Banca & Finanças Perceba o que vai acontecer às unidades de participação do Montepio

Perceba o que vai acontecer às unidades de participação do Montepio

As unidades de participação do Montepio podem sair de bolsa na sequência da oferta pública de aquisição (OPA) da associação mutualista. Se investiu nestes títulos, perceba o que pode mudar com a OPA. A associação mutualista oferece um euro por cada título.
Perceba o que vai acontecer às unidades de participação do Montepio
Miguel Baltazar/Negócios
Maria João Gago 05 de julho de 2017 às 07:00

A que preço podem ser vendidos os títulos?
A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) oferece um euro por cada unidade de participação (UP) da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). Os investidores que subscreveram estes títulos quando foram emitidos no final de 2013 conseguem reaver o valor investido, já que as UP foram colocadas no mercado a um euro. Já os investidores que adquiriram títulos no mercado conseguem realizar mais-valias, uma vez que as UP transaccionaram sempre a menos de um euro, à excepção do primeiro dia em que foram admitidas à negociação em bolsa.


Quando é que a OPA avança?
O anúncio preliminar da OPA foi publicado esta terça-feira, mas a concretização da oferta ainda vai demorar várias semanas. Para que a OPA se inicie é necessário que a AMMG peça o registo da oferta, o que implica que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) aprove o prospecto e o lançamento da operação. Dado que a associação mutualista não define condições para o lançamento da oferta, logo que o projecto de prospecto esteja pronto pode ser submetido à aprovação do supervisor. Depois de receber o pedido de registo e o projecto de prospecto, a CMVM tem oito dias para aprovar a OPA. No entanto, a contagem deste prazo é suspensa sempre que haja necessidade de pedir informações adicionais. Ainda antes de a OPA ter início, a administração da CEMG vai ter de se pronunciar sobre a contrapartida e restantes condições da oferta.

AS UP ainda vão ser trocadas por acções?
Está previsto que as unidades de participação (UP) do Montepio sejam trocadas por acções da CEMG, no âmbito da transformação da caixa económica em sociedade anónima. No entanto, esta mudança de estatuto está suspensa até ao desfecho da OPA, o que significa que a CEMG só poderá passar a sociedade anónima quando a oferta estiver concluída. Assim, só depois de a oferta estar concluída é que as UP serão transformadas em acções. Mas, antes disso, a associação mutualista espera adquirir todas as UP ou um número suficiente destes títulos que lhe permita retirar o Montepio de bolsa. Independentemente do número de UP que a AMMG vier a adquirir, todas serão transformadas em acções da CEMG.


AS acções do Montepio vão ser cotadas?
A possibilidade de as acções da caixa económica virem a ser cotadas em bolsa chegou a estar em cima da mesa, no âmbito da transformação da CEMG em sociedade anónima. Aliás, a CMVM chegou a confirmar que está a analisar o prospecto de uma oferta de troca de UP por acções que previa que estes novos títulos fossem cotados em bolsa. No entanto, esta troca está suspensa e, tendo em conta que a OPA visa retirar o Montepio de bolsa, essa operação já não deverá avançar. Assim, é pouco provável que as acções da CEMG venham a estar cotadas em bolsa.


E se o investidor não vender as UP?
Na OPA, os titulares de UP podem não vender. Contudo, alcançando 90% do capital do fundo e 90% do capital sob oferta, a mutualista pode obrigar os investidores a alienar a posição. Mesmo não atingindo esses patamares, a associação pretende avançar para a perda da qualidade de sociedade aberta, o que leva à saída de bolsa e deixa os investidores como accionistas de uma empresa com baixa liquidez.




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mais votado Anónimo 05.07.2017

É preciso alertar a sociedade e educar os políticos portugueses mais distraídos para os perigos e falácias subjacentes ao pensamento único eleitoralista que não se apercebe que distribuir salários e benefícios a privados que não passem pelo crivo regulador e orientador das reais forças de mercado é tão mau para a sustentabilidade do Estado, incluindo o Estado de Bem-Estar Social, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade, como distribuir subsídios e adjudicações a privados obedecendo à mesma lógica discricionária, e vice-versa. Sindicalismo selvagem de compadrio e capitalismo selvagem de compadrio são uma e a mesma coisa e encerram em si as sementes do mesmo mal.

comentários mais recentes
Anónimo 11.07.2017

Pelo que se vê a olho nú, já não há verdadeiramente mercado. o mercado são eles, numa lógica de verdadeiros artistas em palco.

Anónimo 05.07.2017

Só não entendo como ninguém comenta nada sobre o Novo Banco porque na realidade penso que ainda não foi vendido. Depende de uma troca de obrigações cuja data limite é 17.07.2017. Estranho este silêncio. Faço votos que não venha por aí nenhuma surpresa negativa.

JCG 05.07.2017

Ó seus jornalistazecos incompetentes e intelectualmente e profissionalmente indigentes, custa muito escrever "Banco Montepio"? isso é demasiado trabalho para vocês acrescentar a palavrinha Banco quando se referem à instituição bancária do Montepio? ainda não se aperceberam de que há uma enorme confusão entre o Montepio - Associação Mutualista e o Montepio instituição bancária que vocês alimentam? Que jornalismo "técnico" de sarjeta!

Anónimo 05.07.2017

Quem tem medo compra um cão, não negoceia na bolsa.

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