Presidente de banco grego insolvente transferiu poupanças de 8 milhões para Londres
06 Agosto 2012, 14:24 por Nuno Carregueiro | nc@negocios.pt
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Theodoros Pantalakis investiu as suas poupanças no mercado imobiliário londrino e defende-se que as transacções foram declaradas ao fisco, tendo pago impostos em Atenas.
Há mais um caso a agitar a política em Atenas. O antigo presidente do Agricultural Bank aplicou cerca de 8 milhões de euros no mercado imobiliário de Londres, meses antes de o banco estatal que dirigia entrar em insolvência.

O gestor considera que não fez nada de mal, pois a transacção foi declarada ao fisco e pagou impostos sobre esse investimento. Mas o caso está a servir para aumentar a fúria dos gregos contra os políticos e os banqueiros, sendo que a atitude de Pantalakis é condenada até no sector da banca.

“Ninguém sugeriu que o senhor Pantalakis tenha transferido fundos de forma ilegal. Mas há claramente uma questão de ética, pois ele estava liderar um grande banco do Estado numa altura de dificuldades económicas e financeiras”, disse um banqueiro grego ao “Financial Times”.

Ao mesmo jornal britânico o antigo gestor recusou dar mais explicações. “Estou de férias e não pretendo fazer mais declarações até regressar a Atenas”, disse Pantalakis, que está de férias na sua quinta numa ilha do mar Egeu, segundo o “Financial Times”.

O responsável demitiu-se da liderança do Agricultural Bank no mês passado, depois do Governo, pressionado pela troika, ter privatizado o banco, com a venda dos seus activos “saudáveis” ao Piraeus Bank, por 95 milhões de euros.

Pantalakis foi contra a decisão, defendendo que o banco era recuperável se fosse injectado mais 4,6 mil milhões de euros em ajudas estatais no Agricultural Bank.

O Governo foi contra e a troika pediu urgência na privatização do banco, sendo que a venda ao Piraeus deixa agora cerca de 5.500 funcionários com o posto de trabalho ameaçado.

Pantalakis vai em breve ser chamado ao Parlamento grego, não para dar explicações sobre o destino das suas poupanças, mas antes sobre empréstimos de 150 milhões de euros concedidos pelo banco aos dois maiores partidos gregos (Pasok e Nova Democracia). Outros actos e gestão de legalidade duvidosa também vão ser escrutinados pelos deputados gregos.

Pantalakis não é contudo o único a ser notícia por transferir dinheiro para o exterior, numa altura em que a probabilidade de a Grécia sair do euro é cada vez maior. Políticos, banqueiros, armadores têm transferido dinheiro para o exterior (sobretudo Reino Unido), sendo que o Governador do Banco da Grécia diz que tem informado as autoridades fiscais sobre estes movimentos de capitais.
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