Empresas Pirataria rouba mil milhões de euros e mais de 22 mil empregos em Portugal

Pirataria rouba mil milhões de euros e mais de 22 mil empregos em Portugal

Portugal perde cerca de mil milhões de euros anuais e 22.200 empregos directos devido à contrafacção e pirataria em nove sectores, dos quais o de cosmética é o mais afectado, revela um estudo do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia.
Pirataria rouba mil milhões de euros e mais de 22 mil empregos em Portugal
Estudo europeu analisou o impacto da contrafacção e pirataria na economia e conclui que Portugal perde mil milhões de euros anuais nos nove sectores analisados.
Reuters
Rui Neves 05 de dezembro de 2016 às 10:36

A contrafacção e a pirataria provocam na economia portuguesa um rombo de mil milhões de euros, ou seja, 9,2% das vendas anuais, e a perda de 22.200 empregos directos, enquanto na União Europeia as perdas atingem os 83 mil milhões de euros e os 790 mil postos de trabalho.

Em termos de impostos sobre o rendimento, IVA e impostos especiais sobre o consumo, os estados europeus deixam de cobrar receitas no valor de 14,3 mil milhões de euros.

Estas estimativas resultam de uma série de estudos realizados pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO), através do Observatório Europeu das Infracções aos Direitos de Propriedade Intelectual, e têm apenas em conta a análise do impacto da contrafacção e pirataria em nove sectores - cosmética e cuidados pessoais, vestuário, calçado e acessórios, produtos desportivos, jogos e brinquedos, joalharia e relojoaria, malas de mão, indústria discográfica, bebidas espirituosas e vinhos, e a indústria farmacêutica.

As estimativas para Portugal "estão acima da média da UE, sendo que o sector da cosmética é o mais afectado, registando perdas de 15 % em ambos os indicadores - vendas e empregos", realça o EUIPO, em comunicado.

Os 83 mil milhões de euros de perdas estimados no mercado europeu resultam da soma de mais de 48 mil milhões devido à existência de produtos falsificados, ou seja, 7,4% da totalidade da vendas na UE, aos 35 mil milhões devido a efeitos indirectos da contrafacção e da pirataria nos nove sectores identificados, "visto que os fabricantes adquirem menos bens e serviços aos fornecedores, com repercussões noutros domínios de actividade".

Confiante no alerta lançado à sociedade, o director executivo do EUIPO, António Campinos, espera que os resultados destes estudos "ajudem os consumidores a fazerem escolhas mais informadas. É especialmente importante nesta época do ano, em que consumidores e cidadãos fazem as suas compras de Natal e escolhem prendas para os seus entes queridos", considera.

"A situação varia de Estado-Membro para Estado-Membro, mas o quadro geral resultante da nossa série de estudos é muito claro: a contrafacção e a pirataria têm um impacto negativo na economia e na criação de emprego na UE", conclui Campinos.

A EUIPO prevê avançar no próximo ano com uma nova série de estudos, desta vez sobre os efeitos económicos da contrafacção e da pirataria nos sectores dos "smartphones" e dos pesticidas, assim como noutros sectores da economia considerados vulneráveis a infracções dos direitos de propriedade intelectual.

 




A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Amendoins 05.12.2016

Os Bancos roubam muito mais e nem os prendem. Já vai em 6 mil milhões.

Anónimo 05.12.2016

Quem é que inventa este números, hoje em dia inventa-se.
Se eu pirateio um software é porque não posso pagar.
Apenas mais pobres terem acesso á cultura, o que tenho pirateado não compraria
é tudo falsa. Se ao comprar memoria pago direitos não há pirataria no que lá gravar

Anónimo 05.12.2016

Acredito que entre 1980 e 2010 o comercio paralelo foi maior do que é agora, no entanto viveu-se melhor porque o dinheiro circulava. Hoje, acredito que à menos fuga aos impostos mas em contrapartida o dinheiro fica nas mãos dos grandes grupos econômicos tudo por culpa da GLOBALIZAÇÃO CORRUPTA.

Ciifrão 05.12.2016

Estas contas estão sempre erradas, quem compra contrafeito nunca compraria os produtos originais, o preço é o que determina a compra.

pub
pub
pub
pub