Empresas Protegido de Soros desafia a história com aposta de 700 milhões em Israel  

Protegido de Soros desafia a história com aposta de 700 milhões em Israel  

Eduardo Elsztain pensou que conseguiria ser bem-sucedido onde empresários como Jared Kushner, Patrick Drahi e Matthew Bronfman não conseguiram: em Israel, a terra dos seus sonhos empresariais.
Protegido de Soros desafia a história com aposta de 700 milhões em Israel  
Reuters
Bloomberg 17 de junho de 2017 às 18:00

O empresário argentino teve muito sucesso noutros lugares. Em 1990, demorou apenas uma hora para convencer George Soros a lhe dar 10 milhões de dólares para investir. Apostou esse e outros investimentos numa companhia que em 1997 já havia ganho cerca de 360 milhões de dólares em aquisições. Depois, ele e Soros compraram 25% do maior banco hipotecário estatal da Argentina numa privatização que acabou por lhes render o controlo da gestão.

 

Mas no estado judeu, dedicou cinco anos e quase 700 milhões de dólares a tentar recuperar a IDB Development, o maior conglomerado de Israel. Não se sabe se vai conseguir. Precisa de vender um activo fundamental para ajudar a reembolsar 1,5 mil milhões de dólares aos detentores de dívida nos próximos três anos — enquanto luta contra as exigências dos reguladores.

 

"A maioria das pessoas disse-me: ‘Cuidado, vais perder dinheiro em Israel’. Ouvi isso mil vezes", disse Elsztain, de 57 anos, durante um pequeno-almoço na sede da Bloomberg em Nova Iorque em Abril, acrescentando que já viu condições piores na Argentina. "Estamos comprometidos com este investimento."

 

Caso seja bem-sucedido, Elzstain vai contrariar a história recente. Cerca de dez judeus estrangeiros ricos fracassaram em Israel nos últimos anos, seja porque pagaram demais por activos, entraram em conflito com reguladores e sócios ou porque abandonaram transacções.

Muitos desses investidores não entendem que, sem ajuda de parceiros locais, o sucesso deles no seu país natal não se transfere automaticamente a Israel, disse Rafael Gozlan, economista-chefe da Israel Brokerage & Investments, investidora institucional e detentora de títulos da IDB.

 

Isso é cada vez mais verdade. Nos últimos seis anos, o estado judeu recuou 23 posições no índice do Banco Mundial sobre a facilidade de fazer negócios e ficou em 52º lugar entre 190 países. Um motivo: a coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu promulgou diversas leis de protecção dos consumidores desde 2011, quando israelitas protestaram contra o aumento do custo de vida e da desigualdade. A consequência: mais regulamentações para empresas.

 

Elsztain terá que vender a participação de 470 milhões de dólares da IDB na Clal Insurance Enterprises Holdings para respeitar uma lei e reduzir a concentração de empresas.

 

Reguladores israelitas frustraram as suas tentativas anteriores de vender a investidores chineses e ordenaram que a IDB venda blocos de acções na bolsa local a cada quatro meses. Elsztain alegou que isso provocaria uma perda de 40% no valor de seu investimento e solicitou mais dois anos para encontrar um comprador.

 

O Ministério das Finanças de Israel, que administra a venda da Clal, não respondeu a um pedido de comentário.

 

A IDB ganhou tempo no mês passado, vendendo 5% da Clal a um investidor, que concordou em revender as acções a Elsztain quando for encontrado um comprador para a participação inteira. A empresa afirmou ter entrado com um recurso contra uma decisão favorável ao cronograma de vendas forçadas no supremo tribunal de Israel. A próxima oferta de blocos está agendada para o início de Setembro.

 

"A empresa já está fora de perigo? Não", disse Yaniv Pagot, director de estratégia do Ayalon Group, um investidor institucional em Ramat Gan, Israel, que tem títulos da IDB. "Elsztain investiu muito dinheiro. Ele não faz mágica, mas sem ele a IDB não existiria."

 

Título original em inglês: With Faith and $700 Million, Elsztain Battles History in Israel

 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
GLINTT Há 6 dias

A nossa tecnológica GLINTT vai ser a próxima a duplicar, as campeãs de prejuízos já subiram 100% e a GLINTT que dá lucro e já foi alvo de OPA subiu 26%. Pode ser alvo de outra OPA da Farminveste para a tirar da Bolsa. Mas deviam agora pagar 1€ cada acção. Já valeu 5€ em 2004.

pub