Empresas Pedalar nas bicicletas partilhadas em Lisboa vai custar 36 euros por ano

Pedalar nas bicicletas partilhadas em Lisboa vai custar 36 euros por ano

A EMEL deverá cobrar 10 euros por um bilhete diário, enquanto um passe anual deverá rondar os 36 euros. Segundo contas da empresa, o sistema de bicicletas partilhadas pode gerar receitas acima de 10 milhões de euros.
Pedalar nas bicicletas partilhadas em Lisboa vai custar 36 euros por ano
Simon Dawson/Bloomberg
André Cabrita-Mendes 10 de Fevereiro de 2016 às 18:00
Pedalar pelas ruas de Lisboa deverá custar 36 euros ao ano, o valor equivalente ao passe Navegante, que permite andar de Metro e Carris durante um mês.

Este valor está previsto no plano de negócios do Sistema de Bicicletas Públicas Partilhadas (SBPP) para a cidade de Lisboa, a que o Negócios teve acesso.

O plano foi criado no âmbito do 
concurso público no valor de 28,9 milhões de euros lançado em Outubro pela EMEL - Empresa Pública Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa que pretende contratar uma empresa para fornecer as bicicletas e gerir a rede. 

Quanto é que vai custar andar de bicicleta em Lisboa?

Um bilhete diário vai custar 10 euros, enquanto um passe anual deverá rondar os 36 euros, o preço de um passe Navegante mensal.

Apesar de estes serem valores iniciais, tudo indica que poderão mesmo avançar. "Isto foi conversado com a Câmara de Lisboa, e tivemos por parte do executivo e da tutela uma primeira pré-validação. Não está completamente fechado, mas acreditamos que é por aqui", diz ao Negócios o administrador da EMEL, João Dias.

"A Câmara achou bem que um passe anual custe o mesmo que um passe mensal dos transportes públicos. É um valor razoável, porque também querem que a rede tenha adesão", destaca.

Como é que vai ser constituída a rede?

No total, vão existir 140 estações com 1.410 bicicletas na cidade de Lisboa. As estações estarão divididas por quatro zonas: Planalto Central (com 92 estações); Parque das Nações (15 estações); Eixo Central (6 estações); Baixa e frente ribeirinha (27 estações).


Qual o modelo de negócio deste sistema?

Existem vários modelos em todo o mundo, desde o completamente público até ao totalmente privado. Mas a EMEL optou por um sistema misto público-privado de prestação de serviços.

Isto quer dizer que a Câmara Municipal de Lisboa e a EMEL vão ficar responsáveis por planear a rede, mas o fornecimento de bicicletas e estações, assim como a operação, manutenção e gestão logística, ficam a cargo do prestador de serviços. Já a gestão de clientes, exploração de receitas tarifárias e do espaço publicitário, assim como a promoção e divulgação, ficam nas mãos da EMEL.

"Ficamos assim com total liberdade para gerir este instrumento de mobilidade, porque podemos alterar, rever o tarifário, adaptar à procura, à evolução da rede ou aos eventos extraordinários. Se fosse uma concessão, ficaríamos amarrados", explica João Dias.

"Para além disso, no modelo de concessão eu perderia a flexibilidade deste sistema. E aqui, por exemplo, ao gerir os dados dos clientes, eu consigo ajustar a oferta", sublinha.

Assim, no modelo de prestação de serviços, o potencial de receitas, tanto do tarifário como de publicidade, pertence à EMEL. Ao mesmo tempo, a propriedade dos equipamentos vai permitir a candidatura deste projecto a apoios de fundos comunitários.

Mas o sistema vai gerar receitas?

A EMEL estima que sim. De duas formas: a primeira, através da venda dos passes anuais (36 euros) e dos bilhetes diários (10 euros); A segunda, através da publicidade, onde a EMEL prevê ganhar 350 euros anuais por bicicleta.

Quanto é que isto poderá render no total? A procura do sistema poderá render 897 mil euros por ano e mais de sete milhões ao final dos oito anos, isto num cenário central. Já a publicidade pode vir a render 401 mil euros anuais e mais de três milhões somando todos os anos de concessão. São mais de 10 milhões de receitas no total, no final dos oito anos previstos, segundo o cenário central.

E se estas receitas não chegarem para cobrirem os custos?

Então, a EMEL entra com as receitas de estacionamento. Mas quanto é que vai ser por ano? Num cenário conservador, a EMEL tem que contribuir com 1,7 milhões de euros. Num cenário central, 1,3 milhões. Num optimista, um total de 900 mil euros. Para ter uma ideia, em 2014, por exemplo, a empresa teve receitas totais de 28 milhões de euros. "São receitas de estacionamento da EMEL, não vai sair do orçamento da câmara municipal", afirma João Dias.

Mas isto dá mais de dois mil euros por bicicleta ao ano...


Esta era precisamente uma das críticas do vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, que tinha também já pedido para consultar este plano de negócios.

Assim, para calcular os valores adequados a pagar, a EMEL recorreu a uma "bíblia" destes sistemas de partilha: o estudo OBIS - Optimising Bike Sharing in European Cities - A Handbook publicado pela European Platform on Mobility Management (EPOMM).

Primeiro, os custos de implementação do sistema, correspondentes a 20% do custo total, devem situar-se nos 2.500 a 3.000 euros por bicicleta. Depois, os custos de operação, 80% do custo total, devem idealmente situar-se nos 1.500 a 2.500 euros anuais por bicicleta.

Mas a EMEL argumenta que, tendo em conta o valor médio das propostas apresentadas a concurso, os custos de implementação ficam em 2.906 euros por bicicleta, dentro dos valores de referência. Já os custos de operação, ficam nos 1.400 euros anuais por bicicleta, abaixo dos valores de referência.

Porque é que o primeiro concurso não funcionou?

O concurso foi encerrado porque os concorrentes "apresentaram problemas ao nível das formalidades que tinham de cumprir no concurso, coisas tão básicas como apresentar documentação não traduzida para português. E isto é motivo de exclusão", conta João Dias.

"Por estranho que pareça, o concurso veio abaixo por questões de natureza formal, da responsabilidade dos candidatos, que não acautelaram estas questões", explica.

Como aponta, o valor médio das 10 propostas relativo ao fornecimento dos equipamentos e operação durante oito anos foi 19% inferior ao valor, numa média de 19,3 milhões de euros.

Do total dos 28,9 milhões, o fornecimento dos equipamentos e operação é que tem previsto o maior valor base: 23,8 milhões de euros. Já em relação ao valor total, a média das propostas ficou nos 24,4 milhões, menos 4,5 milhões face aos 28,9 milhões máximos previstos.

Quando é que vai ser lançado o novo concurso?

Depois do primeiro concurso ter sido encerrado, o novo concurso, que vai decorrer nos mesmos moldes, vai ser lançado até ao final de Fevereiro. Depois, vai ser lançada a consulta pública para a publicidade no sistema. A EMEL prevê que o sistema venha a estar totalmente operacional na Primavera de 2017.




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comentários mais recentes
FDP 11.02.2016

Atenção ! não se esqueçam de lavar muito bem os assentos pois andam por aí uns infecciosos que não limpam convenientemente o cu e peidam constantemente ! Eu , ainda tenho uns cobres para comprar a minha bicicleta em segunda mão no OLX (devo ser um privilegiado )

FDP 11.02.2016

Estes comunas mauistas querem "promover-nos" a andar a pé, de bicicleta e de transportes públicos - é o nivelamento por baixo

Rui Félix 11.02.2016

Se um bilhete diário nos transportes custa 6 euros, 10 euros nas bicicletas não é competitivo. 5 euros seria o ideal

Anónimo 11.02.2016

Paris, 29€ passe anual. Diário 1,70€, Semanal 8€.
Somos um país de gente rica com grandes rendimentos. Paris é uma vila no meio da Europa, com maus salários e afins...Que triste sina a nossa.

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