Energia Presidente da EDP admite queda de receitas e rejeita subida de preços devido à seca

Presidente da EDP admite queda de receitas e rejeita subida de preços devido à seca

O presidente executivo da EDP - Energias de Portugal disse hoje que o principal impacto da seca para a empresa são as "menores receitas", mas recusou um aumento de preços da luz no país, por serem definidos a nível ibérico.
Presidente da EDP admite queda de receitas e rejeita subida de preços devido à seca
Lusa 23 de novembro de 2017 às 12:49

"O principal impacto para a EDP [devido à seca] são as menores receitas. Vou ter de usar produtos que têm maior custo do que a água", como o carvão e o gás natural, referiu António Mexia, que falava em Lisboa na Conferência Anual do BCSD 2017 sobre "Como crescer e criar emprego numa economia neutra em carbono? Pensar Portugal em 2030".

 

O responsável notou que "a hidraulicidade este ano está [...] 60% abaixo de um ano médio", o que se deve a factores de "maior volatilidade", como as alterações climáticas.

 

Falando sobre os valores para os consumidores, António Mexia explicou que "o preço em Portugal é o preço espanhol".

 

"As alterações da nossa capacidade [na produção de energia eléctrica] não mudam o preço ibérico. Só se houver seca a nível ibérico, é que poderá haver uma subida do preço grossista", acrescentou.

 

O responsável assinalou, contudo, que "ter água ou ter vento hoje contribui estruturalmente para a descida dos preços", assim como as energias renováveis, razão pela qual a EDP tem vindo a apostar neste tipo de produção.

 

Dados revelados na quarta-feira pela associação ambiental Quercus indicam que a seca levou a uma descida de 58% da produção de energia através dos recursos hídricos, disparando o consumo de carvão (22%) e de gás (66%).

 

Assim, entre Janeiro e Outubro deste ano, a principal fonte de energia foi o gás natural (32%), seguido pelo carvão (25%), pela eólica (21%), hídrica (14%), biomassa (5%) e solar (2%), entre outras.

 

No mesmo período do ano passado, a maior fatia correspondia à energia hídrica (33%).

 

Por seu lado, o preço da energia no mercado grossista neste período também subiu de 35,7 euros para 51,1 euros.

 

Na sua intervenção inicial, António Mexia reconheceu que a seca é uma preocupação diária.

 

"A primeira coisa que faço de manhã é ver o boletim meteorológico e as previsões para os próximos dias, que valem o que valem", para ver se vai chover, disse.

 

Mesmo que as previsões nem sempre sejam exactas, a busca por esta informação "não é inocente nem para saber se vai condicionar a vida ou não".

 

Para o responsável, as empresas enfrentam, hoje em dia, desafios como a descarbonização e a digitalização.

 

"Os dois fenómenos são fundamentais para o desenvolvimento sustentável e os dois reconhecem aquilo que são hoje os modelos de negócio das empresas", observou, falando num "modelo de transição".

 

Relativamente à descarbonização, indicou que a EDP encarou esta questão "muito a sério há uma década", altura em que apostou em fontes de energia alternativa, como as renováveis.

 

"Se esta companhia não tivesse apostado nas energias renováveis, hoje seríamos uma companhia totalmente irrelevante", disse.

 

Também a área da digitalização está a ser tida em conta pela EDP, assegurou António Mexia, aludindo à recente assinatura, no Brasil, de um protocolo que prevê a "substituição de pessoas por robôs" em determinadas áreas.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

QUEREM LÁ VER QUE AINDA TEMOS DE LHE DIZER "OBRIGADO", MESMO DEPOIS DE NOS ESTAR A ESMIFRAR COM OS PREÇOS E COM AS "RENDAS" QUE LEVA?

Anónimo Há 2 semanas

Mexia, arguido por corromper quem decide sobre rendas e adjudicações de barragens, hoje diz isto e amanhã será algo totalmente diferente. As acções da EDP têm o pior desempenho do sector na Europa. E uma dívida de €15 mil milhões. Quando as taxas de juro subirem, lá vai aos bolsos dos tugas!

eduardo dos santosds Há 2 semanas

Meus senhores, empresa portuguesa, ta na cara , qualquer acontecimento e la vamos ao bolso dos desgraçados portugueses---ainda se fossem la um mês para voltarmos ao antigo ainda vá que não vá, mas certamente se la forem é para ficarem . NÃO PODE SER .

Pontodevista... Há 2 semanas

ahahah, até parece que não vais a correr aumentar o que conseguires e for possível. Estás a querer enganar quem? Não perderás uma oportunidade de meter mais algum ao bolso (já ganhas pouco já....). Quanto mais explorarem o povo mais ganham, afinal os vossos lucros são só na ordem dos MIL MILHÕES, coisa pouca para um povo rico como o de Portugal.

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