Empresas Presidente dos CTT nega assédio moral aos trabalhadores

Presidente dos CTT nega assédio moral aos trabalhadores

O presidente dos CTT, Francisco Lacerda, disse hoje que a administração que lidera "não pratica assédio" sobre os funcionários e justificou a redução de 800 postos de trabalho com a necessidade de ajustar o negócio postal à digitalização.
Presidente dos CTT nega assédio moral aos trabalhadores
Lusa 21 de dezembro de 2017 às 19:59
"A digitalização é tão certa como dia e noite se sucederem. O que fazemos é ajustar às consequências dessa digitalização", disse Francisco Lacerda numa audição no parlamento, na comissão de trabalho, convocada com urgência depois de ter sido anunciado o plano de reestruturação dos CTT e a intenção de redução de 800 postos de trabalho até 2020.

O gestor justificou a necessidade de reduzir pessoal com a "queda acentuada" do correio tradicional, com a digitalização, o que considerou que "poderá agravar-se nos próximos anos com a digitalização dos serviços governamentais", e considerou que com o plano de reestruturação anunciado a empresa continuará sustentável e sem degradação do serviço prestado.

Lacerda recusou ainda falar em despedimentos, referindo que o que estão em causas são saídas naturais de trabalhadores (por reformas), processos de rescisão por mútuo acordo e o não prolongamento de contratos a termo.

"Este plano não significa abandonar populações ou despedir trabalhadores", afirmou.

Sobre acusações de assédio moral a trabalhadores dentro dos CTT, sobretudo quando estão perante propostas de rescisão por mútuo acordo, Lacerda negou a sua existência.

"A administração dos CTT não pratica assédio e não dá instruções para fazer chantagem. Há conversas [com trabalhadores] em que faz parte chamar a atenção para vantagens e alternativas", afirmou perante os deputados.

Lacerda pronunciou-se ainda sobre o caso citado por um sindicalista hoje no parlamento - os deputados ouviram, antes da audição com a administração dos CTT, os representantes dos trabalhadores - segundo o qual uma carta com 'chip' para controlo do regulador das comunicações (ANACOM) foi levada propositadamente a um endereço a centenas de quilómetros de distância para que a empresa artificialmente cumprisse critérios de qualidade.

"Em relação à ordem para tratar cartas com 'chip' nego veementemente, os CTT não defraudam. Não é com conhecimento do topo dos CTT que isso é feito e tenho dúvidas de que seja feito", afirmou.

Sobre a distribuição de dividendos superior aos lucros obtidos, como aconteceu em 2016 (nesse ano, os CTT distribuíram cerca de 70 milhões de euros em dividendos, perante lucros de 62,2 milhões de euros), Lacerda afirmou que já aconteceu em outros anos e justificou com a "situação financeira forte" da empresa, com excedentes de tesouraria e sem passivo bancário.

Os CTT anunciaram esta semana que prevêem reduzir cerca de 800 postos de trabalho nas operações da empresa ao longo de três anos, devido à queda do tráfego do correio, de acordo com o Plano de Transformação Operacional.

Em curso está já um programa de redução de 200 trabalhadores, dos quais 140 já aceitaram sair da empresa até final deste ano.

Os CTT - Correios de Portugal, que foram completamente privatizados em 2014, tiveram lucros de 19,5 milhões de euros até Setembro deste ano, menos 57,6% dos 46 milhões de euros conseguidos nos primeiros nove meses de 2016.



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mais votado Anónimo 21.12.2017

Economias de mercado ricas e desenvolvidas como a do Japão, capazes de criar valor consistentemente, não se deixam capturar por perniciosos interesses sindicais porque as reais oferta e procura de mercado não são opcionais. "The ministry has planned to slash some 15,000 postal service jobs by fiscal 2005." postandparcel.info/4689/news/japanese-postal-service-urged-to-cut-jobs-consolidate-post-offices/

comentários mais recentes
Anónimo 21.12.2017

A empresa pública de correios sueco-dinamarquesa Postnord decidiu em Março de 2017 despedir 4 mil excedentários cujo posto de trabalho já não se justificava naquela organização do sector público escandinavo. Naquela região nórdica os direitos sindicais adquiridos não se sobrepõem aos dos contribuintes e cidadãos em geral. É 1º Mundo onde não reinam a iniquidade e a insustentabilidade. Despedem excedentários, extinguem postos de trabalho que já não se justificam, adoptam as melhores práticas e tecnologias. A economia é robusta, cria valor e enriquece, a sociedade é justa, equilibrada e feliz. "Postnord to cut up to 4,000 jobs in Denmark" www.reuters.com/article/postnord-jobs-idUSL5N1GL4QG

Anónimo 21.12.2017

A empresa Finlandesa de serviços postais Posti, empresa pública daquela jurisdição escandinava que é uma economia rica e avançada com elevado índice de desenvolvimento humano e dotada de uma cultura cívica e democrática do mais alto calibre, despediu entre 2015 e 2016 7600 colaboradores permanentes tidos como excedentários à luz das reais forças de mercado ditadas pelos gostos, hábitos, necessidades, expectativas e preferências dos clientes e a concorrência movida pelos competidores domésticos e globais, a que o progresso tecnológico nunca é alheio. "Digitalization has already reduced overall delivery volumes to the level of the 1960s. Therefore, we must adapt and reform our operations in order to ensure that Posti will still maintain its financial capability to build new business in order to compensate for mail delivery." https://www.apex-insight.com/posti-sees-job-cuts-in-the-offing/

Anónimo 21.12.2017

No mandato presidencial do Presidente Barack Obama, o U.S. Postal Service despediu muitos milhares de colaboradores excedentários e regressou aos há muito esquecidos lucros trimestrais. Economias de mercado ricas e desenvolvidas, capazes de criar valor consistentemente, não se deixam capturar por perniciosos interesses sindicais porque as reais oferta e procura de mercado não são opcionais. "USPS Records First Profit in Five Years as Obama Calls for Shedding 12K Postal Jobs" www.govexec.com/management/2016/02/usps-records-first-profit-five-years-obama-calls-shedding-12k-postal-jobs/125825/

Anónimo 21.12.2017

Em Inglaterra, economia muito rica e desenvolvida numa sociedade justa, livre e amplamente democrática, o Royal Mail tem automatizado os serviços, que são crescentemente automatizáveis, e despedido excedentários com a mesma naturalidade com que um ciclista com corpo são em mente sã em Cascais se desviaria do percurso que o levaria à estatelar-se fatalmente nas profundezas da Boca do Inferno. "The group - which last month saw its privatisation complete with the sale of the Government's final stake for just over £591 million - is also axing jobs and reducing costs across the business to help shore up its balance sheet, cutting its workforce by nearly 3,000 in the past six months alone." www.gazetteandherald.co.uk/news/towns/swindon/14093847.Parcel_machine_destined_for_Swindon_as_Royal_Mail_job_cuts_expected/

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