Agricultura e Pescas Pesca de sardinha aumentou 16% em Maio

Pesca de sardinha aumentou 16% em Maio

No total, a captura de pescado em Portugal caiu mais de 18%, devido aos recuos observados na pesca do carapau e da cavala. Pescadores portugueses podem capturar 6,8 mil toneladas de sardinha até ao final de Julho.
Pesca de sardinha aumentou 16% em Maio
Miguel Baltazar
Nuno Aguiar 27 de julho de 2017 às 16:45

A captura de sardinha aumentou 16,1% em Maio deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2016, mostram os dados publicados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

No total, as capturas de pescado em Portugal caíram 18,3% em Maio, devido essencialmente às quebras observadas no carapau e na cavala. Chegaram às redes dos pescadores portugueses 11,8 mil toneladas, que resultaram em 24,4 milhões de euros de receita. Apesar da diminuição da pesca, observou-se até um ligeiro aumento da receita (0,4%), fruto de um reforço homólogo do preço médio do peixe.

 

Quando se olha para as espécies capturadas, verifica-se que em Maio o carapau cai bastante face a 2016, com uma quebra de 35,7%, assim como a cavala, que recua 38,9%. Observam-se ainda diminuições na pescada (-15,9%) e no peixe-espada (1,2%). Estas diminuições são apenas parcialmente compensadas pelos aumentos observados no atum (1,1%) e na sardinha (16,1%).

 

O INE explica que as duas mil toneladas de sardinha pescadas em Maio respondem ao despacho publicado em Março, que determina os limites de captura de sardinha entre esse mês e o final de Julho. Para este período foi fixado que os pecadores portugueses e espanhóis podiam capturar 10 mil toneladas de sardinha, das quais 6.800 estavam reservados para a frota portuguesa. Valores que, segundo o despacho, "complementam o período de interdição adoptado por ambos os países nos meses de Janeiro e Fevereiro".




O aumento significativo da captura não se reflectiu num salto igualmente substancial da receita, que avançou apenas 2,1%, uma subida de menos de 40 mil euros.

 

Depois do encerramento da captura em Janeiro e Fevereiro, o Governo português permitiu a pesca da sardinha em Março e Abril, mas apenas de forma residual (nunca ultrapassou as 28 toneladas), optando por concentrar a captura nos três meses entre Maio e Julho. O INE publica agora os primeiros dados oficiais da captura e de receita. 

 

Recorde-se que o tema da captura da sardinha mereceu bastante atenção mediática depois de ter sido noticiado pelo Negócios um relatório do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), muito crítico sobre a política de capturas seguida por Portugal e Espanha. Nesse parecer, que ainda não faz recomendações oficiais para 2018, é dito que a actual situação justificaria uma suspensão total da pesca por um período de 15 anos, que mesmo assim pode ser insuficiente para repor os stocks da sardinha nos níveis adequados. 




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