Comércio Promoções ganham ainda mais peso nas vendas dos supermercados

Promoções ganham ainda mais peso nas vendas dos supermercados

A percentagem de vendas com promoção no sector do retalho alimentar passou a cifrar-se em 44,8% no ano passado, uma subida de mais de três pontos face a 2015. De acordo com a líder da APED, os consumidores “habituaram-se a comprar em promoção”.
Promoções ganham ainda mais peso nas vendas dos supermercados
Bruno Simões 11 de abril de 2017 às 13:48

O sector do retalho alimentar e não alimentar voltou a exibir vitalidade e registou uma subida de 3% do volume de vendas, que passou a cifrar-se em 19,5 mil milhões de euros. O sector alimentar foi o que mais contribuiu para essa subida, expandindo 3,6%, de acordo com o Barómetro de Vendas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Os dados apresentados esta manhã também mostram que as vendas de produtos alimentares com promoção voltaram a crescer e já são quase metade do total das vendas dos supermercados.

 

Se em 2015 as vendas com promoção no sector alimentar representavam já uns expressivos 41,9%, no ano passado essa percentagem ainda subiu mais. As promoções no sector alimentar representaram 44,8% das vendas, o que, para Ana Isabel Trigo Morais, directora-geral da APED, indica que "as promoções são uma exigência do consumidor". A venda com recurso a descontos é uma "alavanca muito importante para a geração de vendas e não há dúvida nenhuma que os portugueses se habituaram a comprar em promoção, gostam de promoções, o que implica que os retalhistas construam a oferta com base em promoções".

 

"As pessoas continuam a dar muita importância ao valor do produto final que querem comprar", acrescenta Ana Isabel Trigo Morais.

 

A líder da APED explica que este não é um fenómeno exclusivamente nacional – está "muito arreigado no espaço europeu", e lembra que o recurso a este instrumento "foi um auxiliador importantíssimo das famílias portuguesas durante o período de crise". Com isso veio uma transformação "do comportamento do consumidor, que se habituou a comprar em promoção".

 

Em 2017, é expectável que este comportamento se mantenha. "Acreditamos que as promoções, como continuaram a crescer em 2016, vão continuar a crescer em 2017, e os retalhistas, porque é algo transversal ao sector, vão utilizar esta ferramenta para conquistar os consumidores". Uma vez que o mercado é "muito competitivo", as promoções "são talvez um dos instrumentos mais importantes" para as distribuidoras fidelizarem os consumidores.

Em sentido contrário, as marcas das distribuidoras (vulgarmente conhecidas como marcas brancas, mais baratas) estão a perder terreno para as marcas de fabricantes. No ano passado, as marcas dos supermercados passaram a deter 33,1% da quota de mercado, uma descida de cinco décimas, que foi conquistada pelas marcas de fabricante, que assim passaram a controlar 66,9% do mercado, crescendo 0,5 pontos.

 

Retalho cresce no sector alimentar e não-alimentar

 

Os dados do Barómetro da APED mostram que o mercado do retalho está, no conjunto, a recuperar. No total, o sector avançou 3%, uma recuperação "francamente positiva", nas palavras da directora-geral da APED. Além do sector alimentar, que expandiu 3,6%, o sector não alimentar, que é composto por algumas das categorias "mais fortemente castigadas pela crise", cresceu 2,1%.

 

Na área alimentar, a APED nota que "as categorias mais importantes" tiveram "crescimentos expressivos" e registou-se também a "inversão de tendências que estávamos a monitorizar". Um dos crescimentos mais acentuados foi registado nos perecíveis (frutas, legumes), que têm sido uma "grande aposta das insígnias de consumo alimentar" e que evidencia uma "grande preocupação dos portugueses com os seus estilos de vida e com alimentação saudável".

 

Os congelados também cresceram 5%, e as bebidas 4,2%.

 

Os supermercados continuaram a ser, no ano passado, o canal de distribuição maioritário no sector, com um total de 50,3% das unidades, valor que segue inalterado face a 2015. Seguem-se os hipermercados, com uma quota de mercado de 25,6% (um aumento de uma décima face ao ano anterior. Os estabelecimentos com preços mais baratos (‘discounters’) passaram a ocupar 15% do mercado (face a 14,5% em 2015), ao passo que o comércio local passou a valer apenas 9,1% do sector (descida relativamente aos 9,8% em 2015).

 

Portugueses voltam a comprar frigoríficos

 

No sector não alimentar, as subidas mais expressivas surgem nos sectores da linha branca (máquinas de lavar roupa, frigoríficos), que escala 6,9%, e no sector dos equipamentos de telecomunicações, que cresce 6,1%. A linha branca teve uma "queda significativa nos anos anteriores" e "volta a recuperar", nota a líder da APED. Este indicador revela que os consumidores estão confiantes. "Para fazer este tipo de aquisições, o consumidor tem que estar confiante no seu rendimento e na capacidade de o pagar e manter o nível de vida", observa.

 

Ana Isabel Trigo Morais diz que olha com precaução para o que resta do corrente ano. "O nosso clima económico não está totalmente consolidado, temos algumas preocupações pela frente. Qualquer variação que possa acontecer" na frente externa "impacta directamente no consumo", nota. "O segundo semestre de 2016 trouxe-nos um crescimento importante das vendas, olhamos para 2017 com precaução porque o comportamento [da economia] é muito volátil, e queremos perceber se conseguimos manter esta tendência", afirmou.

 

A responsável mostrou-se satisfeita por, em Fevereiro, a inflação ter registado 1,6%, quando no total do ano passado se ficou pelos 0,6%.



Notícia actualizada com mais informação às 14:47


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comentários mais recentes
Juca 11.04.2017

A actual técnica comercial é criadora de distorção dos preços. Se se pretende vender por 4, preço já com ganhos, publica-se 10 e anunciam desconto de 60%. Há produtos que até têm um desconto faseado. Aldrabice diabólica.

Anónimo 11.04.2017

Quando não consegues aumentar os proventos, só há uma forma de equilibrar as contas. Diminuir despesas. Neste aspecto podemos optar por aquilo que mais nos interessa em termos de custo qualidade pois há muito por onde escolher. Os monopólios telecomunicações, água, gás electricidade, nada a fazer.

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