, os sociais-democratas pedem ao Governo que renegoceie os empréstimos relativos ao Novo Banco e ao Banif acordados em 10 de Fevereiro "em termos e condições que - na conjugação do prazo do empréstimo, escalonamento dos reembolsos de capital e taxa de juro - assegurem que o valor actualizado dos pagamentos de capital e juros dos empréstimos que o Estado recebe seja pelo menos igual ao valor emprestado pelo Estado".

 




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mais votado Anónimo Há 2 dias

Sou obrigado a pagar através de comissões, contribuições e impostos o nível de vida passado, actual e futuro de 2200 assalariados da CGD que não são lá precisos para nada. O sindicato deles, o Sindicato Bancário do Sul e Ilhas (SBSI), já analisou os termos oferecidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no programa de “Revogações por Mútuo Acordo”, divulgado na última semana de Junho aos trabalhadores do grupo público. E a sentença é negativa: “As condições propostas aos trabalhadores ficam aquém das expectativas.” E agora pergunto eu, quem regula e supervisiona estas criaturas? As do escândalo CGD e de outros escândalos semelhantes. Há muitos casos destes nas organizações portuguesas. Tem sido o pão nosso de cada dia. Queriam continuar a dar-me deste pão que o diabo amassou?

comentários mais recentes
ahah Há 2 dias

Possa .... o Anónimo que enche de longos comentários este espaço muitas vezes repetidos em diversas noticias, devia ter a noção de q ninguém tem pachorra e tempo para ler aquelas longas teorias, escreva um livro mas deixe espaço para outros comentarios, eu já passo por eles sem sem parar

pertinaz Há 2 dias

ESPERO QUE SEJAM CHEQUES SEM COBERTURA... ESTOU FARTO DE PAGAR AS CONTAS DESTA ESCUMALHA...!!!

Anónimo Há 2 dias

O problema de economias como a portuguesa é terem, por um lado, empregados a mais a ocupar postos de trabalho que não se justificam, com todos os elevados custos de oportunidade que isso representa para a sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade. Estes agentes económicos pertencem à esfera da extracção de valor. Por outro lado, terem relativa e proporcionalmente poucos empregados a ocupar postos de trabalho justificáveis e que criem valor excepcional. Estes agentes económicos pertencem à esfera da criação de valor. Há efectivamente um desequilíbrio muito pronunciado entre criação de valor e extracção de valor na economia portuguesa. O IMD explica-nos isso muito bem. http://www.imd.org/news/is-value-extraction-viable.cfm

Anónimo Há 2 dias

O sindicalismo defensor do excedentarismo e do sobrepagamento deve ser totalmente suspenso ad eternum. Está a secar a sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e os garantes e sustentáculos da equidade e igualdade de oportunidades na sociedade portuguesa.

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