Energia Portugal participa no maior projecto mundial de energia de fusão nuclear

Portugal participa no maior projecto mundial de energia de fusão nuclear

O Instituto Superior Técnico está envolvido na construção de uma inovadora central nuclear em França, que é mais segura e com resíduos menos perigosos face às centrais nucleares actuais.
Portugal participa no maior projecto mundial de energia de fusão nuclear
André Cabrita-Mendes 27 de Outubro de 2016 às 17:00

Portugal está presente no maior projecto de energia de fusão nuclear do mundo. A participação nacional é assegurada pelo Instituto Superior Técnico (IST) que é responsável por desenvolver um sistema de transporte de cargas pesadas controlado à distância.

A Universidade de Lisboa integra o consórcio da União Europeia que é um dos sete membros do ITER a par da China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos da América.

O ITER é um projecto que visa a construção e operação do maior reactor de fusão nuclear experimental do mundo e que está a ser construído no sul de França. A central já está a ser construída e tem um custo estimado de 13 mil milhões de euros, com a União Europeia a contribuir com 6,6 mil milhões de euros. As estimativas mais recentes apontam que deverá entrar em produção em 2025.

"Este é um projeto baseado numa colaboração global única que visa demonstrar a viabilidade científica e tecnológica da energia de fusão para desenvolver uma fonte de energia segura, inesgotável e ambientalmente responsável", pode-se ler no comunicado da Comissão Europeia divulgada esta quinta-feira, 27 de Outubro.

O Instituto Superior Técnico participa no consórcio que ganhou recentemente um contrato de 100 milhões de euros, o maior contrato já fechado de robótica no campo da energia de fusão nuclear. A participação do IST é feita em colaboração com dois laboratórios de investigação: o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR).

Os portugueses vão participar na construção de sistemas controlados à distância para transportar e armazenar cargas dentro do reactor e nos edíficios da central de fusão nuclear.

Para transportar cargas do reactor para o edifício de manutenção e armazenamento vão ser usados 15 veículos guiados automaticamente (AGV), cada um com dimensões semelhantes a um autocarro. O peso total pode chegar às 100 toneladas quando transportados os componentes mais pesados.

"O IST desempenha um papel importante no consórcio, com a investigação e desenvolvimento de tecnologias de navegação para robótica móvel em instalações nucleares", aponta a Comissão Europeia.

Mas quais as vantagens deste tipo de energia?
O projecto ITER aponta que a fusão de átomos liberta quatro milhões de vezes mais energia do que a reacção química como a queima do carvão, combustíveis ou gás. E liberta quatro vezes mais energia do que a fissão nuclear, a energia usada actualmente.

Depois, não emite dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, contribuindo assim para o combate às alterações climáticas, um dos grandes desafios mundiais nos próximos anos.

Em terceiro, os resíduos são menos perigosos, apontam os seus defensores. Na energia nuclear actual, os resíduos nucleares mantêm-se perigosos durante milhares de anos, sendo por isso indispensável o correcto armazenamento. Na fusão, os resíduos mantêm-se nucleares por um período entre 50 a 100 anos.

A fusão também não possibilita que venham a ter lugar acidentes como na central japonesa de Fukushima, onde três dos seis reactores nucleares derreteram, porque em caso de alguma interrupção ao processo, o reactor de fusão arrefece rapidamente e a reacção é interrompida, aponta o ITER.

Os custos mais baixos de produção desta energia também são uma das vantagens, segundo os seus promotores que defendem que o futuro energético do planeta deve passar pela variedade de fontes de energia, incluindo a nuclear.

"Como uma nova fonte de electricidade sem carbono, sem resíduos nucleares de longo prazo, a fusão pode dar um contributo positivo para os desafios da redução de emissões de carbono, e dos resíduos gerados pelas centrais de fissão, e das preocupações relacionadas com a segurança", defendem os promotores.



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mais votado Gatunos Há 1 semana

Este projeto de criar energia através da fusão nuclear e outros similares a decorrer na Alemanha EUA China e França são os projetos mais importantes deste seculo , são vitais para a sobrevivência da raça humana a longo prazo. Segundo os entendidos na Fisica estas centrais serão para os nossos netos

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Era simpático referirem que, além do IST, há mais entidades portuguesas envolvidas. nomeadamente empresas que estão a participar na construção, e que, dessa forma, aumentam as exportações, entre outras vantagens.
Fica a dica!

jupiter20001 Há 1 semana

Se os teus pais não tivessem feito umas certas experiencias, tu hoje não existias...

António Reys Há 1 semana

Vejam lá se acontece o mesmo que ao foguete que mandaram para Marte e que se escaqueirou todo há poucos dias. Ou é impressão minha ou ciência europeia anda um pouco para o lado do azar.

Anónimo Há 1 semana

Meus caros amigos, se quiserem acreditem, pois esse reactor vai ser para os nossos netos!! Pois diga-vos é verdade,também maldição Mundial que vai exterminar quase na totalidade da humanidade .À quem chame gatunos, acrescento assassinos, irresponsáveis MASSONS. Querem reduzir a humanidade a 300 M

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