Banca & Finanças Passos acusa Governo de ter criado "ficção" sobre prejuízos da CGD

Passos acusa Governo de ter criado "ficção" sobre prejuízos da CGD

O líder do PSD acusou na sexta-feira o Governo de ter criado "uma ficção" sobre a origem dos prejuízos da Caixa Geral de Depósitos e salientou que o executivo ainda não colocou "um euro de dinheiro fresco" no banco público.
Passos acusa Governo de ter criado "ficção" sobre prejuízos da CGD
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 11 de março de 2017 às 11:45

Num discurso perante algumas centenas de mulheres social-democratas, em Lisboa, Pedro Passos Coelho reagiu à notícia de que os prejuízos da CGD ascenderam em 2016 a 1.859 milhões de euros e de que o aumento de capital do Estado será de 2.500 milhões de euros.

 

Apontando a situação da Caixa como "uma área onde é bem visível a ficção" criada pelo Governo do PS, o líder do PSD salientou que a única parte da capitalização que já foi feita foi com dinheiro deixado pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

 

"Até hoje o Estado não pôs um euro fresco dentro da Caixa Geral de Depósitos", criticou.

Por outro lado, Passos Coelho contestou o argumento do Governo de que os prejuízos da Caixa são elevados porque o anterior executivo "andou a esconder a situação" do banco público.

 

"Qual situação? A que nos deixaram em 2011. Os socialistas hoje culpam-nos por não termos limpo mais imparidades daquilo que foram os anos de gestão socialista", disse, apontando que foi antes de o PSD chegar ao Governo que foi concedido o crédito de risco no banco público

 

"Se o Estado vai meter [na Caixa] 2,5 mil milhões de euros, isso deve-se a, na gestão anterior a 2011, se ter concedido crédito com risco a mais", afirmou, defendendo que "essa é a primeira coisa que os portugueses têm de ouvir".

 

Num discurso de cerca de 45 minutos, Passos Coelho precisou que, enquanto o PSD e o CDS-PP estiveram no Governo, a CGD reconheceu quase 5 mil milhões de euros de imparidades, relativos a créditos atribuídos antes de 2011, imparidades que atingiam os 20 mil milhões de euros no conjunto do sistema financeiro.

 

"O que é que o PS queria? Que em quatro anos tivéssemos reconhecido as imparidades todas que geraram enquanto foram governo, que impuséssemos aos portugueses ainda mais sacrifícios?", questionou, defendendo que no seu executivo a situação do sistema financeiro "melhorou de forma impressiva".

 

O líder do PSD disse ainda que, na actual comissão de inquérito parlamentar sobre as necessidades de recapitalização da CGD, o grupo parlamentar do PS quer impedir o apuramento de responsabilidades da atribuição do crédito de risco "porque querem atirar a culpa para o PSD".

 

A Comissão Europeia autorizou na sexta-feira a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3,9 mil milhões de euros, após concluir que a operação não constitui um novo auxílio a favor do banco público.

 

"O plano de negócios apresentado por Portugal prevê uma transformação estrutural da CGD e permitirá ao banco tornar-se rentável a longo prazo. A nossa apreciação revelou que o Estado português, enquanto accionista único da CGD, investe nas mesmas condições que um proprietário privado estaria disposto a aceitar. Por conseguinte, a recapitalização pelo Estado não constitui um novo auxílio estatal", anunciou a comissária da Concorrência, Margrethe Vestager.

 

Também na sexta-feira, o Ministério das Finanças disse que o aumento de capital na CGD será de 2.500 milhões de euros, porque os prejuízos divulgados hoje pelo banco público, apesar de recorde, estão abaixo do previsto.

 

A CGD divulgou na sexta-feira um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, mais de dez vezes superior aos resultados negativos de 171,5 milhões registados em 2015.

 

O aumento de capital é a próxima fase do processo de recapitalização do banco, depois da transferência, em Janeiro, da transferência de acções da ParCaixa para a CGD no valor de 500 milhões de euros e de instrumentos de capital contigentes (CoCo) subscritos pelo Estado, incluindo juros corridos e não pagos, no valor de 945 milhões de euros, recorda a tutela.

 

 


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Anónimo 12.03.2017

A bomba dos 10 mil milhões, está a estoirar, é nas mãos do vizinho da China!!! Até o Ralha (sindicalista) se apressa a justificar que não há fuga a impostos. Foi uma inventona "governamental" por encomanda!!!

Anónimo 11.03.2017

Nas o Passos Coelho ainda está na Assembleia da República? ... a ser pago com o n/ dinheiro? Ainda não está a trabalhar, a produzir?---- Ah ... pois é, ... mas ele não sabe o que é isso!... POR FAVOR ... desapareça e vá trabalhar e deixe os seus colegas trabalharem!!!....

Anónimo 11.03.2017

Para quem deixou o sistema bancário no colapso não está nada mal, não senhor.

Anónimo 11.03.2017

Quem ainda não tivesse percebido que o crédito bancário a empresas privadas e particulares não pode ser concedido sem se aferir a capacidade dos potenciais devedores para pagar as suas dívidas e a capacidade da economia para promover as condições de equidade e sustentabilidade, assentes nas tendências de mercado, que permitam pagá-las, percebeu agora. Resta também que se comece a ter igual entendimento e sensibilidade em relação ao crédito concedido a todo o sector público.

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