Empresas Pequena empresa quer fabricar peças de metal no espaço

Pequena empresa quer fabricar peças de metal no espaço

Enviar peças de metal para satélites e foguetões em órbita é um processo lento e caro. Assim, porque não colocar em órbita a própria fábrica?
Pequena empresa quer fabricar peças de metal no espaço
Bloomberg 13 de janeiro de 2018 às 18:00

A ideia não é tão estranha como pode parecer. A Made In Space, uma empresa sediada na Califórnia, pretende usar a impressão 3D para fabricar peças de metal no espaço. A tecnologia já é usada na Terra por empresas como a General Electric e a Siemens para fabricar componentes para motores de aeronaves e até foguetões. Espera-se que a sua aplicação no espaço ganhe impulso à medida que as viagens espaciais começarem a aumentar.

A ideia de fabricar peças de metal no espaço surge numa altura em que várias empresas – como as lideradas por Elon Musk e Jeff Bezos – estão empenhadas em tornar mais acessíveis as viagens ao espaço.

Imprimir peças de metal faz sentido por causa dos desafios de mandar "materiais e pessoas para o espaço", afirmou Andrew Rush, CEO da Made In Space, em entrevista por telefone. O objectivo é "ajudar as pessoas a viver e trabalhar" em órbita.

A impressão industrial 3D utiliza lasers e outras tecnologias para fundir camadas ultrafinas de materiais, como pó metálico ou polímeros, para fabricar peças. A NASA, uma das líderes da impressão 3D, estabeleceu uma parceria com a Made In Space em 2014 para fabricar as suas primeiras peças de plástico na Estação Espacial Internacional.

No radar

A Made In Space, com 47 trabalhadores, utiliza actualmente uma impressora 3D do tamanho de um micro-ondas na estação espacial para fabricar peças de plástico para antenas, radares e satélites. A empresa tem capacidade para começar a imprimir metais nos próximos 24 meses.

As impressoras na estação espacial são operadas a partir do solo, e as ordens de impressão são enviadas digitalmente, de acordo com a empresa.

Ainda que o processo de impressão 3D não deva alterar significativamente as perspectivas para a procura por metais no curto prazo, está a conquistar cada vez mais adeptos na Terra. A tecnologia está a mudar o design, a engenharia e a produção, com grandes benefícios em termos de custos para os utilizadores, de acordo com Anthony Forcione, analista sénior da Loomis Sayles & Co.

O interesse nas aplicações espaciais está a crescer depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter pedido recentemente à NASA que voltasse a mandar astronautas americanos à Lua, e de várias empresas e países terem começado a avaliar formas de extrair metais comuns e preciosos de asteróides.