Tecnologias Problemas de comunicações nos incêndios podem ser contornados com "drones"

Problemas de comunicações nos incêndios podem ser contornados com "drones"

A proposta é do INESC TEC e da Tekever, que estão a trabalhar numa solução a disponibilizar dentro de dois anos. Não há preço nem houve contactos com SIRESP ou Protecção Civil, mas a solução deverá ficar mais barata que as estações móveis.
Problemas de comunicações nos incêndios podem ser contornados com "drones"
DR
Paulo Zacarias Gomes 26 de julho de 2017 às 12:35
A interrupção de comunicações por terra em situações de emergência – como a que tem marcado o combate aos incêndios que este verão afectam sobretudo o centro do país - pode vir em poucos anos a ser resolvida mais rapidamente e de forma menos dispendiosa com o auxílio de "drones".

É o que propõe o projecto WISE, a solução que está a ser desenvolvida pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e pela Tekever.

Assim, sempre que se interrompam as comunicações (no caso dos incêndios devido, por exemplo, à destruição de cabos de transmissão de dados entre antenas), em vez de se proceder à deslocação de estações móveis em camião, a reposição do serviço pode ser assegurada fazendo descolar "drones" que funcionarão como pontos de acesso "voador" à rede 4G ou disponibilizando ligações wi-fi.

Entre as vantagens assinaladas por Rui Campos, responsável pela área de redes sem fios do Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC, está a maior flexibilidade de posicionamento, custo mais baixo que as ligações satélite em que a estação móvel se suporta e disponibilidade de maior largura de banda.

Se já estivesse disponível, o uso deste equipamento num cenário como o de Pedrógão Grande em que se registou a interrupção de comunicações de emergência durante várias horas, "poderia ter permitido não só dar o apoio às equipas de emergências mas também ajudar a repor comunicações aos civis," refere aquele responsável em declarações ao Negócios.

O equipamento está ser desenvolvido no Porto por uma equipa de 20 pessoas, com o INESC TEC encarregado da concepção e desenvolvimento da solução de comunicações e a Tekever, empresa de drones que já trabalha com a Marinha e a Força aérea, com o desenvolvimento do protótipo de voo.

O projecto, que pressupõe um investimento de 180 mil euros, arrancou há cerca de um ano, em Junho de 2016, e terminará em Maio de 2019, quando o primeiro protótipo estiver concluído. O WISE é financiado por fundos FEDER através do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização COMPETE 2020 e por Fundos Nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Com menos de um metro de envergadura, o equipamento que está a ser trabalhado estará equipado com uma caixa de comunicações reduzida e uma autonomia que, numa primeira fase, não irá além dos 40 minutos. Mas Rui Campos frisa que a solução de comunicações em desenvolvimento – "uma novidade mundial" – pode ser aplicada a "drones" com maior tempo de voo no futuro.

Até agora ainda não houve contactos entre os promotores do projecto e a empresa que gere as redes de emergência (SIRESP) ou a Autoridade Nacional de Protecção Civil. E embora não seja possível avançar um preço final de comercialização da solução, o objectivo de Rui Campos é que com o seu uso "sejam reduzidos os custos com estações móveis".

A título de exemplo, as duas carrinhas compradas em 2015 pelo Governo anterior para este fim custaram 357 mil euros, para as quais o actual Executivo - depois de Pedrógão Grande - anunciou a compra por ajuste directo de duas antenas satélite, por 70 mil euros. A que há que juntar os custos com a comunicação via satélite.

Além do potencial uso em cenário de combate a incêndios, a solução de drones pode ser ainda utilizada noutras situações, como cheias, festivais de verão ou manifestações. E a confidencialidade das comunicações fica garantida, assegura Rui Campos. Já a compatibilização do voo de dispositivos não-tripulados com os meios aéreos de combate a incêndios, que terá de ser garantido nestes casos, dependerá da gestão integrada do espaço aéreo, afirma o responsável.



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mais votado alberto9 26.07.2017

Todas as soluções são bem vindas, mas a estatística diz que em média de 100 projetos de investigação só um é que tem sucesso.
Nos dias de hoje só se fala em drones, impressoras 3D e condução autónoma, à uns tempos só se falava nas Dotcom e o que aconteceu com estas?
Ninguém pense que vai mudar o mundo de um dia para o outro

comentários mais recentes
Criador de Touros 26.07.2017

Isto é conversa da treta para português ver, a verdade é que a nossa floresta arde num teatro tv com presidente Marcelo e governantes a fazerem de bombeiros sem mangueira e sem jeito para nada !!...

Anónimo 26.07.2017

os drones SÃO MELHOR UTILIZADOS PARA FAZER A VIDA DIFICIL AOS PILOTOS DOS AVIOES COMERCIAIS!
DÁ MAIS "GOZO"!
VÃO PAO O RAIO QUE OS PARTAM COM AS IDEIAS DA TRETA!

Anónimo 26.07.2017

Os drones não funcionam com ventos fortes e têm autonomias máximas de 15 minutos... será preciso dizer mais alguma coisa... e claro com chuva também não voam... mas com chuva também não há incêndios...
OS BACKUPS TÊM DE SER FEITOS VIA SATÉLITE OK!!!!!

alberto9 26.07.2017

Todas as soluções são bem vindas, mas a estatística diz que em média de 100 projetos de investigação só um é que tem sucesso.
Nos dias de hoje só se fala em drones, impressoras 3D e condução autónoma, à uns tempos só se falava nas Dotcom e o que aconteceu com estas?
Ninguém pense que vai mudar o mundo de um dia para o outro

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