Agricultura e Pescas Preço da sardinha mais do que triplicou em seis anos

Preço da sardinha mais do que triplicou em seis anos

A falta de sardinha no mar e as necessárias restrições à sua preservação fizeram disparar o preço deste peixe tão popular entre os portugueses. É essa subida de preço que permite à sardinha exibir o estatuto do peixe que mais dinheiro rende em Portugal.
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Manuel Esteves 22 de julho de 2017 às 10:00

A sardinha continua a ser muito popular entre os portugueses, mas o seu preço já deixou de o ser. Em seis anos, o custo da sardinha na lota mais que triplicou, numa evolução que destoa por completo com as outras espécies.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço da sardinha no momento de descarga na lota aumentou 221% em apenas seis anos. Neste momento, o quilo da sardinha vale 2,06 euros o que compara com 0,64 euros em 2010. Nesse ano, o quilo do carapau valia 1,38 euros, mais do dobro do preço da sardinha. Em 2016, a situação inverteu-se por completo e agora é a sardinha que vale mais do dobro do carapau, que viu o seu preço desvalorizar para 0,86 euros ao quilo.

O carapau, tal como a cavala, são as espécie mais pescadas pelas frotas de cerco e são as que mais se aproximam da sardinha. Com uma grande diferença: é que ao contrário da sardinha, não existem problemas de preservação e isso reflecte-se nos preços. 


Esta enorme valorização da sardinha, resultante da enorme quebra na oferta e da manutenção da procura, terá ajudado os armadores e pescadores a compensar o impacto resultante da redução forçada das quantidades capturadas. Segundo o INE, apesar da quantidade de sardinha capturada ter caído 72%, o valor gerado com a venda deste peixe aumentou 6% para um total de 27,9 milhões de euros. É, de longe, o peixe que rende mais dinheiro porque combina quantidades elevadas de captura com um preço relativamente alto, quando comparado com os seus pares.

A situação da sardinha saltou para a actualidade na sequência de uma notícia do Negócios sobre um parecer científico com perspectivas negras sobre esta espécie. Segundo o organismo científico internacional que aconselha a Comissão Europeia nesta matéria, ICES (na sigla inglesa, a política seguida por Portugal e Espanha na captura da sardinha não é precaucionária, não garantindo devidamente a preservação da espécie. O parecer, que não é vinculativo, aponta para a necessidade de suspensão total da pesca por 15 anos de modo a recuperar-se o stock adequado de sardinhas no mar. Porém, mesmo este período pode ser insuficiente caso se mantenham os baixos níveis de recrutamento (número de espécimes que ultrapassam um ano de idade), alerta o ICES.

Este parecer resultou de um pedido da Comissão Europeia e não é o relatório onde é feita a recomendação anual sobre o volume de pesca, neste caso para 2018, que deverá ser publicado apenas em Outubro. No entanto, o tom crítico e as perspectivas aí contidas são suficientes para deixar o sector da pesca (aqui e aqui) e os ambientalistas preocupados, ainda que por motivos distintos.

Em resposta às questões do Negócios, o secretário de Estado das Pescas garantiu que a política seguida por Portugal é "precaucionária" e apontou como possíveis causas para a escassez de sardinhas as mudanças climatéricas. José Apolinário mostrou-se ainda confiante com uma mudança de perspectivas logo que sejam conhecidos os dados mais recentes sobre a situação deste peixe nas zonas Centro e Norte do país. 


Nos sete gráficos em baixo perceba o que mudou no conturbado mundo da sardinha e como tudo está relacionado entre si.




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comentários mais recentes
Anónimo 22.07.2017

A PESCA ARTESANAL MASSIVA E REPETIDA, NAS PRAIAS DA COSTA DA CAPARICA ATÉ SESIMBRA, COM CENTENAS DE EMBARCAÇÕES, SEM FISCALIZAÇÃO NENHUMA, ESTÁ TAMBÉM A CONTRIBUIR PARA ESTA POUCA VERGONHA.

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